- por Mariana Zambon Braga e Ana Carolina Moreira Bavon

Nossa proposta na Feminaria é clara: “Impactar de maneira positiva a economia de maneira geral. Movimentar o mercado através de ações de colaborativismo, por meio do fomento e desenvolvimento de profissionais mulheres. Trabalhar não só pela igualdade de oportunidades entre os gêneros – mas criar uma cultura da empatia e ressignificação das relações comerciais.”

A protagonista da nossa história é a mulher economicamente ativa. Aqui na Rede todas somos mulheres, tudo aqui foi idealizado por cabeças femininas, com base nas nossas necessidades pessoais e projetado para a realidade de todas nós. Portanto, a Feminaria é Feminina em todos os seus lugares.

Além de ser um espaço democrático e de muita troca, acreditamos que o envolvimento dos rapazes no nosso movimento é mais do que necessário, é imprescindível. Acreditamos que toda mudança estrutural precisa do engajamento de todos, se falamos de impactar a economia de maneira positiva precisamos envolver todos os agentes: homens e mulheres.

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A importância de trazer para perto de nós a perspectiva masculina nos levou a criar a coluna: “Em Perspectiva – a participação e o ponto de vista deles”. O objetivo é trazer um novo ponto de vista sobre o nosso tema, e para isso precisamos dos olhos, ouvidos e palavras dos rapazes. Os homens podem e devem ser aliados na nossa luta por igualdade, equidade e ressignificação da ordem estabelecida. Além disso, acreditamos que é importante divulgar vozes masculinas que não reproduzem machismo e que buscam desconstruí-lo. Os rapazes também sofrem com o machismo institucionalizado e precisam sim de referências para aprender, trocar e se libertarem das consequências nefastas de uma sociedade que cria o homem pra ser “macho”. Conversa, troca, envolvimento, diálogo e muita informação transformam a nossa realidade, isso promove empatia e mudanças reais. E é disso que tratamos aqui na Feminaria.

E eis que surge outra questão importante: por que trazer homens para um espaço feminino?

Porque nossa proposta é uma mudança de paradigma e pra isso precisamos envolver todos os agentes da sociedade.

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Trazer os rapazes para perto de nós não significa coloca-los como nossos porta-vozes e nem que a palavra deles tem mais peso que a nossa. Também não significa que eles merecem um “biscoito” por suas atitudes. Significa apenas que dividimos um espaço neste mundo e que, sem a mudança do comportamento dos homens, o machismo não irá desaparecer só porque a gente deseja. Para uma sociedade mais equilibrada, precisamos de mulheres e de homens que tenham isso como objetivo comum.

Trazer os homens para perto, homens nos quais confiamos e que sabemos que serão propagadores de comportamentos positivos e transformadores, é somar forças.

Ter homens como aliados é ter o seu marido, seu namorado, seu amigo, seu filho, como um ponto de apoio para as suas lutas. Apoio, e não liderança. Eu, como mulher heterossexual e casada, preciso sempre manter um diálogo saudável com o homem com quem escolhi dividir a vida. Isso inclui apontar os privilégios dos quais ele desfruta e trabalhar, juntos, para que possamos desmantelar as estruturas tradicionais das relações e construir a nossa própria.

Nós, mulheres, somos as protagonistas do feminismo e das nossas pautas – somos nós que decidimos o que é importante e por que este ou aquele ponto específico precisa sofrer transformações. Somos nós que denunciamos as opressões, pois somos quem sofre com isso. Somos nós que apontamos o caminho a ser trilhado em nossas reivindicações por direitos e quando clamamos pelo fim da opressão. Isso é indiscutível. E a nossa luta sempre será nossa.

O protagonismo é nosso, a luta pode e deve ser coletiva!

Farão parte da coluna como colaboradores:

Fabio Fischer – psicólogo

David Alexandre – tradutor

Dom Lino – produtor musical


Imagens: Shutterstock


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

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