7 DICAS PARA MELHORAR SEUS HÁBITOS DE LEITURA

– por Mariana Zambon Braga

Eu poderia começar esse texto com dados alarmantes sobre como ainda lemos pouco no Brasil. Ou puxar a sua orelha e dizer que se você lê menos do que X livros por ano, você precisa melhorar este número. Em vez disso, estou aqui para te ajudar a melhorar os seus hábitos de leitura de acordo com a sua realidade.

Sabemos que tempo é algo escasso na nossa rotina. Por isso, não se torture caso não consiga devorar 10 livros em um único mês. O importante é adquirir o costume de ler e incorporar em nossas vidas o prazer proporcionado pelas histórias escritas. 

Os benefícios da leitura para a mente – sobretudo de obras ficcionais – são tantos, que vale a pena reservar um tempinho do seu dia para esta prática.

Ler expande nossos horizontes, melhora nossa capacidade de concentração, fomenta a empatia e nutre nosso espírito. E, de quebra, nos ajuda a ter pensamentos mais críticos e livres e a sermos pessoas bastante interessantes.

Motivos para abraçar os livros não faltam. Confira a seguir sete dicas preciosas para melhorar os seus hábitos de leitura e mergulhar nas páginas!

1. Monitore as suas leituras com a ajuda de aplicativos

Criar listas, separar os livros em prateleiras, ler e criar resenhas, classificar as histórias e descobrir novos títulos. Essas são algumas das funcionalidades de aplicativos como Goodreads e Skoob.

Além disso, eles funcionam como redes sociais e te ajudam a ver o que seus amigos estão lendo, permitindo mais interações durante esta atividade um tanto quanto solitária.

2. Participe de clubes de leitura

Participar de clubes do livro é uma excelente forma de entrar para o mundo da leitura. Iniciativas como o Leia Mulheres, que promove a leitura e o debate de obras escritas por autoras, ou como o Piquenique Literário de São José dos Campos – SP reúnem amantes da literatura e de boas conversas.

Você também pode criar o seu próprio clube de leitura, no seu escritório, com os amigos do prédio, na faculdade ou com a sua família.

3.  Frequente bibliotecas

Você conhece a biblioteca da sua cidade? É bem provável que a resposta para essa pergunta seja negativa.

Procure saber quantas bibliotecas públicas existem onde você mora. Frequente as salas de leitura. Além de economizar bastante na hora de escolher os próximos livros da sua lista, você contribui com a existência destes espaços.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a biblioteca Mario de Andrade funciona 24 horas e possui mais de 50 mil títulos para empréstimo. Opções não faltam para você !

4. Aposte nos livros digitais

Os livros são objetos cheios de magia. O cheiro do papel, a encadernação, a arte – tudo neles inspira um sentimento nostálgico e confortante. Porém, muitas vezes nos esquecemos de levá-los conosco.

Para facilitar a sua vida, dê uma chance aos livros digitais. Com os leitores de e-book, como Kindle, Kobo e Lev, você pode levar a sua biblioteca inteira para todos os lugares. Estes aplicativos também funcionam em smartphones e tablets.

Isto significa que você pode ler na fila do banco, enquanto espera um cliente chegar para uma reunião, no trajeto do ônibus ou no metrô.

5. Estabeleça metas de leitura realistas

Talvez você tenha muita vontade de ler, mas desanime ao ver o tamanho dos livros. O trabalho, as tarefas de casa, os filhos, o estudo – tudo está contra a gente nessas horas, não é mesmo?

Mas você não precisa começar por títulos de mil páginas. Tenha paciência. Escolha livros menores, leia crônicas ou contos.

E caso o título que você deseja ler seja realmente volumoso, defina uma quantidade diária de páginas que cabe no seu contexto de vida. Se o livro tem 500 páginas, você pode ler 10 por dia e, em pouco mais de um mês, terá completado a leitura.

Ler é um exercício de consistência, e não de velocidade.

6. Troque a TV pelas histórias escritas

Você chega em casa cansada do trabalho e quer se distrair no conforto do seu lar. A primeira opção que vem em mente é ligar a televisão ou procurar um filme ou série na Netflix.

Mas, que tal variar um pouco, reservando uma horinha dos seus momentos de descanso para se perder nas palavras?

Escolha um romance, uma história fantástica, ou até mesmo um relato biográfico, pegue uma bebida gostosa, seus petiscos preferidos, aconchegue-se na cama ou no sofá e boa viagem!

7.  Escolha livros que realmente te interessem

Muitas vezes, temos vergonha de escolher um livro que não seja clássico ou consagrado, por causa do preconceito literário. Mas eu te digo: não tenha medo de se render a um best-seller, se é isso que você está com vontade de ler naquele momento.

Conforme avançamos no mundo da leitura, nossa capacidade de analisar se um livro é bom ou não e nossas próprias preferências se tornam mais aprimoradas. Além disso, um livro realmente bom é aquele que dialoga com você durante a leitura.

Se o título ou a capa de um livro chamou a sua atenção, vá em frente. Viu uma resenha e achou interessante? Abra logo essas páginas sem medo de ser feliz! Não deixe de ler o que você gosta por causa da opinião dos outros.

Espero que com essas ideias você consiga incorporar a leitura ainda mais no seu dia a dia!

Gostou dessas dicas? Conte para nós o que você está lendo!


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.

Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. 


Imagens: Unsplash / Pexels

A vida não é uma linha reta

– por Mariana Zambon Braga

Quando pensamos nos nossos objetivos e nos planos que traçamos para alcança-los, a tendência é idealizarmos uma linha perfeita, reta e precisa. Como um gráfico pontilhado de lógica e verdades. Depois de destrinchar todas as possibilidades da realização de um sonho ou projeto, desenhamos um mapa e colocamos o pé na estrada, por assim dizer.

A meta está lá, no fim do traço, na seta, no ponto de chegada. Está implícito que partimos apenas de um ponto fixo em nossa linha do tempo. Estamos no ponto A e desejamos ir ao ponto B, que no futuro se transformará em ponto C e assim por diante. Porque, obviamente, com o passar do tempo, teremos novos objetivos a conquistar.

E como nosso tempo sempre é curto, temos pressa de chegar ao final. Por isso, é comum ignorarmos os contratempos. Quer dizer, nós os consideramos – afinal, todo plano que se preze leva em conta os possíveis cenários negativos.

Traçamos diversas retas de um ponto a outro, imaginando quais serão os pit stops necessários ao longo do caminho. No âmbito profissional, essas paradas podem significar um curso, uma especialização, a expansão dos negócios. No contexto pessoal, podem ser as metas de relacionamento, autoconhecimento, tudo aquilo que consideramos vital para o nosso crescimento como seres humanos.

Mas, o que acontece quando essa linha se entorta um pouco para a direita, para a esquerda, desenhando traços sinuosos e curvas imprecisas? Será que estamos preparadas para pegar um desvio ou recalcular a rota?

Uma estrada tortuosa

Por mais que o nosso plano seja realista, a verdade é que é impossível prever tudo o que pode dar errado ou fugir do nosso controle. Ainda que nosso foco esteja bem estabelecido em nossos projetos, precisamos compreender que a existência não é algo linear. Esta seta imaginária que traçamos rumo ao tão sonhado horizonte pode se romper, por motivos que fogem ao nosso controle. E está tudo bem.

Um dos grandes aprendizados que a maturidade nos traz é compreender que o controle é algo que pode nos escapar por entre os dedos num piscar de olhos. E para manter a sanidade, para poder continuar em pé em meio à tempestade, é essencial termos em mente que, em algum momento da vida as coisas não vão sair como planejamos.

Pode ser que você saiba exatamente o que fazer para chegar aonde deseja. E, no meio do caminho, decida que não era bem esse o lugar onde queria estar.  Talvez, nesse momento de incerteza, uma luz de emergência se acenda dentro da sua bússola pessoal, indicando que não é possível voltar atrás, ou o fracasso será iminente.

Uma nova perspectiva

Vou te contar um segredo: não tem problema se você voltar atrás.  Às vezes, é a melhor coisa a se fazer. Escolher um novo ponto de partida, vislumbrar novos horizontes. Reinventar as suas possibilidades. Ainda que o objetivo permaneça o mesmo, você certamente não será a mesma, e isso, por si só, já é um novo começo.

A vida não é linear. É inconstante, tem caminhos tortuosos, nos faz tropeçar e mudar de rumo.  E muitas vezes são os terremotos e os imprevistos que nos ajudam a enxergar os cenários mais gratificantes.

No fim das contas, mais importante do que aonde iremos chegar é toda a jornada que nos leva até lá.


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.

Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. 


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Você prefere ter razão ou descobrir a verdade?

– por Mariana Zambon Braga

Durante séculos, a humanidade tem desenvolvido ferramentas para investigar a verdade dos fatos da vida e do universo. A filosofia, os métodos de investigação científica, a racionalidade, de modo geral, nos auxiliam a organizar o pensamento e a demonstrar uma resposta através de mecanismos minimamente concretos.

Ignorar todo esse processo de evolução do pensamento é algo inimaginável, não é mesmo? Porém, a cada dia mais e mais notícias falsas pipocam em nossas timelines e presenciamos discussões embasadas em argumentos inexistentes – exceto pela máxima “essa é a minha opinião”.

Uma opinião não vale mais do que a verdade absoluta, por mais que nossas crenças pessoais sejam apaixonadas. Vocês acreditam que existe um grupo de pessoas que jura que a Terra é plana? E ai de você se tentar convencê-los do contrário, apresentando fatos.

Tudo isso porque nós achamos que estamos com a razão, que estamos certas, mesmo quando não estamos. E por que será que a gente resiste em aceitar que a nossa opinião ou nossas ideias estão erradas?

Quando se trata de opinião, somos, em maioria, combatentes. Tomamos nos braços o tesouro precioso criado pela nossa mente, formado por nossos conceitos e ideias, os trancamos em um baú bem protegido. Mostramos ao mundo quando desejamos e, pelo medo de sermos roubadas, voltamos a trancafiar a preciosa opinião a sete chaves, evitando ao máximo que ela seja transformada.

Queremos estar certas. Queremos vencer a batalha da argumentação. Isso nos dá uma sensação de poder, inteligência, sabedoria e validação. Queremos que a nossa visão de mundo prevaleça, acima de tudo.

Parece até que mudar de opinião é algo que nos rouba de nós mesmas. Embora, obviamente, não roube. O nosso valor pessoal não está atrelado ao fato de estarmos certas ou erradas a respeito de alguma coisa. 

Em sua palestra no TED, Julia Galef nos mostra que defender as suas crenças não é uma questão de personalidade forte, mas de mentalidade. Ela afirma que existem dois tipos predominantes de mentalidade: a do soldado, e a do batedor.

A mentalidade do soldado fará o que for preciso para combater as ideias inimigas, atacando-as, ou defendendo as suas próprias noções sobre o assunto em questão. É o que os cientistas chamam de tendência cognitiva ou viés cognitivo – que, em resumo, nos leva a tomar decisões com base nas emoções, e a confirmar teorias sem nenhum embasamento, apenas pelo “achismo” e pela validação de outras pessoas. Traduzindo: é uma mentalidade fechada.

Já a do batedor tentará ter uma visão clara da verdade, ainda que ela seja inconveniente ou nada prazerosa. O batedor não tentará vencer, mas sim procurar conhecer o cenário, identificar o que existe no plano real, investigando a situação da forma mais precisa e franca possível. A mente do batedor está sempre aberta.

Segundo a palestrante, essa é uma mentalidade fascinante. E eu tenho que concordar com ela. Vencer as barreiras dos nossos próprios preconceitos e tentar enxergar os fatos é muito difícil. Envolve admitir que nossos julgamentos estão errados, deixar de lado o nosso ego e as nossas emoções. Ser um pouco mais racional, perseguir mais a curiosidade.

Isso não significa que defender um ideal é algo errado ou contrário à racionalidade, de forma alguma. Porém, antes de tomar essa crença como sua e tentar defendê-la com unhas e dentes, busque a verdade. E, se você perceber que estava errada, tudo bem. A mente aberta é o que nos move a conhecer cada vez mais o mundo e a vida como realmente são. Na pior das hipóteses, nos ajuda a enxergar um pouco o outro lado da moeda.

Encerro este textão com o questionamento final da palestrante: “O que você mais anseia? Defender as suas crenças ou enxergar o mundo da forma mais clara possível?”

Confira o TED Talk da Julia na íntegra:


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.


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Nutrição: Café – Mocinho ou Vilão?

– por Tatiana Picirillo

Um cafezinho é tudo de bom, não é mesmo? Mas, afinal, ele é mocinho ou vilão?

A verdade é que tudo vai depender da quantidade e o modo como este café está sendo ingerido. A recomendação é de aproximadamente duas xícaras de 180 ml ao dia e quem acaba consumindo uma quantidade muito superior a esta não usufrui de seus benefícios.

E quais são eles?

O café traz melhoras ao estado de alerta, aumenta a energia e a concentração, diminui o sono e o cansaço, melhora os sintomas de doenças como Alzheimer e Parkinson. O café coado é mais saudável que o expresso, pois este último possui duas substâncias – o caeol e cafestol – que podem interferir no aumento de colesterol. Quando o café é coado no filtro de papel, estas substâncias se desprendem e são filtradas antes de chegar ao seu copo.

O tradicional cafezinho após o almoço também não é benéfico, pois a cafeína inibe a absorção do ferro. No caso das pessoas que apresentam sensibilidade gástrica como gastrite ou úlcera, o café irrita a mucosa, podendo machucar as paredes do estômago.

Tomar café em copo de plástico não é interessante pois o café quente faz o plástico liberar resíduos tóxicos. Café com açúcar o  torna mais calórico, além de interferir em seus benefícios. A melhor opção é tomá-lo ao natural.

Uma dica para evitar o uso de açúcar é coar o café com canela, pois dá um gostinho diferente e mascara a falta do sabor doce.

Agora que você já sabe os benefícios e malefícios do café, escolha a melhor opção para ingerir esta tradicional e deliciosa bebida.


A Tatiana é Consultora da Feminaria e presta atendimento às nossas Associadas. Para agendar o seu horário, entre em contato pelo telefone (11)2737.5998 e verifique a disponibilidade. Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br

Tatiana Maia Piccirillo

Consultora da Feminaria, Formada pela Universidade São Judas Tadeu. Pós-graduada em Nutrição Clínica pela Universidade Gama Filho. Coach Nutricional, trabalha com emagrecimento voltado para reeducação alimentar e mudança de comportamento. 

QUAL O CUSTO EMOCIONAL DE ABRIR UM NEGÓCIO?

As inúmeras mudanças nas leis trabalhistas e a realidade do mercado de trabalho fazem você pensar em empreender, pois a falta de perspectiva profissional no seu atual local de trabalho e a dificuldade de recolocação estão te “empurrando” para o empreendedorismo.

 

“Como assim não tem vaga?”

Já faz um bom tempo que você está flertando com a possibilidade de empreender. Você já tem estabilidade na sua carreira formal, mas hoje sente uma necessidade imensa de tentar algo novo – você já tem até mesmo a ideia de negócio. A maternidade chegou e o mercado formal não tem estrutura para te absorver… tantas mães empreendem, será que não é o caso de tentar também?

A verdade é que atualmente todas nós, em algum momento, e por muitas razões diferentes, cogitamos a possibilidade de empreender. Dentre tantas dúvidas que vem junto com esse impulso, a mais frequente e que não cala é: quanto custa empreender?

Você sabe que é impossível responder a essa pergunta com um número fechado, pois as implicações são muitas. Nas pesquisas que você faz deve ter lido inúmeras histórias de gente que perdeu muita grana tentando empreender. Te garanto que não precisa ser assim: um bom planejamento pode seguramente minimizar esse risco de forma bastante positiva.

O custo financeiro é mensurável, e ele certamente será considerado de forma bastante estreita no seu plano de negócios quando for especificar o planejamento financeiro. Quanto melhor a sua estrutura base, menores os riscos de insucesso. Pode respirar aliviada – o custo pode ser bastante previsível.

Acontece que quase nunca falamos sobre o custo imaterial, e ele é sem sombra de dúvidas o mais importante a ser considerado quando pensamos em dar um passo rumo ao empreendedorismo. Estou falando aqui do seu capital emocional.

 

Empreender requer muita inteligência emocional e um comprometimento tão grande quanto a sua vontade de fazer dar certo. No início do desenvolvimento do seu negócio provavelmente você trabalhará mais horas do que está acostumada, além de precisar desenvolver habilidades que desconhecia. Tudo isso vai atingir diretamente o seu capital emocional.

Podemos definir Capital Emocional (ou Capital Psicológico, como também é conhecido) como sendo o conjunto de sentimentos, crenças, nível de afetividade, percepções e vínculos com relação ao que você faz; é o alinhamento emocional que você faz entre suas expectativas e as relações que pretende estabelecer ao abrir um negócio.

 

O envolvimento emocional em tudo o que fazemos não é um mito, é de fato ponto de concordância entre academia e ciência. Quando entendemos que a emoção é quem garante a liga em nossos relacionamentos, sejam eles comerciais ou não, gerimos melhor nossa relação com o mundo dos negócios e ainda temos a chance de contagiar e mobilizar nossos potenciais aliados, parceiros e consumidores.

Tocar um negócio não se trata apenas de gerenciar o fluxo da grana, mas também de gerenciar suas emoções para garantir que você possa seguir em frente no seu plano.

 

 Como descobrir o valor do seu capital emocional?

 

Não existe uma maneira de mensurar esse bem valiosíssimo, mas o que posso garantir a você é que uma boa visita ao passado e a análise cuidadosa de todas as suas relações podem te dar um panorama sobre como você reage emocionalmente a ações externas. Um belo e constante exercício de autoconhecimento sempre garantirá o monitoramento desse seu recurso.

Quando aprendemos sobre nosso capital emocional descobrimos quais são as limitações naturais impostas por ele, e passamos a colocá-lo em movimento. Se bem administrado ele reduzirá prejuízos, garantirá que você assuma riscos de maneira mais segura e mobilizará as pessoas envolvidas no seu empreendimento, fazendo  com que você siga segura com as escolhas que fez.

Lembre-se que a pressão externa tende a te impelir a pensar racionalmente, como se a razão fosse sua maior aliada ao decidir empreender.

Vão lhe apresentar argumentos e números que comprovam a dificuldade material que você enfrentará, mas ninguém vai te alertar que tudo isso se torna relativo quando você tem um capital emocional forte, consciente e que você usará como elemento surpresa em toda a sua jornada.

Para concluir: preste atenção ao que te faz suspirar, ouça seu coração e sinta suas reações. Aprenda a ouvir atentamente seus interlocutores. Por saber que empreender é arriscar-se, conhecer seu capital emocional é imprescindível, já que riscos acendem o sinal de alerta em qualquer pessoa, seja ela uma empresária de sucesso ou alguém que está pensando em se enveredar pelo universo dos negócios.

Como disse David Brooks: “A razão se apoia e é dependente da emoção. Emoção vincula valores às coisas e a razão só pode confirmar suas escolhas a partir das avaliações emocionais. A mente humana só pode ser pragmática porque no fundo ela é romântica”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Fundadora da Rede Feminaria, Ana é consultora jurídica e advogada por formação.


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TENHO MEUS OBJETIVOS E METAS TRAÇADOS… NA MINHA CABEÇA!

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Eu não quero jogar um balde de água fria na sua empolgação, mas se seu objetivo está perfeitamente traçado na sua cabeça, você não tem objetivo algum. Eu sei que sua memória pode ser impecável e não duvido que você seja capaz de explicar todo o seu plano numa sentada. Mas para chegar onde quer que seja, você precisa de duas ferramentas importantíssimas: papel e caneta.

Sempre que uma associada começa a trabalhar conosco na Feminaria a primeira tarefa sempre é “Definição de Objetivos”, não importa a fase do negócio ou carreira em que ela está; se ela chegou até aqui é importante definir exatamente o que ela pretende. Só assim podemos ter uma noção do desenvolvimento e das possíveis alterações da rota.

São os objetivos que nos movem e são eles que determinam nosso desenvolvimento, sejam eles pessoais ou profissionais. Determinar os objetivos é como criar uma história: o mais importante é tornar essa história viável e sustentável. Não importa o quão grandes são seus objetivos; uma vez que você tenha isso no papel poderá trabalhar neles de acordo com a viabilidade de cada um.

Sem querer parecer alarmista, te digo: um objetivo bem definido é o que vai te destacar dos seus concorrentes.

 

Se você for buscar as dicas e conselhos de grandes atletas, empresários e empresárias notáveis e grandes empreendedoras de todos os mais diferentes tipos de atuação eles sempre dirão que ter uma boa definição de onde queriam chegar fez toda a diferença.

Ao definir um objetivo de maneira clara e honesta – você estará se ajudando na definição de foco e na busca dos conhecimentos necessários para planejar e organizar seus recursos e seu tempo, de forma que você possa tirar o melhor proveito de sua vida, em todas as áreas.

Montar um painel com a definição dos seus objetivos vai envolver tomada de decisões, pois será importante refletir sobre o que você realmente quer fazer com sua vida pessoal e profissional. Definindo objetivos você criará metas, além de refletir sobre quais passos você precisará dar para alcançar cada uma delas, a curto, médio e longo prazo.

São muitos objetivos? Não se preocupe, a ideia é ter uma visão macro e depois quebrá-la em várias partes pequenas e gerenciáveis, cada uma com um prazo de cumprimento diferente. Começamos pelas metas de maior facilidade de realização, até que possamos ter uma base forte o suficiente para caminharmos em direção às metas maiores.

 

Com todos os objetivos colocados no papel, diariamente você terá a oportunidade de cumprir alguma das metas definidas. Realizar uma meta desperta uma enorme sensação de dever cumprido -não importa se a tarefa foi mínima – o importante é que ela esteja dentro do seu plano e seja um degrau em direção à realização do seu objetivo principal.

Habilidades e conhecimentos serão colocados à prova uma vez que seus objetivos sejam definidos.

 

Quando você começar a desenhar seu painel, você vai ver que precisará de habilidades e conhecimentos específicos. Será que seus objetivos exigem que você tenha um certo grau de conhecimento ou uma certa especialização? A partir daí você vai poder decidir se buscará essas capacidades em parcerias ou se vai se dedicar a estudar e tentar adquirir as habilidades necessárias.

Colocar objetivos no papel servirá como um guia, um mapa para alcançar suas metas, mas também será uma incrível ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento de autoconsciente – duas capacidades importantíssimas no mercado atual.

Para concluir: desmembre seus objetivos em grandes e pequenos, de longo, médio e curto prazo. Definir objetivos profissionais pode ser feito dessa forma. Para definir objetivos de vida faça uma viagem no tempo: em 10 anos, 5 anos, 1 ano, 6 meses. Percorra assim até que chegue nos pequeninos, mas não menos importantes – os planos semanais e diários. Não pense no tempo que esse trabalho vai levar, pense no tempo que esse trabalho vai otimizar.

Tenha metas e objetivos bem definidos e seja flexível o bastante para entender que rotas são alteráveis. E saiba que estamos aqui para te apoiar durante todo o caminho.

Como disse Hermann Hesse em Sidarta: “Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagens: Pinterest

VALIDEI MINHA IDEIA DE NEGÓCIO, E AGORA?

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Parabéns! Depois de muito trabalho e determinação você conseguiu validar sua ideia de negócio. Validar uma ideia não significa que você tem um plano de negócios, significa que você tem uma ideia que tende a se transformar num negócio promissor. Não podemos esquecer que a validação serve para analisar os pontos principais do negócio e definir se ele está pronto para ser desenvolvido ou se ainda precisa ser revisto. Foi validado como pronto e pode ser desenvolvido? Agora você precisa iniciar o seu produto.

O desenvolvimento do produto deve ser trabalhado de forma cautelosa e muito detalhada, isso porque dele dependerá o futuro do seu negócio.

A ideia validada precisa de um ótimo suporte para ser desenvolvida como negócio.  “Mas Ana, basta desenvolver um plano de negócios” – disse a empreendedora com a ideia validada.

Eu respondo: sim, é preciso desenvolver um plano de negócios, mas você sabe descrever perfeitamente tudo o que precisa ser colocado dentro de um plano de negócios? Provavelmente você saberá seguindo os inúmeros tutoriais que existem disponíveis na internet, mas é preciso garantir que cada parte do plano esteja “amarrada” e definida de forma objetiva.

O plano é mais um processo do que um produto. O plano de negócio não é a empresa, não é o negócio, ele é a descrição dele. O seu plano de negócios não tem o poder de prever o futuro, portanto, dificilmente descreverá com precisão razoável a sequência de eventos. Quanto mais bem elaborado e completo, mais seguro ele será, além de ser essencial para manter você atenta ao que deseja que aconteça e a todos os cenários possíveis.

Para que serve um plano de negócios?

Para a criadora: serve para organizar as ideias e tirar o projeto do universo da imaginação. Ele serve como uma análise preliminar da viabilidade do seu projeto considerando toda a operacionalidade dele.

Para quem o recebe: tem como função dar uma visão panorâmica e geral do projeto, ele é o documento que demonstra para o leitor que o projeto é viável e trará benefícios. Lembre-se que o leitor pode ser um parceiro, um investidor ou potencial sócio.

Quais são as aplicações de um plano de negócios?

  • Desenvolvimento da ideia validada
  • “Criação” do seu modelo de negócios
  • Lançamento de produto
  • Inauguração de Unidade
  • Início de operação
  • Fusão ou compra
  • Capitalização financeira
  • Lançamento de ações
  • Criação de novas empresas
  • Revitalização da empresa

Um plano de negócios bem feito poderá sofrer várias alterações durante o desenvolvimento do seu empreendimento. No entanto, ele terá uma base sólida devidamente estruturada e que poderá te deixar livre para alterar a rota a qualquer momento.

Antes de elaborar um plano de negócio

Antes de elaborar um plano de negócios você vai precisar definir seu objetivo. O que você pretende com o seu plano? Qual a finalidade dele? Lembre-se de que um plano de negócios tem várias aplicações e definir exatamente o seu objetivo vai garantir que seu plano seja desenvolvido de acordo com a aplicação para quem será destinado.

Quanto custa elaborar um plano de negócio?

Com as facilidades atuais você pode montar um plano de negócios sozinha. Existe uma infinidade de conteúdo relacionada ao tema, desde passo a passo até aulas online. Você pode contratar uma consultoria especializada, uma boa profissional vai cobrar de você um valor atrelado a complexidade do negócio para o qual você vai desenvolver o plano, podendo variar a partir dos X mil reais.

Você também pode se associar à Feminaria e desenvolver seu plano junto conosco e o valor é o que você já conhece – cabe no seu bolso e não vai afetar seu orçamento. É importante ter em mente que o custo desse trabalho precisa estar dentro da sua reserva para “abrir” seu negócio, vamos falar sobre isso em um próximo artigo.

 

Vai fazer seu plano de negócios sozinha?

A melhor dica que posso te dar é: seja o mais honesta possível, quanto mais objetiva e sincera você for, maiores são as chances de desenvolver um plano realista e de acordo com a realidade do mercado no qual irá atuar. Importante: liste inclusive suas limitações e habilidades que não tem, isso vai te dar uma maior segurança, assumir que não sabemos tudo é sinal de maturidade.

Para concluir: você nunca estará livre da obrigação de colocar no papel tudo aquilo que passa pela sua cabeça. Sempre que houver uma alteração na rota, você precisará rever seu plano de negócios e se necessário criar um outro com nova finalidade de aplicação. Se você permite mais uma dica, aqui vai: mantenha simples!

Como disse Khalil Gibran: “A simplicidade é último grau da sabedoria”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagem: Pinterest

Você tem ideias para ganhar dinheiro, mas já se perguntou se tem mercado para elas?

Você tem ideias para ganhar dinheiro, mas já se perguntou se tem mercado para elas?

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Eu sei que é duro ouvir isso, principalmente vindo de uma pessoa que diz o tempo todo que você deve ser protagonista da sua vida, mas para o assunto que vamos desenvolver agora o que você quer – de fato – não importa nem um pouco.

Para quem você empreende? A resposta a essa pergunta diz muita coisa sobre o seu negócio e a saúde dele. Vamos usar o exemplo de duas empreendedoras fictícias que vão nos ajudar a ilustrar esse artigo.

Valéria – 35 anos, fisioterapeuta, dedicou-se a carreira formal por 10 anos, mas apaixonada por bolsas que era, decidiu importar bolsas de marcas incríveis e vende-las no Brasil. O negócio da Valéria tem 1 ano e 6 meses e ela procurou a Feminaria com um problema bastante comum: ela não estava vendendo.

Andrea – 34 anos, técnica em nutrição, trabalhou numa grande empresa durante 6 anos, mas sentia que ali não conseguiria resolver uma questão que a incomodava há anos: as “sobras” de alimentos que iam para o lixo. Andrea largou o emprego formal e montou sua consultoria – ela vai aos estabelecimentos ensinando como aproveitar as sobras dos alimentos. O negócio dela tem 1 ano e ela procurou a Feminaria com um problema: ela cresceu e não consegue dar conta sozinha de todos os seus clientes.

Te pergunto: por que o negócio da Andrea não para de crescer, enquanto que o da Valéria está parado e ela não consegue sequer dar vazão ao estoque? Lembrando que ambas são apaixonadas e muito dedicadas ao próprio negócio.

A resposta é simples, porém, nada óbvia para quem está iniciando o próprio negócio: uma delas resolve um problema que atinge muitas pessoas, problema esse com o qual as pessoas se importam. As sobras de alimento são um problema não só financeiro – para quem precisa gerir grandes quantidades de alimento – mas também social – quantas pessoas poderiam ser alimentadas de forma saudável com a sobra de alimentos de grandes estabelecimentos?

Essa é a maior lição que você precisa aprender sobre empreender: você precisa entender a realidade do mundo. Muito mais importante do que a sua formação profissional, seus MBAs, os idiomas que domina e a universidade que frequentou, sua capacidade de entender “as dores do mundo” – ou do seu público – é que farão a diferença no seu negócio.

Que problema você resolve?

Já que você se interessou por esse artigo, me sinto no dever de lhe dar ao menos uma pista sobre o que pode ser feito para não repetir a precipitação da nossa personagem Valéria. Caso você esteja flertando com o empreendedorismo, ou pensando em transacionar de carreira, a minha dica é simples: procure por um problema.

Quando pensamos em empreender, nosso cérebro nos direciona – quase que automaticamente – a oferecer uma solução – mas como sabemos se essa solução é útil ou de fato resolve um problema? Quando pensamos em oferecer uma solução temos que buscar um problema e adaptá-lo ao que criamos. Isso faz algum sentido pra você? Tomara que não…

Quando começamos por descobrir um problema, só precisamos ajustar nossa mente e focar nossos esforços e criatividade na resolução dele, com toda a liberdade do mundo!

Resolvendo o problema

Numa realidade em que para quase tudo basta que apertemos um botão, não será você a pessoa a oferecer um complexo conjunto de soluções, sob pena de que ela perca o efeito “solucionador” e se torne um problema para o seu público. Simplicidade é a palavra de ordem, mantenha sua criatividade sob a luz da simplicidade.

Engana-se quem pensa que essa parte é fácil, como disse Clarice Lispector: “só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”. Coisas simples são mais baratas de serem construídas, não requerem apresentações mirabolantes para serem entendidas e consequentemente vão resultar num produto mais acessível financeiramente – ou seja, você poderá se preocupar menos com a “venda” da sua ideia, produto, ou serviço.

Quem se beneficia?

Seu público em potencial! Quem são as pessoas que terão a vida facilitada a partir da sua ideia / produto / serviço / negócio? A única maneira de você descobrir quem são essas pessoas é misturando-se com elas. Envolva-se com os problemas das pessoas ao seu redor, converse com amigos, familiares, colegas de trabalho, entenda a realidade deles e como eles lidam com o problema que você identificou.

Lembra do seu trabalho de conclusão de curso? Pois aqui a dinâmica é quase a mesma: você precisa investigar.

Ação

A hora e a vez de comprovar se sua ideia é doable – ou sejadescobrir se é possível colocar em pratica e trazer pro plano das coisas reais todo esse cenário hipotético que você criou. Esse é seu maior desafio. Aqui você vai precisar dedicar tempo e se comprometer, não vai importar se um dia você acordar sem motivação ou sem vontade, você tem um trabalho a ser feito e sua dedicação será o divisor de águas entre uma pessoa que tinha planos e uma pessoa que realiza projetos.

Coloque no mundo

Você passou por toda essa trajetória e vai colocar todo esse trabalho debaixo do travesseiro esperando que a fada do dente venha te deixar um dinheirinho? Não mesmo!

Coloque a sua criação no sol, mostre para as pessoas, coloque em prática, arrisque. Coragem, my dear, não é sobre uma força sobrenatural, a coragem é a capacidade de tentarmos quantas vezes forem necessárias para alcançarmos o objetivo que desenhamos para nossa vida.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagens: Pinterest

(Alguém nos) LIVRE (da Livre) NEGOCIAÇÃO

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Quando recebi a notícia sobre a aprovação da reforma trabalhista não foram poucos os meus pesares.  Todas as minhas dúvidas são com relação ao aspecto jurídico dessa reforma, já que certamente a insegurança será instalada.

Minha conclusão pessoal é de que vai haver um período bastante nebuloso a partir de já. Penso que as empresas que antes deixavam de contratar em razão do enorme impacto financeiro passarão a contratar muito, obviamente fazendo uso da terceirização e da possibilidade de pagar trabalhadores por meio de contratação sob o manto da “pessoa jurídica” – vamos todos virar “pejotinha”.

Claro que esse boom vai ser veiculado pela mídia, as estatísticas vão noticiar o aumento do emprego, o aquecimento da economia e a queda da inflação, a estabilidade do dólar e outras maravilhosidades. Mas devemos lembrar que do outro lado haverá uma mão de obra precarizada, ou seja, sem qualquer proteção jurídica.

Pelas minhas análises e previsões, em 12 meses essa turma toda que foi contratada como PJ vai começar a se dar conta da instabilidade e vai haver muito questionamento, mas não poderá  recorrer à Justiça do Trabalho. Aí sim vamos começar a sentir o efeito dessa realidade que começa a ser desenhada agora.

Mas você pode me dizer: “Ana, existe a possibilidade de negociação e essa realidade que você está prevendo é bastante pessimista, acho que há um exagero”.

Eu concordo com você. Por natureza sou pessimista e tenho sempre do meu lado a possibilidade de ser surpreendida por coisas boas. Nesse caso, especificamente, eu torço para que elas aconteçam, mas não acredito.

A livre negociação não é essa maravilha, porque sempre haverá alguém esperto demais lidando com alguém esperto de menos. Os espertos de menos são os mortais com pouco ou zero conhecimento jurídico e sem habilidade alguma para negociar seu próprio valor de mercado dentro de uma sociedade onde “se você não quer tem quem queira”.

Há séculos foram pleiteados direitos sociais, eles foram a menina dos olhos da nossa Constituição Federal de 1988, porque visavam proteger a parte mais frágil da relação – o trabalhador.

Me pergunto: o que mudou entre 1988 e 2017 para que fosse desconsiderada totalmente essa falta de recursos próprios para debater direitos trabalhistas?

A livre negociação estará colocando de um lado empresas e seu exército de profissionais com conhecimento técnico e do outro lado um indivíduo que faz parte de um outro exército: o de 14,2 milhões de desempregados. Analisando o contexto social atual, quem será o bravo trabalhador que negociará as condições mínimas de trabalho quando tem família em casa e boletos a serem pagos?

Estamos falando sobre Direitos Sociais. Apesar de atenderem às necessidades individuais do ser humano, os direitos sociais tem caráter social (coletivo). Por quê? Porque uma vez que não são atendidas as necessidades de cada um, os efeitos nefastos recaem sobre toda a sociedade, e podem esperar sentadinhos em frente a sua TV4k – todos nós seremos afetados. Os direitos sociais são conquistas evolutivas e históricas, muita gente se arrebentou pra chegar até o ponto em que esses direitos foram considerados pelo Estado e inseridos na Constituição Federal.

São direitos sociais: “a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”. Os direitos do trabalhador (férias, tempo mínimo de descanso etc etc etc) são direitos sociais (portanto, evoluíram a partir de muita luta, como eu falei acima). Esses direitos são um dos maiores exemplos de obtenção de garantias sociais ao longo da história (AO LONGO DA HISTÓRIA).

O direito previdenciário também é um direito social, ligado à condição humana em toda a sua existência. É contrapartida e valorização à vida das pessoas, por terem atingido determinada idade, ou terem se tornado incapazes de trabalhar mas que ainda precisam sustentar sua família, por tudo o que viveram e precisam viver com dignidade e conviver em sociedade. Ainda que a sociedade seja a mesma que não se importa com esses direitos.
Estamos PERDENDO tudo isso. E se há um motivo pra tristeza: é esse! A batalha não é entre fulano e sicrano (ao menos não deveria ser), a batalha é sobre Direitos conquistados a duras penas e a subtração deles.

Mesmo que sejamos ricos e saudáveis e não sejamos afetados por essas mudanças, nós enquanto indivíduos estamos sendo esbugalhados em nossos direitos sociais. TODO mundo vai ser atingido – por razões de: o efeito é coletivo, gente! C.O.L.E.T.I.V.O.

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Perdemos os direitos sociais e esse é só o começo.

 


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagem: Recovery Place

Por uma maternidade real, consciente e empática

– por Fernanda Vicente

Em um sistema que nos vende a maternidade compulsória e romantizada, onde a mãe deve abrir mão de tudo e viver apenas para os filhos, é importante falarmos sobre a maternidade de forma crítica, real e empática.

No entanto, para debatermos sobreo assunto, é necessário levar em consideração as peculiaridades e especificidades de cada mulher. O gênero nos une, mas raça e classe nos separam em um determinado momento.

Por exemplo: sou mulher, mãe, branca, classe média e com graduação.  Sei das opressões que sofro por conta do meu gênero. E sendo mãe, essa opressão aumenta. Mas reconheço e admito meus privilégios. Posso a qualquer momento sofrer violência de gênero. Mas nunca saberei o que é o combo racismo mais machismo e misoginia.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apesar de uma melhora nos índices entre 2000 e 2010 em relação à população afro-brasileira, o analfabetismo entre as negras ainda é o dobro se comparado com as brancas. Em relação à taxa de desemprego, em 2015 foi registrado que 17,4% das mulheres negras com ensino médio estava sem emprego, contra 11,6% da média feminina.

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A violência obstétrica, por sua vez, afeta boa parte de mulheres no país, como aponta o levantamento da Agência Pública. Segundo dados de 2010 da Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto como gritos, procedimentos dolorosos não autorizados ou informados, ausência de anestesia e negligência. Há também queixas de assédio sexual durante o pré-natal. Com as mulheres negras a incidência da violência é mais presente.

Na campanha “SUS sem racismo”, do Ministério da Saúde, em 2014, 60% das vítimas de mortalidade materna no país são negras; somente 27% das mulheres negras tiveram acompanhamento durante o parto, enquanto do lado das mulheres brancas, esse número chega aos 46,2%.

Dialogarmos com diferentes realidades se faz necessário para uma maternidade crítica e política, para que possamos assim pontuar nossas demandas, que são muitas e, na maioria das vezes, ignoradas pelo sistema que prefere virar as costas e continuar explorando nossa força reprodutiva e de trabalho.

É preciso entender que nem toda mãe tem acesso a informações sobre parto, puerpério, amamentação. Nem toda mãe tem tempo para levar e buscar o filho na escola. Nem toda mãe pode optar por não mais trabalhar depois do parto. Nem toda mãe pode colocar o filho numa escola com uma pedagogia alternativa. Nem toda mãe tem tempo para cuidar dos filhos, principalmente quando essa mulher mora afastada dos centros urbanos e sai para trabalhar de madrugada muitas vezes para cuidar dos filhos de outras mulheres. Nem toda mulher tem acesso aos seus direitos mais básicos e a informações importantes.

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A construção de uma sociedade mais justa e igual também passa pelo olhar empático sobre a realidade de outras mulheres. Maternidade consciente não é apenas entendermos os mecanismos patriarcais em que estamos inseridas e tentarmos dessa forma lutar contra essa estrutura. É também olharmos com empatia para outras mães e procurarmos entender o que passa na vida dessa mulher, sem querer ser salvadora ou detentora da verdade, apenas entendendo que somos muitas, somos plurais e a consciência de uma maternidade crítica se dá a partir dai.


Fernanda Vicente é mãe, feminista, jornalista e idealizadora do projeto Mães no Enem & Mães na Universidade, uma ação que tem como objetivo apoiar e auxiliar mães estudantes em todo o país.


Imagens: London Scout – Unsplash