Entenda a importância do empreendedorismo feminino

Quando o assunto é empreendedorismo feminino, muito se fala sobre as questões sociais que permeiam o assunto. O que pouco tem se falado é sobre a importância dele na economia do país.

As mulheres empreendedoras têm um papel muito importante na economia do país. De acordo com o Governo Federal, 3 em cada 4 lares são chefiados por uma mulher e, dessas, 41% tem seu próprio negócio.

Neste artigo, vamos abordar os impactos econômicos do empreendedorismo feminino no mercado brasileiro. Prontas?

A evolução social da mulher no mercado de trabalho

As mulheres começaram a se inserir no mercado de trabalho durante a revolução industrial por causa do aumento da necessidade de mão de obra. Mas foi durante as grandes guerras mundiais que essa inserção foi mais expressiva. Desde então, o papel social das mulheres vem mudando, passando de mães, donas de casa e totalmente submissas de seus maridos para protagonistas de suas próprias vidas.

No Brasil, as mulheres ganharam mais espaço no movimento sindical na década de 1980. Com a Constituição Federal de 1988, elas conquistaram a igualdade jurídica, sendo consideradas tão capazes quanto os homens. Em paralelo, a ciência foi comprovando que o funcionamento do cérebro masculino não é superior ao do feminino. 

Com toda essa mudança, muitas mulheres começaram a abrir seu próprio negócio, muitas vezes, como a única opção para a sobrevivência, ou para complementação e também como fonte principal de renda. Com o passar dos anos, elas se tornaram as principais empreendedoras de alguns setores da economia do país. Vamos ver, a seguir, dados que revelam algumas particularidades dos empreendimentos encabeçados por mulheres.

O empreendedorismo feminino na economia brasileira

No empreendedorismo, por definição, é necessário assumir riscos. O que definirá seu sucesso será a capacidade de conviver e sobreviver a esses riscos. No Brasil, os riscos para as mulheres são maiores do que para os homens.

Mesmo com toda a evolução na sociedade, as mulheres ainda enfrentam muitas barreiras no hora de empreender. O consórcio internacional GEM (Global Entrepreneurship Monitor) revelou o cenário do empreendedorismo no Brasil em 2016, e os dados sobre as mulheres mostravam uma tendência de avanço, mas ainda há muito o que melhorar.

Participação das empreendedoras no mercado

De acordo com a pesquisa, as mulheres são responsáveis por 51,5% dos novos negócios criados no Brasil em 2016. Já nos percentuais de empresas estabelecidas, ou seja, com mais de 42 meses de existência, os homens têm um histórico de supremacia, representando 57,3% do total. Essa supremacia é explicada no estudo por dificuldades enfrentadas pelas mulheres para conseguirem financiamentos, pelo preconceito no ambiente de negócios e pelas dificuldades em conciliar as demandas organizacionais e familiares.

Principais atividades das empreendedoras no Brasil

O estudo também revelou que a principal atividade empreendida pelas mulheres está ligada aos serviços domésticos (17% do total de mulheres empreendedoras) — setor que sequer figura entre os 10 mais empreendidos pelos homens. Em segundo lugar está o ramo de beleza e estética com 14,3%. Apenas 3,3% dos homens empreendem nessa área. Já no setor varejista de vestuário, o terceiro lugar da lista, os números são de 12% das mulheres contra 3,1% dos homens. Isso demonstra uma grande importância do empreendedorismo feminino nesses setores e na economia do país.

O setores preferidos pelas mulheres para empreender representam uma fatia relevante da economia do país. Por isso, é tão importante que o empreendedorismo feminino seja encorajado e amparado, tanto pela sociedade quanto pelos órgãos financeiros e governamentais.

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Mulher ganha apenas 84% do salário do homem, diz MTE

Mulher ganha apenas 84% do salário do homem, diz MTE

Trabalhadoras brasileiras receberam, em média, o equivalente a 84% do salário dos homens, em 2016. O levantamento, feito com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), é do Ministério do Trabalho (MTE). O salário médio dos homens, no ano passado, foi de R$ 2.886,24, enquanto as mulheres foram remuneradas com R$ 2.427.14. Se forem contabilizadas as remunerações de todo o ano passado mais o 13º salário, as mulheres deixaram de embolsar, em média, R$ 6.000, em comparação aos homens.

A menor diferença nacional está no Distrito Federal. Lá, as mulheres ganharam, em média, o correspondente a 98,6% do salário médio dos trabalhadores homens.

Se contarmos todos os salários do ano, inclusive o 13º, as mulheres ganharam em média R$ 6.000 menos do que os homens.
Se contarmos todos os salários do ano, inclusive o 13º, as mulheres ganharam em média R$ 6.000 menos do que os homens.

Justificativa segundo a FGV

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), além do sexismo, outras razões explicam o fato de essas discrepâncias ainda prevalecerem. As mulheres muitas vezes optam por cargos com mais flexibilidade, por exemplo, o que pode interferir no salário. Além disso, ainda de acordo com a FGV, é possível que haja empresas que, apesar de pagar menos, ofereçam outros tipos de benefícios, fora os mensurados no contracheque.

Da Agência Brasil

A igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres é um dos Objetivos do desenvolvimento Sustentável para o mundo, a ser alcançado até 2030. No entanto, ainda está longe de ser realidade. A pesquisa Eurobarômetro 2017, feita pela Comissão Europeia e divulgada na última semana, mostrou que ainda há trabalho a fazer em prol da igualdade entre homens e mulheres na Europa.

Realidade Global

Uma realidade global é que as mulheres assumem o controle de tarefas importantes não remuneradas, como trabalho doméstico e cuidar de crianças ou parentes em maior escala do que os homens. Os homens que trabalham gastam, em média, nove horas semanais em cuidados não remunerados e atividades domésticas. Já as mulheres que trabalham gastam 22 horas, o que significa três horas todos os dias.

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Como empreender sem sair do emprego em 7 dicas

Empreender e ainda continuar no trabalho formal não é um impeditivo, minha amiga. A bem da verdade, se você usar sua sagacidade, vai conseguir tirar proveito dessa situação e ganhar com isso.

Empreender sem sair do emprego: siga essas dicas e aproveite o melhor de dois mundos.

Empreender sem sair do emprego é mais ou menos assim: um exercício eterno de equilíbrio de agendas.
Empreender sem sair do emprego é mais ou menos assim: um exercício eterno de equilíbrio de agendas.

A decisão de empreender não escolhe data. Por isso, muitas vezes pode acontecer de conseguirmos a coragem para tal justamente quando estamos ali dentro do formato clássico: trabalhando formalmente. Empreender requer sacrifícios, é um caminho bastante longo, vai exigir de você decisões difíceis, e ao mesmo tempo você precisará continuar dando conta das suas tarefas dentro do ambiente corporativo. Optando por continuar na estabilidade do seu trabalho no corporativo – com os benefícios que ele traz – enquanto lida com o desenvolvimento do seu negócio é tentador: você só precisará estar atenta para não prejudicar nenhum dos dois universos.
Algumas dicas de quem já esteve aí poderão te ajudar a definir a estratégia da transição:

1 – Não misture as coisas

Essa vai ser uma das partes mais difíceis. Você precisará estar focada no seu trabalho diário e deixar pra investir tempo no seu empreendimento enquanto estiver em casa – se você misturar os e-mails, telefonemas e negociações correrá o risco de pecar em ambas as tarefas. Uma vez em casa cuidando do seu empreendimento, os negócios da empresa não podem tomar seu tempo;

2 – Planeje: faça um plano de negócios para o desenvolvimento do seu produto e considere suas horas de trabalho no corporativo

Dessa forma você não ficará tentada a misturar as coisas. Eduque-se para fazer o que tem que ser feito durante todo o seu tempo livre, mapeie as habilidades que serão necessárias para o seu projeto e dedique-se a desenvolvê-las (sabemos que não é fácil, mas é seu projeto de vida, certo?);

3 – Utilize a tecnologia

Ela será sua aliada desde o inicio; processos que puderem ser automatizados te darão um respiro enquanto mantém sua “vida dupla,” plataformas e aplicativos podem fazer seu papel durante o período em que você se dedica a empresa. Aplicativos como Trello e a técnica Pomodoro são uma mão na roda.

4 – Fique atenta ao seu orçamento

Uma vez estabelecido o limite de permanência dentro do corporativo, você precisará se programar para não ter um salário mensal, portanto esteja ciente de que seu poder financeiro vai mudar consideravelmente: os passos iniciais do seu negócio serão vagarosos e você deve saber que seu padrão de vida poderá mudar por um período – se você se programar para isso com certeza terá uma transição mais tranquila;

5 – Não esqueça onde está

Dentro do ambiente corporativo você está por dentro de tudo o que esta acontecendo no mercado. Use isso a seu favor e, ao pensar em sair da empresa, não esqueça que foi ali que começou sua jornada; leve toda essa experiência pra sua realidade empreendedora – contatos sempre serão contatos, conhecimento aprendido é investimento;

6 – Envolva-se na nova realidade

Respeite o tempo de maturação do seu próprio negócio e faça contatos e parcerias. Participe de ambientes que proporcionem trocas de experiência e networking com pessoas da área em que você pretende empreender;

7 – Uma vez em voo solo, dedique-se de corpo e alma

Agora dedicada 100% ao seu empreendimento, estabeleça parcerias, faça visitas e troque o home office por espaços de trabalho compartilhado. Eles tem baixo custo e a estrutura inicial pra receber seus clientes; também são uma bela fonte de troca e inspiração.

Está passando por essa transição? Gostaria de receber mais dicas sobre o ambiente empreendedor e se atualizar em questões profissionais? Assine nossa newsletter – a assinante conta com conteúdos exclusivos!

Série: Mecanismos de Acesso à Justiça – Parte II

II – Sistema Multiportas

Continuando a série de artigos sobre mecanismos de acesso à justiça, preciso apresentar para vocês um mecanismo que vem sendo fortemente incorporado pelo Direito brasileiro nos últimos anos, com o objetivo de facilitar e tornar mais efetivo o acesso à justiça. Trata-se do sistema multiportas de resolução de disputas.

O sistema multiportas propõe a utilização de meios extrajudiciais para a solução de conflitos, especialmente métodos como a arbitragem, a conciliação, a mediação, a negociação e outros mecanismos que misturam essas técnicas[1].

Essas formas alternativas de resolução de conflitos sempre existiram, porém passaram a ser sistematizadas, regulamentadas e legitimadas como formas tão ou mais adequadas de resolução de disputas quanto a sentença judicial apenas nas últimas décadas.

Esse reconhecimento foi necessário pois, com o desenvolvimento das relações sociais e jurídicas, observou-se que a solução judicial seria insuficiente para atender todas as demandas, seja por uma insuficiência de recursos materiais do Estado, seja pela frequente ineficácia do provimento jurisdicional na resolução de conflitos complexos.

Assim, com a incorporação do sistema multiportas de acesso à justiça, passa-se a admitir como plenamente válidas e legítimas formas alternativas de resolução de conflitos, ao lado da solução judicial, incorporando-as, inclusive, à estrutura estatal de solução de disputas.

Portanto, as pessoas podem utilizar esses meios de solução de conflitos de forma privada, contratando negociadores privados, empresas de mediação e conciliação ou tribunais e câmaras arbitrais. Há muitos, basta pesquisar bem e conferir a credibilidade desse prestador de serviço[2].

O custo desses serviços pode parecer alto. Mas antes de descartar essa via pelo seu custo, é importante que você considere que para resolver seu conflito judicialmente será necessário contar com advogados durante todo o processo, a resolução definitiva da questão pode demorar anos, há custas judiciais e outras despesas com o processo que serão suportadas pela parte.

Ademais, há situações em que a utilização da mediação como forma de atendimento individualizado, com objetivo de restaurar as relações e o diálogo será muito mais eficaz a médio e longo prazo do que a solução judicialmente imposta, como é o caso de conflitos familiares (separações, divisões de bens, guarda de filhos). Portanto, o custo imediato não deve ser o único fator a ser considerado, valendo lembrar que sempre é possível negociar valores, forma de pagamento, etc.

Além dos serviços privados, atualmente o Poder Público oferece o sistema multiportas através dos centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania – CEJUSC, que estão sendo instalados pelos órgãos do poder judiciário em suas unidades e também em parcerias com outros órgãos públicos[3].

Os CEJUSC se destinam a oferecer orientação à população sobre direitos e acesso à justiça, bem como disponibilizar a mediação e a conciliação gratuitamente, como meios de resolução de conflitos.

Qualquer pessoa pode se dirigir diretamente ao CEJUSC para realizar uma reclamação, verbal ou por escrito, descrevendo brevemente o conflito e solicitando o agendamento de uma sessão de mediação ou conciliação, para tentativa de acordo.

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A partir da reclamação, o CEJUSC orienta sobre o método mais adequado para resolução do conflito[4], agenda-se a sessão e emite a carta convite para convidar a outra parte. Neste caso, a outra parte não é obrigada a comparecer, a disposição para conciliação e mediação é voluntária.

Portanto, se uma das partes não comparece na sessão, a reclamação é arquivada. Se ambas as partes comparecem, realiza-se a sessão e se as partes firmarem acordo, este é encaminhado para homologação judicial, sendo que com essa homologação o acordo terá eficácia de título executivo, ou seja, poderá ser executado perante o Judiciário diretamente, em caso de descumprimento.

Vale mencionar ainda que atualmente é oferecido pelo conselho nacional de justiça um sistema digital de conciliação, que pode ser acessado aqui .

Há também outras plataformas eletrônicas privadas que oferecem serviços de mediação e conciliação de conflitos a preços acessíveis.

É importante esclarecer que para participar de um procedimento de conciliação ou de mediação, não há obrigatoriedade de representação por advogado. Porém é altamente recomendável que antes de conciliar ou mediar, a parte faça ao menos uma consulta a um advogado de sua confiança, para entender com clareza quais os direitos, possibilidades e riscos envolvidos no conflito e nas possíveis formas de resolução.

Minha recomendação é: quando estiver no meio de um conflito, converse com um advogado sobre as múltiplas possibilidades de resolução do seu caso em específico e avalie o que melhor irá atender a sua condição financeira e a seus objetivos.

Em resumo, a instauração de um processo para definição de direitos e deveres ao caso concreto não é a única forma de resolução de conflitos e, muitas vezes, não é a forma mais adequada para resolver o seu problema, seja porque tem um custo alto, ou porque demora muito, ou porque não resolve efetivamente o problema entre as partes, mantendo a situação de conflito e insatisfação de todos os envolvidos.

Por isso, a familiarização com o sistema multiportas de solução de conflitos é um importante passo para a compreensão das múltiplas possibilidades de se lidar com uma disputa de qualquer tipo, ampliando as possibilidades de acesso à justiça para todos.


Notas:

[1] Saiba mais sobre cada método: http://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/conciliacao-e-mediacao-portal-da-conciliacao

http://www.amcham.com.br/centro-de-arbitragem-e-mediacao/arbitragem/sobre-arbitragem

[2] Em São Paulo, uma boa referência são os conciliadores e câmaras reconhecidos pelo Tribunal de Justiça, que podem ser consultados aqui: http://www.tjsp.jus.br/Conciliacao/Nucleo/CamarasPrivadas

[3] Em São Paulo, mais informações e endereços dos CEJUSCs podem ser consultadas aqui: http://www.tjsp.jus.br/Conciliacao. Em outros estados, consulte o Tribunal de Justiça local.

[4] O CEJUSC deveria indicar a mediação ou a conciliação conforme a necessidade do caso, mas atualmente muitos CEJUSC ainda não possuem um núcleo de mediação que ofereça esse serviço de forma adequada, sendo muitas vezes oferecida apenas a conciliação. Porém, a expectativa é que esse cenário seja solucionado, passando a ser oferecida a mediação em toda sua complexidade pelo Poder Judiciário, para os conflitos que demandam essa intervenção qualificada.


Tatiana Dias

Graduada em Direito (PUC-SP) e pós-graduada em Direito e processo do trabalho (PUC-SP) e formação em Mediação (ESA SP), Negociação sindical (FGV SP) e Coaching Ontológico (Instituto Appana SP). Com experiência de 10 anos nas diversas áreas do Direito, atualmente atua especialmente com Direito trabalhista, cível e contratual. Estuda relações de trabalho, contratos, soluções alternativas de conflitos, filosofia, gênero, empreendedorismo e desenvolvimento humano. 

O Teto de Vidro: Como as mulheres são impedidas de chegar no topo

– Tradução livre da Rede Feminaria do original publicado no site da Feminist Majority Foundation

Manchetes recentes têm contado a história que a mídia hegemônica quer que acreditemos em relação às mulheres nos altos cargos de chefia: “As Mulheres Marcam Presença e Ganham Respeito nas Diretorias”, “Nova Tendência de Carreira:  Ela Vai e Ele Vai Atrás”, “As Empreendedoras Progrediram Bastante”, “As Mulheres Estão Liberando a Fortaleza do Poder Masculino”, e “Você Progrediu Muito, Querida.”

Por mais descoladas que sejam as manchetes, estas descrições de sucesso da mulher no mundo corporativo são enganosas. Cada vez mais as mulheres estão esbarrando contra um ‘teto de vidro’. Ann Morrison descreve o problema: o teto de vidro é uma barreira “tão sutil que é transparente, mas ainda assim tão forte, que evita que as mulheres avancem na hierarquia corporativa.” Do ponto onde se encontram na escala de hierarquia, as mulheres conseguem ver as posições corporativas de alto nível, mas são impedidas de “chegar no topo” (Quebrar O Teto de Vidro).

De acordo com Morrison e suas colegas, o teto de vidro “não é simplesmente uma barreira individual com base na incapacidade de uma pessoa para lidar com um cargo de nível mais alto. Ao invés disso, o teto de vidro aplica-se coletivamente às mulheres, que são impedidas de avançar na hierarquia porque são mulheres.”

Qual a causa do “teto de vidro?” Confira a opinião das executivas.

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A segregação profissional corre solta

Da mesma maneira que o mercado geral de trabalho permanece segregado por sexo, as executivas estão concentradas em certos tipos de trabalho – a maioria como assistentes ou em empregos de apoio – que oferecem poucas oportunidades para se chegar ao topo. Uma pesquisa do Wall Street Journal de 1986 constatou que “As mulheres com os cargos mais altos, na maioria dos setores, encontram-se em áreas não-operacionais, como recursos humanos, relações públicas, ou ocasionalmente, em especialidades de finanças que raramente levam aos postos mais elevados da alta gestão”. As mulheres são deixadas de fora dos empregos da “via tradicional de negócios”, o caminho percorrido pelos CEOs e presidentes. Mas mesmo quando uma mulher consegue um desses empregos, não é muito provável que seja “em algum setor crucial do negócio” ou algum tipo de trabalho que possa “alçá-las como líderes.”

O Clube do Bolinha ainda é forte

De acordo com um recrutador de executivos, a maior barreira para as mulheres em altos níveis de gerência é “o grupinho dos caras que se sentam juntos à mesa” e tomam todas as decisões. Em resumo, ao decidir quem promover para um cargo de gestão, os líderes corporativos do gênero masculino tendem a selecionar pessoas mais parecidas com eles o possível – então, não é surpresa que as mulheres frequentemente nem sejam cogitadas na hora da promoção. Ao invés disso, os homens no topo procuram ex-colegas e velhos amigos de escola; em ambas as áreas, as mulheres têm ficado praticamente ausentes.

As executivas mulheres são frequentemente excluídas de atividades sociais e geralmente citam a “camaradagem” entre os homens que existe nos altos cargos. Os altos cargos de chefia são “a versão mais avançada do Clube do Bolinha.”

Mesmo em um nível mais formal, as mulheres relatam que há “certos tipos de reuniões” para as quais não são convidadas porque não são vistas como desenvolvedoras de políticas. As mulheres do mundo corporativo não viajam a trabalho com a mesma frequência que os homens, de acordo com pesquisas da Korn/Ferry Intemational (1982) e do Wall Street Joumal/Gallup (1984). Estudos confirmam essas diferenças de status e o tratamento diferente das mulheres. Um estudo constatou que entre executivos do mesmo nível, os homens “eram responsáveis por números maiores de empregados, tinham mais liberdade para contratar e demitir, e tinham controle mais direto dos bens da empresa” do que as mulheres (Harlan e Weiss).

A discriminação de gênero é difundida

Na pesquisa do Wall Street Journal/Gallup, perguntou-se às gestoras mulheres o que elas consideravam ser o obstáculo mais sério em suas carreiras. Apenas 3% citaram “responsabilidades familiares”, mas metade delas mencionou razões relacionadas a seu gênero, que incluíam: “crença na superioridade masculina, atitudes dirigidas a chefes mulheres, avanço lento para as mulheres, e o simples fato de ser uma mulher“. Na pesquisa da Korn/Ferry International, solicitou-se que as executivas mulheres citassem o maior obstáculo que tiveram que ultrapassar para alcançar o sucesso. A resposta mais frequente foi simplesmente “ser mulher” (40%). Em uma pesquisa recente do Los Angeles Times com 12,000 trabalhadores, dois terços relataram discriminação sexual; 60% mencionaram sinais de racismo.

No estudo do Wall Street Journal/Gallup, mais de 80% das mulheres executivas disseram acreditar que há desvantagens em ser mulher no mundo corporativo. Os homens, elas dizem, “não as levam a sério”. Na mesma pesquisa, 61% das executivas relataram ter sido confundidas com secretárias em reuniões de negócios; 25% disseram ter sido impedidas de ascender na carreira por atitudes masculinas contrárias a mulheres. Uma maioria significativa – 70% – acredita que recebe salários menores que homens com a mesma capacidade.

O assédio sexual é generalizado

O assédio sexual continua sendo um problema sério para mulheres em cargos de gestão. Em uma pesquisa da revista Working Woman de 1988 com executivos de empresas na lista das 500 maiores do mundo da revista Fortune, 90% das grandes empresas relataram reclamações de assédio sexual feitas por empregadas mulheres. A pesquisa constatou que “mais do que um terço das empresas tinham sido processadas por suas vítimas, e um quarto delas tinham sido processadas repetidas vezes“.

No entanto, de acordo com o mesmo estudo, apenas 20% dos agressores perderam o emprego; 4 em cada 5 apenas recebem uma bronca.

O assédio sexual “coloca a mulher em seu lugar”, então um ambiente corporativo que tolera o assédio sexual intimida e desmoraliza as executivas mulheres. Muitas mulheres hesitam em denunciar, por medo de que isso prejudique sua carreira.

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Há pouco cumprimento de leis antidiscriminação

Os mandatos dos presidentes Reagan e Bush devastaram o compromisso do governo federal com ações afirmativas. Como resultado disso, a igualdade foi tirada da agenda corporativa. Uma pesquisa de 1983 com 800 líderes empresariais, conduzida pela Sirota & Alpen Associates, constatou que em uma lista de 25 prioridades de recursos humanos, as ações afirmativas de proteção a mulheres e minorias ficou em 23° lugar.

A Suprema Corte Americana, com sua crescente maioria conservadora, emitiu uma série de sete sentenças sobre leis de igualdade de oportunidades de emprego que fazem com que seja mais difícil para mulheres e minorias protocolarem ações de discriminação salarial. Coletivamente, estas sentenças representam uma mudança significativa nas leis trabalhistas criadas durantes os últimos 25 anos. De acordo com o Civil Rights Monitor, as últimas sentenças da corte “fazem com que seja mais difícil para mulheres e minorias comprovarem atos de discriminação, torna mais fácil para os opositores de direitos civis contestarem instrumentos retificadores de violações, restringem a cobertura dos estatutos de direitos civis, e limitam a responsabilidade das empresas por honorários de sucumbência” (Civil Rights Monitor).

Por fim, os homens em cargos de governança corporativa tendem a não perceber a discriminação como um problema real, fazendo com que seja praticamente impossível implementar soluções legais efetivas. De acordo com um estudo detalhado de John P. Fernandez, homens brancos continuamente classificavam problemas encontrados por mulheres em cargos executivos como insignificantes em comparação à classificação feita pelas mulheres. Portanto, sem pressão externa constante e soluções legais sólidas, os problemas muito reais de discriminação de raça e gênero no alto escalão executivo talvez nunca sejam combatidos.


Imagens: Getty Images

Série: Mecanismos de acesso à Justiça – Parte I

I – Como encontrar um advogado

Muito cedo em minha carreira na área do Direito percebi que existe um espaço excessivamente grande entre a necessidade de orientação jurídica e acesso à justiça pela população, e os mecanismos disponíveis para a promoção desse acesso.

Acredito que dentre os muitos motivos pelos quais isso ocorre, existem alguns mitos que podem facilmente ser derrubados com um instrumento muito simples, mas frequentemente sonegado: Informação.

Esse é o objetivo dessa série de artigos que vou trazer para vocês, uma minúscula contribuição para aproximar as pessoas dos instrumentos de acesso à justiça e da compreensão sobre direitos e deveres.

Pessoalmente, entendo que o principal e mais potente elo entre as pessoas leigas e o Direito é a(o) advogada(o). Entendo que essa é a função primordial da advocacia: ser  tradutora da linguagem do Direito para a população leiga, e a vocação do sujeito que se pretende advogada(o) deve se compatibilizar com esse dever.

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Por isso, esse primeiro artigo será sobre como encontrar um advogado que possa suprir sua necessidade e que caiba no seu orçamento.

O que percebo é que as pessoas simplesmente não procuram os advogados quando têm dúvidas, quando precisam de orientação sobre as normas jurídicas, quando precisam de um instrumento jurídico como um contrato e até quando precisam se defender judicialmente.

Isso ocorre por muitos motivos, mas penso que entre os principais está o receio sobre valores cobrados por estes profissionais. Ou seja, as pessoas acham que advogado é muito caro e inacessível, o que não é exatamente verdadeiro. Realmente, não há uma regra para a cobrança de honorários e há escritórios e advogados que estipulam valores de serviço acima da capacidade financeira da maioria das pessoas.

Contudo, há de se ter em vista que esses escritórios têm como perfil de cliente empresas ou pessoas com alta capacidade financeira, que possuem demandas de alta complexidade e são compostos por advogados bastante especializados, eventualmente equipes de advogados com diversas especialidades, o que encarece o serviço.

Se você possui uma questão ou disputa de alta complexidade, que envolva um montante financeiro alto, provavelmente precisará desse tipo de assessoramento, mas também muito possivelmente poderá arcar com os honorários mais caros.

Por outro lado, há escritórios e advogados que têm como nicho de mercado o atendimento a questões e disputas mais simples e corriqueiras, que demandam menos especialização e menos tempo de trabalho e, portanto, fixarão honorários mais acessíveis, seja quanto ao valor, forma e prazo de pagamento, participação no risco da demanda, entre outros.

Simplificando, muito provavelmente você vai conseguir encontrar um(a) advogado(a) que trabalhe dentro das suas possibilidades. Basta realmente procurar, pesquisar, negociar, orçar com mais de um profissional – enfim, é como contratar qualquer outro profissional. Mesmo.

Um bom parâmetro para ter uma ideia de valores e saber de antemão até onde é possível negociar na contratação de um(a) advogada(o) é a tabela de honorários da OAB do seu Estado[1], que estabelece os valores mínimos para grande parte dos serviços advocatícios.

Entendo, porém, que mesmo antes da negociação surgem outros obstáculos, como:

1. Não saber como encontrar advogados.

Minhas amigas, somos mais de 1.091.127 de advogados regularmente habilitados para o exercício da advocacia nesse país[2].  Ou seja, somos muitos e muito provavelmente em seu círculo social tem algum advogado ou alguém que conhece um profissional de advocacia.

Por isso, pergunte aos familiares, amigos e conhecidos, peça indicação nos grupos de WhatsApp e Facebook. Não precisa expor seu problema não, só pede o contato do profissional.

Não funcionou? Sem problemas. Procure uma associação de bairro, um sindicato de classe, a subseção da OAB do seu bairro ou cidade, associação esportiva. Enfim, qualquer órgão de congregação ou representação da sociedade, pois provavelmente terão ao menos uma indicação de advogado.

Não conseguiu? Ainda temos a internet! Tem o Google, mas também tem o Linkedin e sites que contém cadastro de milhares de advogados[3].

Bom, tenho certeza que fazendo isso você já consegue um monte de contatos de advogadas(os).

Ufa, obstáculo 1 resolvido!

 2. Entrar em contato com os advogados

Algumas pessoas revelam que têm medo ou receio de entrar em contato com advogada(o).

Porém, não há porque recear, pois o advogado está obrigado a tratar a todos, no exercício da profissão, com urbanidade, respeito e consideração[4], de forma que suas solicitações deverão ser tomadas com cortesia e compreensão.

Portanto, entre em contato telefônico, via internet ou pessoalmente (quando se tratar de um escritório aberto), pergunte se o advogado atende a área que você precisa, expondo brevemente sua situação. Caso não trabalhe na área em questão, solicite uma indicação de um colega dessa especialidade.

Localizando as advogadas que trabalham na área que você precisa, faça contato, questione se há cobrança para um primeiro atendimento para fins de orçamento e solicite, conforme for adequado, o atendimento ou contato específico para os acordos sobre o caso.

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Exponha suas demandas (ou problemas) e peça o orçamento de honorários e formas de pagamento.

Solicite ou consulte a qualificação profissional do advogado, sua formação, experiência prévia e referências.

Avalie o atendimento prestado e dê continuidade na relação apenas se considerar que foi bem atendido e que o profissional lhe inspira confiança. A confiança mútua é imprescindível para a relação entre cliente e advogado.

Pronto, um obstáculo a menos.

3. Negociar

Tenha em vista os valores mínimos como já dissemos, mas exponha suas limitações financeiras, questione os valores de orçamento, formas de pagamento, possibilidade de diferimento dos honorários para o final do processo ou serviço.

Procure entender o custo-benefício de estar bem assessorado quanto às questões jurídicas envolvendo o seu problema, como a probabilidade de prejuízos de todo tipo sem uma orientação especializada.

Por fim, antes de definir a contratação do advogado, questione os outros custos envolvidos no processo ou no serviço a ser realizado, como emolumentos de cartório, custas judiciais, honorários de perito, entre outros, para não ter surpresas no futuro.

Se mesmo assim você perceber que não tem condições de contratar um advogado, irei tratar nos próximos artigos como acessar a justiça sem custo ou a custos mínimos, por mecanismos como a defensoria pública, os centros de solução de conflitos e cidadania, entidades do terceiro setor, etc.


Referências:

[1](para consultar, pesquise no Google, na tabela honorários OAB  + sigla do seu Estado ex. OAB SP).

[2]http://www.oab.org.br/institucionalconselhofederal/quadroadvogados.

[3] Apenas alguns exemplos :https://www.jusbrasil.com.br/advogados/ , http://correspondentes.migalhas.com.br/

[4] Artigo 27 do Código de Ética e Disciplina da OABSP.


Tatiana Dias

Graduada em Direito (PUC-SP) e pós-graduada em Direito e processo do trabalho (PUC-SP) e formação em Mediação (ESA SP), Negociação sindical (FGV SP) e Coaching Ontológico (Instituto Appana SP). Com experiência de 10 anos nas diversas áreas do Direito, atualmente atua especialmente com Direito trabalhista, cível e contratual. Estuda relações de trabalho, contratos, soluções alternativas de conflitos, filosofia, gênero, empreendedorismo e desenvolvimento humano. 


Imagens: Pinterest

Negociação e pedidos de desconto em cinco perguntas

Negociação e pedidos de desconto em cinco perguntas

Parafraseando um diálogo do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, podemos dizer com segurança: são tempos difíceis para os negociadores – 10 entre 10 pessoas que vendem produtos ou serviços se assombram ao ouvir isso:

“Está caro, não dá pra dar um desconto?”

O pulo do gato para responder essa pergunta está em suas entrelinhas, que dizem muito sobre o cliente que está perguntando e sobre a relação que você quer manter com seu público e com seu negócio.

Vivemos num sistema capitalista que nos faz prestar muita atenção ao preço das coisas, (independentemente de concordarmos ou não com isso) e acabamos desconsiderando o valor real dos produtos ou serviços. Precisamos sempre ter isso em mente ao responder pedidos de abatimento.  Responda as perguntas abaixo e aprenda a lidar com o “achei caro”.

"Tem desconto no débito?"
“Tem desconto no débito?”

1 –  Quem é o cliente?

É importante distinguir um cliente que busca por preço e o cliente que busca qualidade. A resposta pra essa pergunta vai definir se você deve ou não dar o desconto; para isso, defina uma margem de preço mínimo para que seu produto seja lucrativo e negocie até esse limite. Nunca, jamais, em hipótese alguma a ultrapasse. Se o cliente busca apenas preço, será difícil fazê-lo entender por que seu produto custa o que custa. Portanto esteja pronta pra abrir mão do leilão de preços – às vezes precisamos saber escolher nossas batalhas.

2 – Mostrou por que seu produto custa esse preço?

É necessário dizer com propriedade que seu preço traduz a qualidade do que você negocia, expondo os diferenciais que você oferece.

Se seu produto é mais caro que o concorrente, é preciso lembrar ao cliente de que ele vai receber pelo que está pagando.

3 – O cliente sabe o que está pedindo?

Isso é comum no setor de  serviços. Muitas vezes o cliente pode pedir X e querer Y, e por isso não considerou a diferença de preço. É o típico caso de um cliente que pede um logotipo mas precisa de um branding; você precisa passar tempo entendendo as necessidades do cliente para  traduzir  isso pro orçamento de maneira clara. Se ainda assim não conseguir demonstrar isso, busque novas opções mais em conta e ofereça soluções.

“E em dinheiro, tem desconto?”

4 – Você está oferecendo exatamente o solicitado?

Busque compreender se o que o cliente precisa é o que você está oferecendo. É importante considerar que pode ser que ele não precise de tudo o que você orçou. Nesse caso procure entender suas necessidades para oferecer o melhor custo-benefício, alinhando suas expectativas à realidade daquela negociação especificamente.

5 – Você sabe dizer não em sua negociação?

Se você respondeu as quatro perguntas acima e ainda assim o cliente não está satisfeito, ou se chegou no seu limite e não tem mais opções, diga não. A primeira pessoa a valorizar seu trabalho é você; o não, nesse caso, é respeito e autoconfiança, então saiba que não se arrependerá no futuro.

Nunca se esqueça de que você é a única responsável pelo seu negócio, e que você vai conduzi-lo da maneira como quer que o mundo se relacione com ele. Se você valoriza as relações duradouras, é claro que saberá quando e por que baixar o preço,  e que muitas vezes o descontinho se reverte em fidelização, da mesma forma que a negação do descontinho pode ser a saída pra não entrar na batalha por barganha.


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Formalize suas relações comerciais – 5 bons motivos para usar contratos

– por Tatiana Dias

Basta conversar com meia dúzia de amigas para saber que a contratualização das relações comerciais é algo completamente alheio à realidade da maior parte das pequenas empreendedoras brasileiras. Prestadoras de serviço autônomas e pequenas empresas têm o costume de trabalhar sem nenhum tipo de formalização, contando apenas com acordo “de boca” ou algumas mensagens trocadas.

No mundo ideal, ninguém precisaria de contrato, todos se comunicariam perfeitamente, não haveria descumprimento dos combinados, nem litígio. Mas vivemos no mundo real, em que a falta de um contrato claro e formalizado por escrito pode acarretar problemas bastante sérios e consequências devastadoras para uma pequena empreendedora.

Unrecognizable businesswoman holding document and shaking hand of business partner after signing of contract. They sitting at table. Negotiation concept

É verdade que a maioria das pessoas nem imagina por que deveria investir na formalização de contratos com seus clientes. Por isso, vou listar apenas alguns bons motivos para nunca trabalhar sem um contrato:

1. O contrato irá definir de forma clara e definitiva o que está sendo oferecido e o que o cliente pode esperar de você.

Pode parecer estranho, mas é imensa a quantidade de problemas que surgem pela falta de definição clara do que será entregue ao cliente, seja seu negócio um serviço ou produto.

Muitas vezes são feitas diversas tratativas com o cliente e não é definida claramente a proposta final. O que devemos ter em mente é que a comunicação é um dos maiores problemas da humanidade e talvez não seja muito prudente contar com uma comunicação sem falhas nos seus negócios.

No contrato, uma das principais cláusulas sempre deverá ser o Objeto e a Abrangência da contratação, que deverá ser redigida da forma mais clara possível, deixando demarcado para o cliente e para o fornecedor exatamente o que deverá ser entregue.

Você sempre poderá se remeter ao contrato quando o cliente quiser incluir “mais um negocinho” no job, que não foi negociado no preço do serviço ou produto.

2. O contrato irá esclarecer os limites da relação.

Cada pessoa ou empresa trabalha de um jeito, tem seus critérios de atendimento, forma de relação com o cliente, prazos de resposta e forma de trabalho.

Essas questões normalmente são ignoradas na negociação e se isso não ficar claro para o seu cliente, a chance de ter problemas é bem grande.

Um bom contrato tratará sobre os limites da relação, garantindo que não haja frustração para o cliente, nem sobrecarga para a empreendedora e aumentando as chances de uma boa relação comercial.

Acredite, se o cliente souber os limites quando está contratando, observar esses limites será muito menos frustrante e ele vai evitar bastante te ligar para reclamar da vida às 7h do domingo.

3. Ter um contrato reduz a chance de não receber o pagamento.

Não só de não receber, mas de receber no prazo e forma combinados.

No contrato, tudo fica ajustado bem certinho para que, depois, não haja discussão sobre os valores devidos, prazo, data e forma de pagamento. Dessa forma, você não terá problemas para cobrar exatamente o que foi contratado, inclusive judicialmente, se necessário.

Além disso, o contrato poderá instituir garantias para assegurar o cumprimento da obrigação (no caso, o pagamento), como multas, retenção do produto ou serviço, entre outras.

Ou seja, ter um contrato escrito não garante que você vai receber, mas reduz significativamente essa chance, além de criar mecanismos de ‘compensação’ em caso de não-pagamento ou atraso.

4. Ter um contrato sugere que seu trabalho é profissional.

Apresentar um contrato escrito ao cliente pode ser um receio de muitas empreendedoras, que imaginam ser um ônus a mais para a contratação. Porém, o que se deve ter em vista é que um bom contrato traz segurança para ambas as partes e um cliente sério não vai se opor a contratualizar o negócio, pelo contrário, irá se sentir mais seguro para contratar seu serviço ou produto.

A formalização do negócio irá sugerir que você ou sua empresa são negócios profissionais, que sabem o que estão fazendo e não estão para brincadeira. O benefício colateral disso ainda é cair fora de furada. Se o possível cliente não estiver com intenção de honrar o combinado, vai pular fora e você vai se livrar de uma roubada.

Young businesswoman giving pen to somebody

5. O contrato define claramente como se dá o encerramento do negócio.

Além de definir o encerramento regular do negócio, com a conclusão do serviço ou entrega do produto e correspondente contraprestação, um bom contrato também irá estabelecer as situações em que ambas as partes podem romper o negócio antecipadamente, com ou sem justa causa, o prazo de antecedência para a rescisão e multas pela rescisão antecipada.

Isso é especialmente importante em relações de médio e longo prazo, quando há diversos itens envolvidos ou a prestação de serviço se dá de forma contínua ao longo do tempo, afinal, é preciso definir o que justifica a ruptura do acordo sem cumprimento e quais os critérios para que isso aconteça de forma a reduzir o prejuízo de ambas as partes.

Esses são apenas alguns benefícios. Outras previsões podem ser de extrema importância em casos específicos, como aqueles que envolvam direitos autorais, direitos de imagem ou responsabilidade profissional regulamentada.

Cada empreendedora enfrenta dificuldades e suporta necessidades específicas. Por isso, a elaboração de um bom contrato é uma tarefa a dois, entre advogada e empreendedora, pois você é a melhor pessoa para dizer o que você oferece, quais os maiores riscos e o que é mais importante destacar para proteger no seu negócio.

A conclusão, empreendedoras, é que um bom contrato “guarda-chuva”, que possa ser adaptado a cada nova contratação, pode ser um dos melhores investimentos que você pode fazer pelo seu negócio.

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Precisa de mais informações sobre essa ou outras questões jurídicas? A Tatiana é Consultora da Feminaria e oferece atendimento às nossas Associadas. Para agendar o seu horário, entre em contato pelo telefone (11)2737.5998 e verifique a disponibilidade. Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br

Tatiana Dias

Graduada em Direito (PUC-SP) e pós-graduada em Direito e processo do trabalho (PUC-SP) e formação em Mediação (ESA SP), Negociação sindical (FGV SP) e Coaching Ontológico (Instituto Appana SP). Com experiência de 10 anos nas diversas áreas do Direito, atualmente atua especialmente com Direito trabalhista, cível e contratual. Estuda relações de trabalho, contratos, soluções alternativas de conflitos, filosofia, gênero, empreendedorismo e desenvolvimento humano. 

Pare de pagar taxas bancárias – reorganize-se!

Todo mês é a mesma coisa: não importa se entrou dinheiro ou não – o banco vai cobrar a tarifa.

Você sabia que não é obrigada a pagar a taxa bancária que todo mês é retirada da sua conta? Sabia que da pra fazer isso se organizando direitinho e tendo noção da sua dinâmica bancária?

Pois bem, se você mantém uma CONTA BÁSICA DE SERVIÇOS você é isenta de todas as taxas que o banco delicadamente retira mensalmente da sua conta.  A conta básica de serviços é limitada, você pode fazer apenas uma quantidade específica de transações por mês, porém, dependendo do seu perfil você não vai precisar de mais do que ela oferece. Então é bom ficar ligada, porque de repente essa pode ser uma opção pra você fazer uma economia nesses tempos de crise.

A resolução 3.518/2007 do Banco Central, alterada em 2010 pela resolução .3919/2010, garante que os bancos não só podem como têm a obrigação de oferecer a possibilidade de troca das nossas contas caras por contas gratuitas, a já citada conta de serviço essenciais é uma delas (a outra é a conta digital) – pode anotar essas resoluções e usar essa informação ao pedir pra migrar sua conta!

Link: https://www.bcb.gov.br/Fis/Tarifas/tarifas3594.asp

Conforme seu nome a conta de serviços essenciais não disponibiliza nenhum luxo, ela oferece de fato os serviços reconhecidos como indispensáveis a custo zero.

Os serviços com periodicidade mensal são:

  • Cartão na função débito;
  • Quatro saques em caixas eletrônicos;
  • Duas transferências de recursos entre contas na própria instituição;
  • Possibilidade de dois extratos;
  • Consultas livres pela internet;
  • Impressão de até 10 folhas de cheque.

Caso seja necessário usar mais do que o oferecido, os bancos têm o direito de cobrar de forma separada pelo que excede o pacote.

Outra possibilidade é a CONTA DIGITAL, essa é a maravilha pra quem faz absolutamente tudo por computador e detesta um banco. Essa é a modalidade que isenta de tarifas os clientes dispostos a fazer apenas transações pelos meios eletrônicos, como caixas eletrônicos, internet e dispositivos móveis. Ao escolher essa modalidade você poderá:

  • Efetuar saques em caixas eletrônicos;
  • fazer DOC e TED;
  • obter extratos;
  • pagar contas;
  • fazer transferências.

Dos grandes bancos, oferecem essa possibilidade Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco. É preciso comparecer pessoalmente às agências para abrir a conta eletrônica. Caixa Econômica Federal e Santander não dispõem do pacote de conta eletrônica.

Para esses pacotes isentos de tarifas pacote isento de tarifas (conta digital ou pacote de serviços essenciais) você vai precisar optar por uma ou outra, não é possível ter ambas na mesma instituição.

Prepare-se ao conversar com os gerentes e enfrentar a resistências deles e dos demais funcionários do banco, pois alguns sequer sabem dessas possibilidades!


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