Formalize suas relações comerciais – 5 bons motivos para usar contratos

– por Tatiana Dias

Basta conversar com meia dúzia de amigas para saber que a contratualização das relações comerciais é algo completamente alheio à realidade da maior parte das pequenas empreendedoras brasileiras. Prestadoras de serviço autônomas e pequenas empresas têm o costume de trabalhar sem nenhum tipo de formalização, contando apenas com acordo “de boca” ou algumas mensagens trocadas.

No mundo ideal, ninguém precisaria de contrato, todos se comunicariam perfeitamente, não haveria descumprimento dos combinados, nem litígio. Mas vivemos no mundo real, em que a falta de um contrato claro e formalizado por escrito pode acarretar problemas bastante sérios e consequências devastadoras para uma pequena empreendedora.

Unrecognizable businesswoman holding document and shaking hand of business partner after signing of contract. They sitting at table. Negotiation concept

É verdade que a maioria das pessoas nem imagina por que deveria investir na formalização de contratos com seus clientes. Por isso, vou listar apenas alguns bons motivos para nunca trabalhar sem um contrato:

1. O contrato irá definir de forma clara e definitiva o que está sendo oferecido e o que o cliente pode esperar de você.

Pode parecer estranho, mas é imensa a quantidade de problemas que surgem pela falta de definição clara do que será entregue ao cliente, seja seu negócio um serviço ou produto.

Muitas vezes são feitas diversas tratativas com o cliente e não é definida claramente a proposta final. O que devemos ter em mente é que a comunicação é um dos maiores problemas da humanidade e talvez não seja muito prudente contar com uma comunicação sem falhas nos seus negócios.

No contrato, uma das principais cláusulas sempre deverá ser o Objeto e a Abrangência da contratação, que deverá ser redigida da forma mais clara possível, deixando demarcado para o cliente e para o fornecedor exatamente o que deverá ser entregue.

Você sempre poderá se remeter ao contrato quando o cliente quiser incluir “mais um negocinho” no job, que não foi negociado no preço do serviço ou produto.

2. O contrato irá esclarecer os limites da relação.

Cada pessoa ou empresa trabalha de um jeito, tem seus critérios de atendimento, forma de relação com o cliente, prazos de resposta e forma de trabalho.

Essas questões normalmente são ignoradas na negociação e se isso não ficar claro para o seu cliente, a chance de ter problemas é bem grande.

Um bom contrato tratará sobre os limites da relação, garantindo que não haja frustração para o cliente, nem sobrecarga para a empreendedora e aumentando as chances de uma boa relação comercial.

Acredite, se o cliente souber os limites quando está contratando, observar esses limites será muito menos frustrante e ele vai evitar bastante te ligar para reclamar da vida às 7h do domingo.

3. Ter um contrato reduz a chance de não receber o pagamento.

Não só de não receber, mas de receber no prazo e forma combinados.

No contrato, tudo fica ajustado bem certinho para que, depois, não haja discussão sobre os valores devidos, prazo, data e forma de pagamento. Dessa forma, você não terá problemas para cobrar exatamente o que foi contratado, inclusive judicialmente, se necessário.

Além disso, o contrato poderá instituir garantias para assegurar o cumprimento da obrigação (no caso, o pagamento), como multas, retenção do produto ou serviço, entre outras.

Ou seja, ter um contrato escrito não garante que você vai receber, mas reduz significativamente essa chance, além de criar mecanismos de ‘compensação’ em caso de não-pagamento ou atraso.

4. Ter um contrato sugere que seu trabalho é profissional.

Apresentar um contrato escrito ao cliente pode ser um receio de muitas empreendedoras, que imaginam ser um ônus a mais para a contratação. Porém, o que se deve ter em vista é que um bom contrato traz segurança para ambas as partes e um cliente sério não vai se opor a contratualizar o negócio, pelo contrário, irá se sentir mais seguro para contratar seu serviço ou produto.

A formalização do negócio irá sugerir que você ou sua empresa são negócios profissionais, que sabem o que estão fazendo e não estão para brincadeira. O benefício colateral disso ainda é cair fora de furada. Se o possível cliente não estiver com intenção de honrar o combinado, vai pular fora e você vai se livrar de uma roubada.

Young businesswoman giving pen to somebody

5. O contrato define claramente como se dá o encerramento do negócio.

Além de definir o encerramento regular do negócio, com a conclusão do serviço ou entrega do produto e correspondente contraprestação, um bom contrato também irá estabelecer as situações em que ambas as partes podem romper o negócio antecipadamente, com ou sem justa causa, o prazo de antecedência para a rescisão e multas pela rescisão antecipada.

Isso é especialmente importante em relações de médio e longo prazo, quando há diversos itens envolvidos ou a prestação de serviço se dá de forma contínua ao longo do tempo, afinal, é preciso definir o que justifica a ruptura do acordo sem cumprimento e quais os critérios para que isso aconteça de forma a reduzir o prejuízo de ambas as partes.

Esses são apenas alguns benefícios. Outras previsões podem ser de extrema importância em casos específicos, como aqueles que envolvam direitos autorais, direitos de imagem ou responsabilidade profissional regulamentada.

Cada empreendedora enfrenta dificuldades e suporta necessidades específicas. Por isso, a elaboração de um bom contrato é uma tarefa a dois, entre advogada e empreendedora, pois você é a melhor pessoa para dizer o que você oferece, quais os maiores riscos e o que é mais importante destacar para proteger no seu negócio.

A conclusão, empreendedoras, é que um bom contrato “guarda-chuva”, que possa ser adaptado a cada nova contratação, pode ser um dos melhores investimentos que você pode fazer pelo seu negócio.

———-

Precisa de mais informações sobre essa ou outras questões jurídicas? A Tatiana é Consultora da Feminaria e oferece atendimento às nossas Associadas. Para agendar o seu horário, entre em contato pelo telefone (11)2737.5998 e verifique a disponibilidade. Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br

Tatiana Dias

Graduada em Direito (PUC-SP) e pós-graduada em Direito e processo do trabalho (PUC-SP) e formação em Mediação (ESA SP), Negociação sindical (FGV SP) e Coaching Ontológico (Instituto Appana SP). Com experiência de 10 anos nas diversas áreas do Direito, atualmente atua especialmente com Direito trabalhista, cível e contratual. Estuda relações de trabalho, contratos, soluções alternativas de conflitos, filosofia, gênero, empreendedorismo e desenvolvimento humano. 

Comece o ano investindo em conhecimento

– por Mariana Zambon Braga

O ano já começou. É hora de colocar a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Provavelmente você já criou listas e estabeleceu metas a serem cumpridas ao longo dos próximos meses. Que tal incluir nesse pacote o seu crescimento intelectual? 

omeahbefln4-alexis-brown
Imagem: Unsplash

Conhecimento é poder. Aprender algo novo nos estimula a pensar, a refletir, expande nossos horizontes e nos transforma em pessoas mais preparadas, tanto na esfera profissional quanto na pessoal. E nem precisa gastar muito dinheiro pra isso – a não ser que você realmente necessite de certificação ou de um treinamento mais aprofundado.

Quando pensamos em estudo e aprendizado, logo imaginamos o conceito de escola, faculdade, cursos em sala de aula, ou mesmo cursos online. Isso tudo é ótimo, faz parte da nossa formação intelectual e, às vezes, profissional. É importante ter bastante conhecimento na nossa área de atuação. No entanto, existem aprendizados que não entrarão no seu currículo, mas que serão cruciais para a sua trajetória de vida. 

A leitura é uma excelente forma de aprender – seja através dos livros de história, biografias, artigos de jornal ou revista. Até as histórias de ficção são capazes de nos ensinar muitas coisas. Outra maneira gratuita e simples de adquirir conhecimento é procurar por palestras e aulas disponíveis em canais no Youtube, ou em sites como o do TED Talks. E, é claro, existem milhares de cursos e plataformas de aprendizado online.

E, caso você tenha algum dinheiro sobrando, sempre vale a pena aplicá-lo em seu desenvolvimento pessoal- como, por exemplo, nos cursos de idiomas aqui da Feminaria. Aliás, não esquece de assinar a nossa Newsletter para ficar por dentro de todas as novidades da rede.

Seja como você preferir, saiba que o investimento mais precioso de todos é em você mesma. Tanto de tempo quanto de dinheiro.

Para te incentivar a aprender coisas novas neste ano, fiz uma lista com meus sites e recursos preferidos, de cursos e palestras a artigos acadêmicos.

Que 2017 seja repleto de aprendizado e novos saberes. Vamos juntas, crescendo sempre!

Plataformas de cursos online:

Udemy – É uma plataforma global de aprendizado e ensino. Oferece cursos gratuitos e pagos, com preços a partir de R$25,00, em áreas como Negócios, Finanças, Empreendedorismo, Produtividade no Escritório, Música, Idiomas e Marketing. Também permite que você se cadastre como instrutora e transmita o conhecimento que tem a oferecer.

Khan Academy – O site é em inglês, mas tem bastante conteúdo em português. É possível aprender, de graça, sobre Biologia, Química, Música, Matemática, bem como tirar dúvidas e assistir a aulas de reforço. Pra quem é bilíngue, vale muito a pena!

Coursera – O Coursera é um site que oferece cursos livres e gratuitos, especializações e pós-graduação elaborados por universidades internacionais. Você pode assistir à maioria dos cursos sem pagar nada, e, se desejar um certificado, basta cumprir todos os requisitos e tarefas e pagar uma taxa. É excelente para quem precisa se manter atualizado.

Veduca – O Veduca é um portal com cursos gratuitos nas áreas de Administração, Finanças, Liderança e Gestão. O site também oferece soluções para empresas.

Unesp Aberta – O site da Unesp Aberta oferece aulas sem certificação, nem tutoria. No entanto, os conteúdos são abrangentes e incluem cursos de Filosofia, leitura em inglês, química, artes, biologia, geografia, educação, entre outros.

Ted Ed – O site do TED Ed traz palestras e aulas curtas sobre diversos assuntos debatidos nos TED Talks. Nele, você também pode criar aulas e conteúdos. O site é em inglês, mas a maioria dos vídeos possui legendas em português.

Cursou – Com mais de 350 cursos online, o Cursou oferece conhecimento gratuito nas áreas de Direito, Informática, Educação, Idiomas, Administração, Design Gráfico e Música.

e-Unicamp – Portal com vídeos, animações, simulações, ilustrações e aulas, materiais criados pelos próprios professores da Unicamp e de acesso livre ao público. As áreas incluem ciências exatas, humanas, biológicas e artes.

Canais do Youtube:

Território Conhecimento – O canal traz palestras e entrevistas com pensadores como Marcia Tiburi, Viviane Mosé, Ligia Py, Mário sergio Cortella e Leandro Karnal, entre outros.

Homo Literatus – Para os amantes de literatura, o site Homo Literatus, que também conta com o canal do YouTube, é um excelente local para conhecer novas leituras, aprofundar debates e dialogar com novos escritores.

Café Filosófico CPFL – O canal do Café Filosófico é uma parceria do Instituto CPFL com a TV Cultura. Nele, você encontrará debates com pensadores e pensadoras contemporâneos acerca dos mais diversos temas, como sexualidade, religião, comportamento e política.

Think Olga – Além do site que disponibiliza matérias sobre os temas mais urgentes da luta das mulheres, o canal da Think Olga traz entrevistas com mulheres na série Pergunte a Ela, com dicas sobre como começar um canal no Youtube, como começar uma carreira na moda, e muito mais.

TED Talks – Eu não me canso de recomendar as palestras do TED, por motivos óbvios. Além de nos permitir ouvir vozes às quais jamais teríamos acesso, os vídeos dos talks provocam o nosso pensamento e nos estimulam a olhar o mundo de forma diferente. Recomendo muito!

Artigos acadêmicos:

Educ@ – Através do portal, é possível encontrar diversos artigos de pesquisa acadêmica para download. Basta procurar pelo assunto ou pelo autor e baixar o texto completo.

CAPES – O Portal de Periódicos da Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – é uma ferramenta fundamental para as atividades de ensino e pesquisa no Brasil. Segundo informações do site, “O Portal de Periódicos reúne em um único espaço virtual as melhores publicações do mundo. Com uma simples consulta feita pelo computador, usando critérios como autor, assunto ou palavra chave, é possível acessar, selecionar e recuperar as informações desejadas”.

Se você conhece alguma outra ferramenta bacana de aprendizado online, conta pra gente nos comentários!

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Escrevendo a história da sua vida

– por Mariana Zambon Braga

Imagem: Unsplash
Imagem: Unsplash

Contar histórias faz parte da natureza humana. Nós gostamos de compartilhar os acontecimentos inusitados, as cenas absurdas, nossas perdas, dores, alegrias e conquistas. Sem perceber, estamos contando a nossa história como se fôssemos narradoras e personagens, ao mesmo tempo. Sempre temos alguma história mirabolante e verídica para contar.

Eu sou uma grande defensora da ideia de que todo mundo deveria escrever suas histórias. Como um exercício de autoconhecimento e crescimento pessoal, no mínimo, ou para deixar para a posteridade mesmo. Como se, ao transportar para o papel aquilo que te acontece, você conseguisse se observar como a protagonista da sua vida.

E essa é uma das funções mais incríveis deste exercício. Você se posiciona como agente, como a personagem principal das aventuras mais incríveis, ou mesmo de situações banais do cotidiano, mas que possuem uma magia escondida – como os acasos, as coincidências, as sincronicidades.

Além disso, nós, mulheres, sofremos com a invisibilização das nossas histórias. Principalmente quando se trata de realizações atingidas em cenários que, ainda hoje, são vistos como predominantemente masculinos. Nesse caso, compilar a sua vida em textos, seja em um diário ou em um blog, também possui a função de registro histórico.

Talvez você pense que nada de muito interessante acontece na sua vida. Ou, pelo menos, nada muito digno de registrar. Eu duvido que este seja o caso. Certamente você já se apaixonou, já teve conflitos em família, com amigos, no trabalho, já se encontrou em contextos tão bizarros que pensou “isso daria um filme“. Tenho plena certeza de que já criou poesia em sua mente ao observar uma flor que nasce no meio do concreto ou uma nuvem em formato de coração. Porque, além da história da sua vida, os seus pensamentos e emoções também têm muito valor para a sua jornada de autoconhecimento.

Somos todas parte de um enredo. A vida de cada uma de nós é repleta de desvios, obstáculos, revezes, reviravoltas do destino, tramas complexas – todos os elementos das melhores obras de ficção.

Então, por que não começar a colocar em prática esse hábito de registrar a sua vida em palavras? 

Não sabe por onde começar? Um diário pode ser uma ótima ferramenta para libertar a alma escritora que existe dentro de você. Relatando os acontecimentos do dia, nos tornamos mais atentas ao que ocorre ao nosso redor e desenvolvemos um foco aguçado para os detalhes. Perceber a evolução da sua forma de escrever, ao longo do tempo, trará mais confiança para seguir em frente.

Pode ser que você nunca tenha coragem de mostrar a ninguém, e tudo bem. Quando você voltar algumas páginas para ler o que aconteceu há algum tempo, será capaz de compreender melhor quem você é, conhecer a si mesma mais a fundo e enxergar a sua narrativa de vida como uma obra completa.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.
 

Em busca de sentido, e não de felicidade

por Mariana Zambon Braga

Muitas pessoas têm uma ideia errada do que significa a verdadeira felicidade. Ela não é atingida através da auto-gratificação, mas através da fidelidade a um propósito valioso.” — Helen Keller

feliz-com-a-vida_planejar-felicidade
Imagem: Amanda Cass

Se alguém perguntar a você, hoje, O que você mais deseja nesta vida?, talvez você responda dinheiro, sucesso, saúde, crescimento, amor, liberdade. Há grandes chances de que sua resposta seja: Tudo o que eu quero é ser feliz

Mas, o que é ser feliz? É uma coisa muito vaga, não é mesmo? Cada um tem o seu conceito de felicidade, e ele pode mudar ao longo do tempo. Frequentemente, confundimos essa noção com a alegria e o contentamento produzidos pelo atingimento de um objetivo pessoal ou profissional.

Por exemplo: você passa dez anos lutando por um aumento em seu salário. Finalmente, você recebe a tão sonhada promoção, e o seu holerite sorri para você. A sensação de felicidade certamente será passageira se, ao final de mais dez anos, seu salário continuar o mesmo e o seu plano de carreira ficar estagnado. Porque, nesse caso, o objetivo, o significado, a busca se resumia a uma quantia maior de dinheiro, ao reconhecimento financeiro ou a um cargo mais elevado.

Colocar a nossa felicidade apenas em função dos objetivos a serem alcançados pode nos frustrar ainda mais. Sempre teremos novas metas e conquistas em mente e às vezes é difícil conseguir atingir o que almejamos. Ou seja: corremos o risco de nunca colocar as mãos na tão sonhada felicidade.

Muitas vezes, nos pegamos dizendo ou pensando em coisas como:

Quando eu emagrecer dez quilos, serei feliz.

Quando eu tiver o meu próprio negócio, serei feliz.

Quando eu casar, serei feliz.

Quando eu tiver um filho, serei feliz.

Quando (insira aqui qualquer coisa), serei feliz.

Isto é bem triste. Adiar a felicidade ou fazê-la orbitar em torno de algo que nem sempre depende somente do nosso esforço pode ser muito frustrante. E igualmente inatingível, pois as nossas listas podem ser imensas e cheias de metas que nunca serão totalmente alcançadas, metas que não foram estabelecidas por nós, mas as quais acreditamos serem o caminho certo para encontrar “a tal da Dona Felicidade“.

Em uma de suas pesquisas, a psicóloga Iris Mauss descobriu um paradoxo. As pessoas que davam mais valor à felicidade acabavam se sentindo menos felizes quando estavam prestes a alcançá-la. Segundo o estudo, quem atribui muito valor à felicidade acaba definindo metas difíceis de atingir, e pode não saber muito bem como lidar com as decepções no caminho.

Tomando os exemplos da pequena lista acima, se a pessoa que se propõe a emagrecer dez quilos conseguir eliminar apenas seis, provavelmente continuará infeliz. Se não encontrar um(a) companheiro(a) para a vida, também. Se não conseguir deixar o emprego e montar seu próprio negócio, continuará no ciclo da infelicidade. E se o sonho de ter um filho demorar mais que o esperado, a felicidade também precisa ficar em standby? Imagina quanta coisa boa pode passar batida nesse meio tempo.

Todos estes cenários têm uma coisa em comum: quem espera a felicidade chegar junto com uma conquista, está se concentrando apenas no objetivo, e se esquecendo da trajetória. A busca pelo sentido, e não pela felicidade, é o que torna a vida melhor. E esta consiste em saber exatamente quem você é, o que você deseja, e o motivo de tudo isso. Ao seguir aquilo que faz a sua vida ter sentido, as frustrações, os fracassos e derrotas terão um peso muito menor.

Quando buscamos o nosso propósito, a felicidade consiste na jornada, em si, e não apenas nas realizações. O POR QUE você faz ou quer algo é tão importante quanto o QUE você está buscando, fazendo ou desejando. O objetivo maior da sua vida tem a ver com o que você veio fazer aqui no mundo, e não com o que esperam de você ou apenas com algo tangível que você venha a conquistar.

Mesmo porque tudo nessa vida é transitório – corpo, beleza, dinheiro, empregos, status, bens materiais… Mas o propósito, ele se mantém firme, porque é ele que nos traz a satisfação plena. 

Encontrar o sentido da sua vida, a sua missão verdadeira, fazer algo que realmente importa para você – esses são bons pontos de partida. Certamente, será mais fácil lidar com frustrações quando o propósito é o próprio caminho. Porque, nessa trajetória de autodescoberta, talvez você perceba que nem queria tanto assim uma promoção ou um casamento – talvez, no fundo, você só estava buscando se sentir realizada, e estava seguindo os parâmetros definidos por todo o resto do mundo.

Que tal refletir sobre tudo isso ao fazer os seus planos para 2017?

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Como entrar em 2017 com fé a despeito de toda a patifaria

– por Elaina Nunes

Pois é, caríssimas, mais um ano chegando ao fim! E, ainda que 2015 tenha sido aquela farofa, há tempos não vemos um ano terminar com um gosto tão amargo. O mundo está ao contrário e, diferente da música de Nando Reis, está todo mundo ciente do fato e a sensação decorrente dessa clareza não é nada animadora.

Era para todo mundo estar abraçado e planejando juntos uma forma de vencer os desafios, certo? No mundo utópico de Imagine do libriano John Lennon, só se for. O que vemos são cada vez mais pessoas apontando o dedo para o outro, projetando suas mazelas no vizinho, na Dilma, no Temer. As polaridades estão destacadíssimas e internamente a coisa não poderia ser diferente. Para onde nos levará toda essa falta de autoconsciência? Para 2017, of course! E foi diante desse cenário que decidi escrever o manual: COMO ENTRAR EM 2017 COM FÉ A DESPEITO DE TODA  PATIFARIA EM CINCO LIÇÕES.  Vem comigo!  

2017

1. Olhe para dentro

Eis o mais difícil dos passos e exatamente por isso já o adicionei no tópico 1, comecemos pela raiz. Se você é uma pessoa que por natureza busca o auto aprimoramento, seja através de terapia, livros, cursos ou de técnicas, excelente! Mergulhe, mergulhe fundo. Aproveite o final de ano para repassar os avanços, ainda que tenham sido sutis. Os erros? Ah! se você é voltada para dentro, aposto que já os revirou de cabo a rabo ao longo do ano, portanto não, não se torture mais, deixa isso para lá e foque nas vitórias.  E vambora, saia desse quarto, vá brincar!

Se você é uma pessoa que, por tendência, evita tudo o que é subjetivo e tem dificuldade de entrar em contato com seus sentimentos, te digo de coração que é hora de quebrar essa barreira e fazer algo a respeito. Se quem busca autoconhecimento cai nas ciladas do inconsciente, imagine quem passa longe! Vivendo dessa forma, há o risco de seguir cega, agindo sem saber, reclamando sem compreender, projetando a sombra no próximo. 

Lembrando que o objetivo é a integração dos opostos, nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Caminho do meio, mãozinhas dadas, reconhecimento e aceitação.

2. Quando não se tem nada, não há nada a perder

A máxima de Bob Dylan sempre funcionou para mim como um norte em momentos de crise, e agora mais do que nunca. Está desempregado, já panfletou CV e nada de retorno? Quem sabe não é hora de mostrar ao mundo aquele dom que ficou adormecido, quando seus pais te incentivaram a cursar TI por ser o que “dá dinheiro”. Tá todo desgrenhado no fundo do poço mas bateu um medinho de arriscar? Larga disso e aproveita a brecha para fazer o que sempre quis, mas nunca teve oportunidade por estar ocupado demais tentando vencer na vida. Em 2017, se dará bem aquele que abusar da criatividade, que ativar o contato com o Eu interior, que finalmente viver sua verdadeira vontade. Que ousar ser você mesmo! 

3. Organize-se, planeja, estabeleça metas

Parece clichê de coach, é irritante, eu sei. Mas também sei por experiência o poder de um projeto estruturado e bem estabelecido. Não adianta ficar se lamentando, culpando o partido oposto pelo caos que sua vida se encontra. É preciso criar coragem e arrumar a bagunça que 2016 deixou.

Agora imagine uma figura de luz: pois bem, não espere ficar iluminado, utilize essa figura de luz para iluminar o caderno onde você vai anotar e cumprir cada proposta definida para 2017. Tem uma dificuldade enorme em estabelecer metas e executar o que planejou? Hoje há uma gama de ferramentas fantásticas e bastante didáticas que certamente a auxiliarão nesse processo. Eu mesma estou de olho no kit Organize 2017 desenvolvido pelas empreendedoras Karine Drummond e Priscila Valentino. (espero que em agradecimento pelo jabá gratuito elas me enviem uma amostra… tá bom, parei!)

Alá, que tesouro! (meu stellium em virgem pira)

4. “Mas, dona Ava, eu não sei por onde começar e não tenho dinheiro para nada”

Vocês viram quão cruel foi 2016 com aqueles que apelaram para vitimização e procrastinação, certo? Não corra esse risco!  Há uma diversidade de locais que oferecem auxílio gratuito e orientação para aqueles que não sabem o que tá conteseno. A Casa Feminaria, por exemplo, oferece plantões com psicóloga, advogada, nutricionista, educadora, além de cursos por um preço bastante acessível de tudo que você pode imaginar. É só ir lá para ver.

Quem não está em São Paulo, certamente encontrará locais similares em sua cidade. Mantenha-se aberta, pesquise, estude online, vá checar pessoalmente. A partir do momento que nos colocamos em movimento, a mágica da vida acontece: as coisas fluem, as pessoas surgem e aos poucos tudo se encaixa. É preciso somente iniciar, entrar no fluxo e não desanimar diante de obstáculos que (por padrão) eventualmente venham a surgir, esses fazem parte do processo. Mais uma vez, Campbell: siga a sua alegria, e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes.

5. Renove sua fé (ainda que você seja ateia)

Eis um excelente momento para retomar a prática da meditação, tomar um passe, visitar o terreiro que há tempos você não aparece, acender uma velinha para o anjo da guarda.  Se você é ateia, eis a hora de reafirmar seus valores e agir de acordo com eles. Mantendo-nos conectados com aquilo que nos ilumina, a vida sorri e te ilumina em retorno.

Portanto, avante, guerreira! Vista sua melhor roupa e vire o ano cheia de alegria, e com o coração confiante que a despeito de toda balbúrdia a vida é bonita, é bonita e é bonita! PODE VIR 2017, que a gente tá preparada!

Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.

Precisamos falar sobre o HIV

– por Mariana Zambon Braga

shutterstock_338480585

Desde a emergência da AIDS, há 35 anos, a comunidade internacional pode olhar para trás com algum orgulho, mas ainda é preciso mirar adiante com determinação e comprometimento para alcançar nosso objetivo de acabar com a epidemia até 2030″.

Essa foi a declaração do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedindo um renovado compromisso global para o combate à doença, assim como um espírito intransigente para colocar fim à epidemia.

Neste Dia Mundial de Luta contra a AIDS, precisamos falar sobre esta doença que afeta tantas pessoas. Embora estejamos em pleno século XXI, as doenças relacionadas à sexualidade ainda são um tabu. Não debatemos sexo de forma aberta, o que prejudica drasticamente ações de prevenção e combate à doença.

Eu me lembro, quando era adolescente, que existia toda uma mobilização da sociedade e do estado em promover a conscientização sobre o HIV – desde a distribuição de preservativos em postos de saúde a campanhas na televisão, folhetos, palestras, cartazes, filmes, livros. Talvez porque nos anos 1990 os números fossem mais alarmantes. Ou então por não haver uma esperança de um dia existir uma cura.

De qualquer maneira, não ter um diálogo aberto e extensivo acerca da AIDS dá até a impressão de que ela se tornou um problema secundário, e não tão grave quanto antes. Mas, não é bem assim – especialmente para a população mais pobre.

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a prevalência do HIV nessa população [em situação de vulnerabilidade] passou de 0,09% para 0,12%. O estudo também revela que quanto menor a escolaridade, maior o percentual de infectados pelo vírus da aids (prevalência de 0,17% entre os meninos com ensino fundamental incompleto e 0,10% entre os que têm ensino fundamental completo)”. (Dados do portal aids.gov)

A faixa etária em que a AIDS é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade, embora dos 13 aos 19 anos as mulheres sejam as mais afetadas pelo vírus.

Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical”. (Dados do portal aids.gov)

Os avanços da ciência permitiram que muitos soropositivos hoje tenham mais qualidade de vida para conviver com essa doença. No entanto, segundo Richard Parke em seu artigo “O Fim da AIDS?“, publicado no site da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS:

De certa forma, é preciso reconhecer que esta promessa do fim iminente da epidemia também é uma ideologia. Pode ser bem intencionada, ao contrário do vírus ideológico do estigma e da discriminação, mas ainda assim é uma ideologia que está circulando na mídia e em vários discursos de uma forma muito perigosa – precisamente porque cria uma visão “dourada” de sucesso na luta contra a epidemia, mas que não tem nada a ver com a realidade da AIDS que as pessoas vivendo com o HIV vivenciam“.

Estas informações indicam que a gente precisa continuar tocando na tecla de que a AIDS mata. Conscientizar os jovens, principalmente as mulheres – a nunca, NUNCA abrirem mão do preservativo, empoderar as adolescentes para conhecerem sua sexualidade e as formas de se protegerem contra doenças. Cobrar dos governos mais soluções, como mutirões de testes, distribuição de camisinhas, projetos de conscientização. Iniciativas como esta precisam fazer parte da nossa vida novamente.

A AIDS mata, não tem cura e é uma doença gravíssima. A luta contra ela ainda é uma realidade. Ignorar que a doença existe ou simplesmente não falar sobre ela não a fará desaparecer. Por isso, converse com suas amigas, filhas, alunas, sobrinhas, mães, tias, avós. Espalhe informações. Use camisinha. Cuide-se!

Para saber tudo sobre prevenção, acesse http://www.aids.gov.br/pagina/previnase

Assista abaixo ao vídeo da ONU sobre o Dia Mundial de Combate à Aids.

#precisamosfalarsobrehiv.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

A prática torna as coisas possíveis

– por Mariana Zambon Braga

[cml_media_alt id='589']Imagem: William Schneider[/cml_media_alt]
Imagem: William Schneider
Estamos acostumadas a ouvir a máxima “A prática leva à perfeição”, que nos leva a crer que, um dia, seremos perfeitas em alguma coisa que fazemos. Seja nos esportes, na música, na carreira profissional, parece que essa é a única frase motivacional utilizada, ou válida, para nos estimular a seguir em frente.

Será que essa frase nos ajuda, ou nos intimida?

Criamos expectativas de que a perfeição está lá no horizonte, e que um dia atingiremos tal estado de elevação, basta ter determinação e focoMas, sejamos realistas: alguma coisa nessa vida é perfeita? Não. E nós também nunca seremos. 

Reconhecer isso está bem longe de ser um pensamento pessimista. É possível, sim, atingir um alto nível de excelência através da prática ao longo do tempo, da dedicação e da persistência, do trabalho concreto e árduo.

Ainda assim, eu preciso enfatizar uma coisa para você: A prática não leva à perfeição, e sim ao progresso. Quanto mais nos dedicamos a uma atividade, mais mergulhamos no que significa, de fato, realizar aquilo. E isso não tem nada a ver com a perfeição.

Eu só consegui compreender este conceito, de forma mais aprofundada, quando voltei a escrever. Meu desejo era produzir a mais brilhante obra literária do século XXI, mas negligenciava a prática diária e os exercícios de escrita. Aguardava uma inspiração do universo, para depois começar a escrever. Para ser sincera, nem tinha certeza sobre o que gostaria de falar. E, antes mesmo de sentar para redigir alguma coisa, eu já desistia, porque sabia das minhas limitações, e achava impossível criar qualquer coisa relevante.

Quando passei a escrever todos os dias, procurando aperfeiçoar o meu conhecimento, meu estilo, a maneira como interajo com as emoções, as descrições e ambientações, parece que um novo mundo se abriu. Adquiri confiança em mim e na minha mente. Consegui enxergar as minhas limitações, para poder trabalhar nelas, ou aceitá-las com humildade e compaixão. E, desde então, não parei de praticar e estou produzindo mais textos do que nunca na vida. Não porque quero ser a escritora perfeita, mas porque desejo superar meus próprios limites e compreender melhor essa minha vocação. Em resumo, me tornei consciente do que é escrever. E levei trinta e quatro anos para chegar aqui.

Em tudo na vida, a estrada do aprendizado é longa. E isso não quer dizer que, um dia, chegaremos à perfeição sublime e imaculada. Quer dizer que seremos melhores e mais capazes de compreender seja lá o que for que estejamos praticando.

Por isso, antes de desistir no meio do caminho, pois a perfeição parece distante e inatingível, lembre-se de que “progredir” e “aperfeiçoar” são mais importantes do que “ser impecável”. Defina suas metas, busque sempre melhorar, mas levando em conta as possibilidades reais da sua vida. Quanto mais a gente se perde em objetivos irreais e inatingíveis, fica muito mais difícil dar o primeiro passo.

Seja gentil consigo mesma. Esqueça a perfeição e lembre-se que a prática é o que te torna melhor, mais preparada, mais confiante, capaz de realizar a sua atividade profissional, ou o seu propósito de vida, de forma mais consciente. E é isso o que realmente importa.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.