Desistir também é uma opção

– por Mariana Zambon Braga

Este não é um texto motivacional. Já existem muitos deles por aí, principalmente aqueles que dizem que “Desistir não é uma opção”. Como se chegar ao fim de alguma coisa, ou alcançar determinado objetivo, valesse a pena em qualquer situação. Mais ainda: como se fosse válido suportar toda e qualquer adversidade para sentir o gosto da vitória.

Em muitos casos, a persistência, o foco e a dedicação são, de fato, qualidades que nos impulsionam para as metas das quais temos plena convicção. Seguimos aguentando as dificuldades, engolindo os sapos da vida, trabalhando horas a fio, pois, no nosso íntimo, sabemos que o fim da jornada será válido. Ou, talvez, por não termos condições de analisar outras opções – quando, por exemplo, nosso emprego ou trabalho é a única maneira viável de sustento.

oleukena_givingupisnotanoption-2Supondo que estamos em uma situação na qual é possível escolher, o lema desistir não é uma opção nos estimula a continuar trilhando um caminho sem pensar em voltar atrás. Adotamos a mentalidade dos maratonistas, que seguem um percurso solitário e cansativo até a linha de chegada. E, como estes esportistas, descobrimos muitas riquezas ao longo do processo, transformando as cãibras, o suor e os quilômetros percorridos em aprendizado. A trajetória, em si, acaba sendo tão frutífera quanto a própria medalha. 

Mas e quando estamos em uma corrida sem fim? Ou melhor: e quando o percurso não nos leva a lugar algum e corremos em círculos? Nessas situações, talvez seja mais produtivo encarar a realidade e desistir, sem medo.

Antes de pensar em mergulhar de cabeça ou entregar-se de corpo e alma a um projeto ou a um objetivo a ser alcançado, precisamos ter certeza de que aquele é o lugar aonde queremos chegar. E nem sempre conseguimos ter a plena segurança de que estamos no caminho certo, não é mesmo? Em todos os contextos da nossa vida, no trabalho, nos relacionamentos e nos projetos pessoais, a dúvida nos visita constantemente.

Enquanto percorremos a estrada até o destino planejado, podemos começar a acreditar que aquilo não faz mais sentido. Neste caso, o que é melhor: permanecer num beco sem saída, num labirinto, ou dar alguns passos para trás e, com mais clareza, enxergar as novas possibilidades? 

É normal querer terminar algo que começamos. Dá uma sensação gostosa de dever cumprido, de conquista e merecimento. Por isso é tão difícil desistir. Pensamos: “Perdi tanto tempo da vida com isso, e agora vou abandonar?”.

Porém, ao invés de olhar para algo que você deixoleukena_givingupisnotanoption-3ou para trás como uma derrota ou uma desistência, você pode enxergar toda a bagagem que acumulou até aqui- seja em termos de qualificações e habilidades, seja em termos emocionais – e pensar em como ela será útil em qualquer outro caminho que você escolher trilhar.

Desistir de algo que não te faz bem ou que não te ajuda a crescer e melhorar não é sinônimo de fraqueza, mas de autoconhecimento e maturidade. Ao aceitar que nada nessa vida é permanente, que existem infinitos caminhos e que é, sim, possível (e às vezes, necessário) mudar de opinião, de foco e de objetivo, conseguimos nos cobrar menos.

Ser capaz de desistir é poder errar e reconhecer a força dos recomeços.

É preciso ter muita força para abdicar de um emprego sufocante ou explorador, para desapegar de um relacionamento abusivo, para seguir em frente e demolir as paredes dos becos sem saída e dos labirintos.

Desistir pode ser, sim, uma ótima opção. Só não podemos é desistir da vida, tão rica e repleta de possibilidades.


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Para ilustrar esse texto, escolhi a série de fotografias do artista alemão Ole Ukena. Ao olhar para esta instalação, somos confrontados, à primeira vista, com uma situação na qual o artista está prestes a terminar a obra. Uma escada, algumas letras, pregos, pincel e tinta ainda estão espalhados no chão, como se aguardassem pelo momento de serem usados. Ao olhar mais atentamente, percebemos que a frase “Giving up is not an option” (Desistir não é uma opção) deve ser lida à luz da ironia. O artista desistiu de terminar a instalação que recebe este nome e a obra é finalizada sem ser terminada.


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. Contato: redacao@feminaria.com.br

Do Puerpério: Nascer e Renascer

– por Elaina Nunes

“Criar bebês é muito árduo porque, assim como a criança, para ser, entra em fusão emocional com a mãe, esta, por sua vez, entra em fusão emocional com o filho para ser. A mãe passa por um processo análogo de união emocional. Ou seja, durante os dois primeiros anos, é fundamental uma “mãe-bebê”. As mulheres puérperas tem a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referência conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional. Não estão em condições de tomar decisões a respeito da vida doméstica. Vivem como se estivessem fora do mundo; vivem, exatamente, dentro do “mundo-bebê. E é indispensável que seja assim. A fusão emocional da mãe com o filho é o que garante que a mulher estará em condições emocionais de se desdobrar para que a cria sobreviva”.

 – A maternidade e o encontro com a própria sombra, Laura Gutman.

 

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Quando Maria nasceu, Nadia morreu. Mas não pode tratar de seu funeral, pois haviam lhe dado uma missão: tornar o mundo o lugar mais hospitaleiro, eficiente e confortável para acolher corretamente sua arte manifesta, sua Maria. Sua obra estava lá, concreta, de olhinhos brilhantes e coração pulsante. Estava explícita, viva, viva.

Meu Deus, há um bebê dormindo lá no quarto. Uma alma, parte minha e totalmente externa a mim. Minhas entranhas estão balbuciando no moisés. Alguém aí, por favor, me explica como isso aconteceu? Mas espera, preciso estar viva agora, sua vida depende disso.

Mas Nadia estava morta, e em êxtase.

Não sei quem é você, belo bebê, e já não sei quem sou. Teremos que caminhar juntas, minha obra prima. Seja o que Deus quiser. Ressuscito-me na marra. O amor é visível, é possível tocá-lo. Tê-la em meus braços é morrer mais uma vez. Alguém por gentileza chame o SAMU; não peço mais nada, estou tentando dar conta de tudo sozinha.

Daí vieram os olhares, os dizeres, as ordens e o carrasco interior. É preciso que se faça assim, que esteja tudo dessa forma, cubra já essas tetas, tira o carrinho do caminho.

Se ela é minha? Porque duvidas senhora, por ela ser branquinha e eu moreninha? Não, amada, achei numa caçamba e catei pra mim de souvenir. Meu bem, perdoa, mas não esconderei as tetas. Não, querida, será feito dessa forma. Já estava tudo meio turvo, agora não enxergo mais nada. Será que será? E agora? Joga aí no Babycenter, cadê o livro do doutor Rinaldo?… Meu Deus, olha o que fiz com o umbigo de minha filha! A cabecinha dela tá ficando amassada. Não estou à altura de tamanha responsabilidade, desabo e morro mais uma vez.

Ela está chorando, deixa eu respirar. Voltemos ao começo. Não entendi, pode explicar de novo? Espera ela arrotar.

Daí, vieram os nãos, o medo, a falta de ar, a febre altíssima, as médicas grosseiras, o pavor novamente, as comparações. Ar, preciso de ar.  Mãe, olha ela rapidinho, darei um pulo na terapia, é caso de vida ou morte. Não te peço mais nada.

E foi assim que a força veio como uma represa arrebentada. Com a força, finalmente a voz.  Ela veio! ah obrigada minha Deusa, ela chegou e era bonita: era minha! Uma bela mezzo soprano abafada por regras, slings, conselhinhos, normas, supermothersoftheworld. Excluo-me de todos os grupos e retorno, plena, ao regaço aconchegante da Grande Mãe.

Um ano de trabalho de parto e enfim lá estava ela, a mãe da Maria! Toda torta, porém honesta, já que agora havia um norte e uma certeza interior. Estavam juntas, por fim! E juntas, Maria e Nadia são invencíveis.

O amor me fortalece e volta a ti triplicado, minha masterpiece. A vida agora tem gosto de chocolate e um grandíssimo sentido. Vambora juntas, amor maior de minha vida. Viver é uma aventura deliciosa, dá aqui sua mão… Obrigada, minha filha, obrigada.


Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.


Imagem: Claudia Tremblay

Como a auto-sabotagem pode estar atuando na sua vida

– Por Gisele Ventura

A auto-sabotagem é um mecanismo muito comum, que opera de modo inconsciente fazendo com que puxemos nosso próprio tapete. Curiosamente com o intuito de nos proteger e nos manter na zona de conforto.

Como funciona a auto-sabotagem?

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Imagem: Raquel Aparicio

Após tantos envios de currículos, entrevistas, estudo e preparo, finalmente A. consegue o emprego dos seus sonhos. Logo no início, ansiosa para colocar seus potenciais em ação e mostrar a que veio, ficou com a saúde abalada. Tentou resistir, compareceu a empresa assim mesmo durante alguns dias, até que acordou tão fraca que precisou ser levada ao pronto socorro. O diagnóstico não foi tão grave mas exigiu uma semana em repouso.

Aniversário de dez anos de casamento, JP resolve fazer uma surpresa para sua esposa e compra um lindo anel de brilhantes em uma famosa joalheria. No estacionamento do shopping, coloca o pequeno pacote em cima do capô do carro enquanto procura a chave nos bolsos. Alguns minutos depois, já na rua se dá conta de onde havia deixado o presente. Tarde demais.

R., uma mulher bonita, profissional reconhecida, criativa, cheia de vida não consegue encontrar um parceiro para um relacionamento satisfatório. Conhece muitos homens, por meio de apresentações de amigos, encontros profissionais, aplicativos, eventos. Mas, em algum momento da relação percebe que tem uma característica em comum: parecem estar procurando uma mulher para sustentá-los.

Situação comum: Mulheres que gostariam de trabalhar mas que acabam ficando em casa após o nascimento dos filhos, até que não conseguem se recolocar mais (salvo as que realmente fizeram esta opção de forma consciente) muitas vezes estão sabotando suas carreiras.

Exemplos não faltam a respeito de auto-sabotagem. A auto-sabotagem é um tema tão presente nas nossas vidas, mas ao mesmo tempo tão difícil quase impossível de nos darmos conta. Por quê?

Porque ocorre em um nível inconsciente, tão profundo da nossa psique que não somos capazes de enxergar a olho nu. E, falar em auto-sabotagem, no exemplo de uma doença física, que aparece nos exames, parece até loucura não é?

“Como assim eu estaria provocando esta doença em meu corpo?”, você pode estar se perguntando.

Sim, concordo que é um assunto muito delicado e pode ser até mesmo soar como ofensivo ou leviano para quem sofre de alguma doença. Então, reforço que não necessariamente todo adoecimento é provocado pelas emoções. Existem fatores genéticos, doenças herdadas, ou geradas pelo ambiente, hábitos ou mesmo pela toxicidade dos alimentos.

Mas o inconsciente sim tem o poder de desencadear crises, agravar ou abrandar o problema. E, em algumas situações pode ser a fonte causadora.

A auto-sabotagem se disfarça de tantas formas, que parecem ter explicações tão racionais que realmente fica difícil visualizar que podemos estar sabotando nosso sucesso, saúde, relacionamentos e bem estar de modo tão imperceptível.

Mas afinal, porque no auto sabotamos?

Cada caso é um caso, não tem como generalizar, o mundo psíquico é vasto e extenso, atemporal. Composto pela nossa história, pelas nossas interpretações dos fatos da vida, nossos registros, memórias.

As pessoas se sabotam por inúmeras razões, mas que só podem ser compreendidas com um trabalho profundo de autoconhecimento. A grosso modo podemos conjecturar que é uma forma do ego se proteger de situações ameaçadoras. Para clarificar, segue alguns motivos comuns:

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Culpa:

Crescemos sob a sombra da culpa. Seja vinda da religião: “se não for bonzinho (a) vai para o inferno.” “Tem que colocar a necessidade dos outros antes da sua.” etc.

Conheci uma pessoa que pedia para o filho de 8 anos, todas as noites refletir sobre seus pecados.

Ou culpa cultivada no ambiente familiar: “tem que ser boazinha/bonzinho, responsável, dar a sua vez, cuidar dos seus irmãos pois você é mais velha/velho, compartilhar seus brinquedos ou doces, tem que ter as melhores notas”.  Muitas crianças sentem-se culpadas por brigas em casa e separação dos pais.

É importante salientar que não se trata necessariamente de pais ou cuidadores mal intencionados, mas sim a forma como os conceitos são passados de geração em geração. Muitas vezes com o intuito de educar ou proteger os filhos de perigos e exposições, afinal foi a forma com que estas famílias aprenderam a educar.

A culpa também tem uma função importante no ser humano e na sociedade, imagine se não tivéssemos culpa? Que caos que seria!

A questão é: como a culpa atua na auto-sabotagem. A culpa é sinal de não merecimento. Então se você, inconscientemente acredita que não merece algo bom, sucesso profissional, um relacionamento, uma família, um carro ou casa novos, uma viagem, amigos, tem que dar um jeito de colocar a perder certo?

Inveja:

Apesar de ser um sentimento tão condenado, todos nós, de uma forma ou de outra já sentimos inveja. Seja na infância, adolescência ou vida adulta. Em algum momento acreditamos que seria nosso direito ter o que pertence ao outro. Que o outro não deveria ter conquistado aquilo que cabia a nós. Quem nunca chegou a torcer em silêncio contra o sucesso de outra pessoa, ou não fez uma fofoquinha maldosa?

Assim sendo, quando sentimos inveja, acreditamos também que não podemos possuir algo bom. Pois, da mesma forma que desejamos secretamente que o outro perca sua conquista, acreditamos que como “castigo” perderemos a nossa também. Parece complexo, distante ou surreal demais? Sim. Assuntos do inconsciente são muito profundos para serem tratados em um texto sucinto.

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Síndrome do Impostor:

A síndrome do impostor é um nome um tanto quanto pitoresco e nada científico dado a um sentimento de incompetência e ineficiência. Ou seja, pessoas que acreditam que no fundo são uma fraude. Vivem com medo de que descubram sua “verdadeira face”. Muitas vezes são pessoas bem intencionadas, competentes, capazes, éticas mas não se apropriam de suas capacidades devido à baixa autoestima, e pouca confiança em si mesmas.

Apesar de não ser de fato uma “síndrome” pois não consta em manuais da medicina, é um estado muito comum que impede a pessoa de crescer e evoluir. Esse sentimento, o medo de “ser descoberta” a impede de alçar voos mais altos, decolar na carreira, na vida pessoal. Então, de alguma forma, o indivíduo dá um jeito de colocar tudo a perder antes que isso aconteça.

Ganhos Secundários:

Situações novas muitas vezes são desconfortáveis, nos tiram de um lugar conhecido. Talvez não tão bom, mas familiar. O sucesso, o novo, por sua vez nos traz um certo desconforto, o medo do desconhecido. Quais serão as novas responsabilidades? Que tipo de situações negativas terei que lidar quando meus desejos se realizarem?

A questão é que muitas vezes temos um ganho em permanecer em uma situação desfavorável.

Quando estamos doentes recebemos cuidados, atenção. Nos livramos de afazeres chatos, de responsabilidades.

Quando ficamos no lugar de “coitadinhos” acreditamos que atraímos a complacência ou empatia das pessoas. Ao contrário de quando ocupamos uma posição de destaque, de sucesso, tememos a inveja, receamos perder a companhia ou o apoio de determinadas pessoas. Ou, as pessoas podem começar a nos procurar para pedir ajuda.

O sucesso traz desafios, responsabilidades, trabalho. É necessário mantê-lo, cuidar da imagem, vigiar suas atitudes. Dá trabalho! Nem sempre desejamos pagar o preço.

Mas lembrem-se, tudo isso ocorre em um nível inconsciente, ou seja, invisível a olho nu!

Medo de comprometer o relacionamento ou a estabilidade familiar:

Quando as pessoas mudam ou saem da sua zona de conforto, estas mudanças podem interferir na dinâmica do seu ambiente. Por exemplo: a mulher vai para o mercado de trabalho e sai do papel de dona de casa, precisa contratar pessoas para dar conta da rotina doméstica ou cuidar das crianças, ou mesmo contar com a ajuda de familiares. Este trabalho pode implicar em viagens ou eventos que talvez não seja do agrado do cônjuge. Ou o restante da família pode julgá-la.

Algumas mudanças podem fazer com que cônjuges ou outros familiares fiquem insatisfeitos seja por sentirem-se ameaçados, com inveja ou sobrarão mais atividades para eles de modo que perderão certas comodidades. Inibida por essas possíveis reações negativas, a pessoa pode retroceder ou fazer com que seu projeto não dê certo por inúmeras razões que só o inconsciente é capaz de criar. Mas como ela mesma não se dá conta, logo arruma várias explicações e justificativas plausíveis e racionais para tanto.

Amelie - Nino & Amelie

Desejos contraditórios:

É uma situação muito comum. Algumas vezes desejamos exatamente o oposto daquilo que demonstramos ou lutamos para acontecer. Seja para atender uma exigência da sociedade, da família, ou para adquirir status e prestígio (pessoas com baixa autoestima).

Exemplos: perder dia da prova de vestibular, ou processo seletivo. Desejo de engravidar mas sofre abortos naturais sucessivos. Fazer uma má apresentação do TCC ou tese de mestrado.

Um executivo pode cometer um erro grave que venha a acarretar prejuízos para a empresa, vir a ser demitido e ficar arrasado. No entanto, já está há um tempo infeliz e desejando mudar os rumos da sua vida profissional. Claro que ele não queria prejudicar a empresa tampouco sua carreira, pelo menos de forma consciente.

Em um dos exemplos iniciais, o homem que deixa a joia que seria presente para sua esposa no capô do carro. Como estaria este relacionamento? Será que ele realmente desejou dar este presente a esposa?

Vingança:

Sim, as pessoas podem sabotar sua realização pessoal, sua saúde, seus projetos para punir ou se vingar de alguém.

Se mantem em uma posição de doente ou dependente para que algum familiar banque suas despesas, fique a sua disposição para o que for necessário.

Seja por mágoa, raiva dos pais ou cônjuge ou mesmo dos filhos, algumas pessoas se colocam nesta posição, prejudicando acima de tudo a si mesmas. Não se libertam e não libertam os outros envolvidos do encargo.

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O assunto auto-sabotagem é muito amplo, a intenção deste texto foi apenas arranhar a superfície de um tema tão rico e fascinante. Fascinante e ao mesmo tempo trágico e real, muito real.

Tal termo não é de uso científico da psicologia, mas utilizado pelo senso comum. No entanto, são encontrados na literatura de estudiosos consagrados como Freud, C. G. Jung, Melanie Klein entre outros, referencias claras a situações de auto-sabotagem mas com diferentes nomenclaturas.

Como estes autores abordam basicamente a vida psíquica, o inconsciente, praticamente todos os casos clínicos e seus transtornos tem conteúdos relacionados a auto-sabotagem.

Talvez você esteja se perguntando nesse momento onde e como a auto-sabotagem se aplica a você, na sua vida. Se você percebe que ocorrem situações repetitivas que te prejudicam ou te impedem de alcançar seus objetivos, é bem provável que esteja nesse ciclo. Para detectar e romper e assim adquirir mais autonomia sobre sua vida, o caminho é um trabalho profundo e paciente de autoconhecimento.

Pode causar medo, ansiedade e há possibilidades de surgirem várias resistências e empecilhos pelo caminho para que fique onde está. Pelas mesmas razões mencionadas no decorrer do texto. Mas, no que tange ao autoconhecimento o lema é: “quebre as pontes que atravessar!”.

Gisele Ventura Essoudry

Psicóloga clínica especialista em Saúde Mental pela UNIFESP, coach e orientadora profissional. Em razão da também graduação em Marketing, trabalhou por quinze anos no mundo corporativo, nos segmentos de varejo e bancos, sempre na área comercial o que contribuiu muito para entendimento de questões relacionadas ao ambiente empresarial. Criadora do site de conteúdo www.autenticalab.com.br, ministra palestras e workshops sobre desenvolvimento pessoal. Dois e-books publicados: “Com autoestima é melhor!” e “Amor e relacionamentos, muito além do óbvio!”. Consultora da Feminaria, atende às associadas da Rede com agendamento pelo telefone (11) 2737-5998

 

* Texto originalmente publicado no site do Autentica Lab.

* Imagens: Cenas do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”

O “dolce far niente” – o tédio necessário para viver

– por Mariana Zambon Braga

Ah, a doçura de não fazer nada. Deitar na grama e observar as nuvens. Sentar à beira-mar e sentir a brisa no rosto, sem nenhuma intervenção de pensamentos como “tenho que fazer (insira aqui qualquer coisa”. Sentar na cama e olhar para a parede. Observar a vida através da janela do seu apartamento. Meditar, ou apenas sentar e respirar por muito tempo. Sem celulares, sem tablets, sem livros, sem fones de ouvido. Fazer-absolutamente-nada-nadinha-nada-mesmo.

Imagem: Unsplash
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É isso o que significa a expressão italiana “dolce far niente“. E fazer nada não quer dizer ler um livro, assistir a um filme, sair para encontrar os amigos – ou qualquer atividade que, para nós, significa um momento de relaxamento ou de aproveitar a vida. Significa ficar à toa, contemplar o tédio, em si mesmo.

Quando foi a última vez que você se permitiu ficar entediada?

A correria da vida nos ocupa o tempo todo. Pulamos cedo da cama, corremos para chegar ao trabalho, perseguimos prazos durante o dia inteiro, nos desdobramos para cumprir todas as tarefas cotidianas, corremos de novo para não perder o ônibus, trem, metrô, para chegar em casa a tempo de descansar. E, quando terminamos de cumprir as obrigações, ao menos sinal de tédio, lá vamos nós, mais uma vez, inventar atividades para preencher os instantes desocupados.

Se, por acaso, o corpo pede “escuta, deita ali na cama e fica sem fazer nada por uma hora, por favor?”, logo ignoramos esse instinto. Tempo, de acordo com a nossa cultura, é dinheiro. Quando não estamos produzindo, estamos consumindo, pois tudo nessa vida é considerado como produção e consumo. Ou seja, uma hora improdutiva significa uma hora perdendo lucro, ou deixando de gerar lucro, números ou dados para alguém. É um sacrilégio ficar à toa. Quem é que tem tempo para isso?

Acredite em mim quando digo: você tem, sim, tempo para não fazer absolutamente nada.

Quanto dinheiro você perderá se parar por alguns momentos para ficar à toa com seu filho ou filha, companheiro ou companheira, apenas existindo lado a lado, compartilhando a vida? Qual será o prejuízo causado por sentar numa praça e observar os movimentos apressados dos transeuntes, das formigas, dos cães correndo atrás de uma borboleta? Ou de simplesmente deitar no chão da sala ou no sofá e olhar para o teto, sem expectativas? Quem sabe até o maior dos pecados – cochilar durante o dia!

Em nosso mundo cada vez mais veloz e conectado, a contemplação do nada pode parecer algo entediante e totalmente sem sentido. Para os artistas, no entanto, o tédio e o ócio podem ser os motores da criatividade, aliados indispensáveis para o surgimento de grandes ideias e epifanias.

Ficar entediado é uma coisa muito importante, um estado de espírito que devemos buscar. Uma vez que ficamos entediados, a nossa mente começa a vagar, buscando alguma coisa excitante, alguma coisa interessante para se estabelecer. E é justamente aí que a criatividade aparece.

Esta citação é do texto de Peter Bergman “Por que devolvi meu iPad“. O autor conta sobre como ter um iPad e estar o tempo todo produzindo ou consumindo algo o tornou alheio à importância do “tempo perdido”.

Quando estamos esperando por alguém, ou deitados na cama aguardando o sono que não chega, geralmente os pensamentos aparecem e começamos a colocá-los em ordem. Seja uma fagulha criativa ou um insight sobre a vida, em geral, estes instantes que erroneamente consideramos como perdidos nos proporcionam ganhos sem tamanho. O menor deles, certamente, é o benefício de amenizar o estresse.

Imagina só, que loucura, não “ter que” fazer nada – nem que seja por alguns minutos no dia? Confesso que, para mim, é bem difícil tirar um tempinho e me permitir esse dolce far niente – agora mesmo, eu poderia estar curtindo o ócio, mas estou aqui, usando meu tempo livre para escrever sobre a necessidade de ficar sem fazer nada.

Sendo assim, peço licença para encerrar o texto. Vou ali aproveitar o tédio!

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Escrevendo a história da sua vida

– por Mariana Zambon Braga

Imagem: Unsplash
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Contar histórias faz parte da natureza humana. Nós gostamos de compartilhar os acontecimentos inusitados, as cenas absurdas, nossas perdas, dores, alegrias e conquistas. Sem perceber, estamos contando a nossa história como se fôssemos narradoras e personagens, ao mesmo tempo. Sempre temos alguma história mirabolante e verídica para contar.

Eu sou uma grande defensora da ideia de que todo mundo deveria escrever suas histórias. Como um exercício de autoconhecimento e crescimento pessoal, no mínimo, ou para deixar para a posteridade mesmo. Como se, ao transportar para o papel aquilo que te acontece, você conseguisse se observar como a protagonista da sua vida.

E essa é uma das funções mais incríveis deste exercício. Você se posiciona como agente, como a personagem principal das aventuras mais incríveis, ou mesmo de situações banais do cotidiano, mas que possuem uma magia escondida – como os acasos, as coincidências, as sincronicidades.

Além disso, nós, mulheres, sofremos com a invisibilização das nossas histórias. Principalmente quando se trata de realizações atingidas em cenários que, ainda hoje, são vistos como predominantemente masculinos. Nesse caso, compilar a sua vida em textos, seja em um diário ou em um blog, também possui a função de registro histórico.

Talvez você pense que nada de muito interessante acontece na sua vida. Ou, pelo menos, nada muito digno de registrar. Eu duvido que este seja o caso. Certamente você já se apaixonou, já teve conflitos em família, com amigos, no trabalho, já se encontrou em contextos tão bizarros que pensou “isso daria um filme“. Tenho plena certeza de que já criou poesia em sua mente ao observar uma flor que nasce no meio do concreto ou uma nuvem em formato de coração. Porque, além da história da sua vida, os seus pensamentos e emoções também têm muito valor para a sua jornada de autoconhecimento.

Somos todas parte de um enredo. A vida de cada uma de nós é repleta de desvios, obstáculos, revezes, reviravoltas do destino, tramas complexas – todos os elementos das melhores obras de ficção.

Então, por que não começar a colocar em prática esse hábito de registrar a sua vida em palavras? 

Não sabe por onde começar? Um diário pode ser uma ótima ferramenta para libertar a alma escritora que existe dentro de você. Relatando os acontecimentos do dia, nos tornamos mais atentas ao que ocorre ao nosso redor e desenvolvemos um foco aguçado para os detalhes. Perceber a evolução da sua forma de escrever, ao longo do tempo, trará mais confiança para seguir em frente.

Pode ser que você nunca tenha coragem de mostrar a ninguém, e tudo bem. Quando você voltar algumas páginas para ler o que aconteceu há algum tempo, será capaz de compreender melhor quem você é, conhecer a si mesma mais a fundo e enxergar a sua narrativa de vida como uma obra completa.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.
 

Como entrar em 2017 com fé a despeito de toda a patifaria

– por Elaina Nunes

Pois é, caríssimas, mais um ano chegando ao fim! E, ainda que 2015 tenha sido aquela farofa, há tempos não vemos um ano terminar com um gosto tão amargo. O mundo está ao contrário e, diferente da música de Nando Reis, está todo mundo ciente do fato e a sensação decorrente dessa clareza não é nada animadora.

Era para todo mundo estar abraçado e planejando juntos uma forma de vencer os desafios, certo? No mundo utópico de Imagine do libriano John Lennon, só se for. O que vemos são cada vez mais pessoas apontando o dedo para o outro, projetando suas mazelas no vizinho, na Dilma, no Temer. As polaridades estão destacadíssimas e internamente a coisa não poderia ser diferente. Para onde nos levará toda essa falta de autoconsciência? Para 2017, of course! E foi diante desse cenário que decidi escrever o manual: COMO ENTRAR EM 2017 COM FÉ A DESPEITO DE TODA  PATIFARIA EM CINCO LIÇÕES.  Vem comigo!  

2017

1. Olhe para dentro

Eis o mais difícil dos passos e exatamente por isso já o adicionei no tópico 1, comecemos pela raiz. Se você é uma pessoa que por natureza busca o auto aprimoramento, seja através de terapia, livros, cursos ou de técnicas, excelente! Mergulhe, mergulhe fundo. Aproveite o final de ano para repassar os avanços, ainda que tenham sido sutis. Os erros? Ah! se você é voltada para dentro, aposto que já os revirou de cabo a rabo ao longo do ano, portanto não, não se torture mais, deixa isso para lá e foque nas vitórias.  E vambora, saia desse quarto, vá brincar!

Se você é uma pessoa que, por tendência, evita tudo o que é subjetivo e tem dificuldade de entrar em contato com seus sentimentos, te digo de coração que é hora de quebrar essa barreira e fazer algo a respeito. Se quem busca autoconhecimento cai nas ciladas do inconsciente, imagine quem passa longe! Vivendo dessa forma, há o risco de seguir cega, agindo sem saber, reclamando sem compreender, projetando a sombra no próximo. 

Lembrando que o objetivo é a integração dos opostos, nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Caminho do meio, mãozinhas dadas, reconhecimento e aceitação.

2. Quando não se tem nada, não há nada a perder

A máxima de Bob Dylan sempre funcionou para mim como um norte em momentos de crise, e agora mais do que nunca. Está desempregado, já panfletou CV e nada de retorno? Quem sabe não é hora de mostrar ao mundo aquele dom que ficou adormecido, quando seus pais te incentivaram a cursar TI por ser o que “dá dinheiro”. Tá todo desgrenhado no fundo do poço mas bateu um medinho de arriscar? Larga disso e aproveita a brecha para fazer o que sempre quis, mas nunca teve oportunidade por estar ocupado demais tentando vencer na vida. Em 2017, se dará bem aquele que abusar da criatividade, que ativar o contato com o Eu interior, que finalmente viver sua verdadeira vontade. Que ousar ser você mesmo! 

3. Organize-se, planeja, estabeleça metas

Parece clichê de coach, é irritante, eu sei. Mas também sei por experiência o poder de um projeto estruturado e bem estabelecido. Não adianta ficar se lamentando, culpando o partido oposto pelo caos que sua vida se encontra. É preciso criar coragem e arrumar a bagunça que 2016 deixou.

Agora imagine uma figura de luz: pois bem, não espere ficar iluminado, utilize essa figura de luz para iluminar o caderno onde você vai anotar e cumprir cada proposta definida para 2017. Tem uma dificuldade enorme em estabelecer metas e executar o que planejou? Hoje há uma gama de ferramentas fantásticas e bastante didáticas que certamente a auxiliarão nesse processo. Eu mesma estou de olho no kit Organize 2017 desenvolvido pelas empreendedoras Karine Drummond e Priscila Valentino. (espero que em agradecimento pelo jabá gratuito elas me enviem uma amostra… tá bom, parei!)

Alá, que tesouro! (meu stellium em virgem pira)

4. “Mas, dona Ava, eu não sei por onde começar e não tenho dinheiro para nada”

Vocês viram quão cruel foi 2016 com aqueles que apelaram para vitimização e procrastinação, certo? Não corra esse risco!  Há uma diversidade de locais que oferecem auxílio gratuito e orientação para aqueles que não sabem o que tá conteseno. A Casa Feminaria, por exemplo, oferece plantões com psicóloga, advogada, nutricionista, educadora, além de cursos por um preço bastante acessível de tudo que você pode imaginar. É só ir lá para ver.

Quem não está em São Paulo, certamente encontrará locais similares em sua cidade. Mantenha-se aberta, pesquise, estude online, vá checar pessoalmente. A partir do momento que nos colocamos em movimento, a mágica da vida acontece: as coisas fluem, as pessoas surgem e aos poucos tudo se encaixa. É preciso somente iniciar, entrar no fluxo e não desanimar diante de obstáculos que (por padrão) eventualmente venham a surgir, esses fazem parte do processo. Mais uma vez, Campbell: siga a sua alegria, e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes.

5. Renove sua fé (ainda que você seja ateia)

Eis um excelente momento para retomar a prática da meditação, tomar um passe, visitar o terreiro que há tempos você não aparece, acender uma velinha para o anjo da guarda.  Se você é ateia, eis a hora de reafirmar seus valores e agir de acordo com eles. Mantendo-nos conectados com aquilo que nos ilumina, a vida sorri e te ilumina em retorno.

Portanto, avante, guerreira! Vista sua melhor roupa e vire o ano cheia de alegria, e com o coração confiante que a despeito de toda balbúrdia a vida é bonita, é bonita e é bonita! PODE VIR 2017, que a gente tá preparada!

Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.

Sobre a Arte de Saber Esperar (Ou, Não Era Para Ser Agora)

– por Elaina Nunes

[cml_media_alt id='546']Imagem: Shiori Matsumoto[/cml_media_alt]
Imagem: Shiori Matsumoto
Não foram poucas as vezes que ao iniciar um projeto, ao dar de cara com obstáculos de toda sorte, juntei as peças, guardei tudo numa caixinha azul e o entoquei furiosa no fundo do armário mofado. Passado um tempo, o projeto (ou sonho, como preferir chamar) terminava misteriosamente saindo da toca e voltando ao baile, para novamente encontrar novas pedras, e mais uma vez ser tacado na gaveta bolorenta contra a sua vontade.

O que não havia captado até pouco tempo é que tal sonho não é uma fantasia, mas meu grande projeto de vida, o mais importante de todos, que entretanto ainda está em preparo para sua grande estreia. Coisas importantes precisam de maturação, estudo, planejamento e aprimoramento. Coisas importantes precisam de tempo. E dar tempo ao tempo é algo temido por muitos hoje em dia (estou nessa lista). Temos a impressão de estar ficando para trás.  Ao encontrar os nãos, os mas não tem como e os tabefes na cara, tendemos a achar que esse não é o caminho, queria tanto mas não é para ser, e corremos o risco de  desviar para aquele trajeto mais seguro que está ali dando sopa, e não espera grande esforço de nossa parte.

O que eu não havia captado até então é que os desvios involuntários foram oportunidades de aprimorar as habilidades que faltavam para executar meu desejado projeto pessoal. Que aquela porta que fechou ontem foi uma forma da vida me proteger de uma precipitação que faria com que meu avião não decolasse. Que a porta que se abriu, ainda que fora dos meus planos e desafiando meu controle, foi um curso de aprimoramento de minhas habilidades pessoais. Ou seja, é como se os anjos estivessem fazendo das tripas coração enquanto eu estou aqui, reclamando da vida, achando que está tudo errado.

Não importa quão caro seja seu sonho, se é ter um filho, casar, abrir um negócio, alcançar um cargo de liderança. Esse sonho demandará esforço e vivência. Não se alcança maestria sem aprendizado e experiência. E tudo nesse mundão leva tempo.  Olhar para a vizinha e imaginar, alá, quão fácil foi para ela ter uma família Doriana, enquanto cá estou escorregando aos prantos parede abaixo porque o João me abandonou. A vizinha está feliz com sua família sim, mas está pelejando para realizar o velho sonho de conhecer o mundo. Não conseguirá agora, tem filhos pequenos e a grana está curta. Está guardando um tantinho por mês para viajar aos 40. Não se compare; cada um tem um ritmo, um sonho e um tempo. E os fracassos não costumam ser tão divulgados nas redes sociais quanto as conquistas.

É preciso saber ler a vida.

É preciso complementar o não era pra ser, tão dito por nós às amigas que se frustram: amiga, não era para ser nesse momento, dessa forma.

O que é preciso aprimorar, trabalhar, ajustar, aprender para que venha, sim, a ser?

É preciso abrir mão dos caminhos fáceis, das vontades egoicas, dos falsos sonhos que nem nossos são.  Já dizia meu brother Camus, “para um homem, a coisa mais difícil de desistir é daquilo que, afinal de contas, ele realmente não quer”.  É preciso olhar para dentro.

É preciso olhar para nosso lado feio e entender porque raios ele tanto reclama. Dar a mão a ele, leva-lo à terapia. Comprar roupas não o silenciará. Atacar o outro tampouco.  É preciso saber pedir e aceitar ajuda.

É preciso entender que a vida é feita de altos e baixos, e se esforçar para atravessar a tormenta da melhor forma possível.

É preciso saber esperar produzindo. Catando as pedrinhas, juntando os caquinhos, arquitetando um super plano, estudando. E sorrindo!

Avante guerreira, há muito a fazer!  E me ajuda, por favor: o que mais é preciso? O que será que ainda não captei dessa loucura deliciosa de alcunha vida?

 

Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.