A vida não é uma linha reta

– por Mariana Zambon Braga

Quando pensamos nos nossos objetivos e nos planos que traçamos para alcança-los, a tendência é idealizarmos uma linha perfeita, reta e precisa. Como um gráfico pontilhado de lógica e verdades. Depois de destrinchar todas as possibilidades da realização de um sonho ou projeto, desenhamos um mapa e colocamos o pé na estrada, por assim dizer.

A meta está lá, no fim do traço, na seta, no ponto de chegada. Está implícito que partimos apenas de um ponto fixo em nossa linha do tempo. Estamos no ponto A e desejamos ir ao ponto B, que no futuro se transformará em ponto C e assim por diante. Porque, obviamente, com o passar do tempo, teremos novos objetivos a conquistar.

E como nosso tempo sempre é curto, temos pressa de chegar ao final. Por isso, é comum ignorarmos os contratempos. Quer dizer, nós os consideramos – afinal, todo plano que se preze leva em conta os possíveis cenários negativos.

Traçamos diversas retas de um ponto a outro, imaginando quais serão os pit stops necessários ao longo do caminho. No âmbito profissional, essas paradas podem significar um curso, uma especialização, a expansão dos negócios. No contexto pessoal, podem ser as metas de relacionamento, autoconhecimento, tudo aquilo que consideramos vital para o nosso crescimento como seres humanos.

Mas, o que acontece quando essa linha se entorta um pouco para a direita, para a esquerda, desenhando traços sinuosos e curvas imprecisas? Será que estamos preparadas para pegar um desvio ou recalcular a rota?

Uma estrada tortuosa

Por mais que o nosso plano seja realista, a verdade é que é impossível prever tudo o que pode dar errado ou fugir do nosso controle. Ainda que nosso foco esteja bem estabelecido em nossos projetos, precisamos compreender que a existência não é algo linear. Esta seta imaginária que traçamos rumo ao tão sonhado horizonte pode se romper, por motivos que fogem ao nosso controle. E está tudo bem.

Um dos grandes aprendizados que a maturidade nos traz é compreender que o controle é algo que pode nos escapar por entre os dedos num piscar de olhos. E para manter a sanidade, para poder continuar em pé em meio à tempestade, é essencial termos em mente que, em algum momento da vida as coisas não vão sair como planejamos.

Pode ser que você saiba exatamente o que fazer para chegar aonde deseja. E, no meio do caminho, decida que não era bem esse o lugar onde queria estar.  Talvez, nesse momento de incerteza, uma luz de emergência se acenda dentro da sua bússola pessoal, indicando que não é possível voltar atrás, ou o fracasso será iminente.

Uma nova perspectiva

Vou te contar um segredo: não tem problema se você voltar atrás.  Às vezes, é a melhor coisa a se fazer. Escolher um novo ponto de partida, vislumbrar novos horizontes. Reinventar as suas possibilidades. Ainda que o objetivo permaneça o mesmo, você certamente não será a mesma, e isso, por si só, já é um novo começo.

A vida não é linear. É inconstante, tem caminhos tortuosos, nos faz tropeçar e mudar de rumo.  E muitas vezes são os terremotos e os imprevistos que nos ajudam a enxergar os cenários mais gratificantes.

No fim das contas, mais importante do que aonde iremos chegar é toda a jornada que nos leva até lá.


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.

Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. 


Imagem: Pexels

Você prefere ter razão ou descobrir a verdade?

– por Mariana Zambon Braga

Durante séculos, a humanidade tem desenvolvido ferramentas para investigar a verdade dos fatos da vida e do universo. A filosofia, os métodos de investigação científica, a racionalidade, de modo geral, nos auxiliam a organizar o pensamento e a demonstrar uma resposta através de mecanismos minimamente concretos.

Ignorar todo esse processo de evolução do pensamento é algo inimaginável, não é mesmo? Porém, a cada dia mais e mais notícias falsas pipocam em nossas timelines e presenciamos discussões embasadas em argumentos inexistentes – exceto pela máxima “essa é a minha opinião”.

Uma opinião não vale mais do que a verdade absoluta, por mais que nossas crenças pessoais sejam apaixonadas. Vocês acreditam que existe um grupo de pessoas que jura que a Terra é plana? E ai de você se tentar convencê-los do contrário, apresentando fatos.

Tudo isso porque nós achamos que estamos com a razão, que estamos certas, mesmo quando não estamos. E por que será que a gente resiste em aceitar que a nossa opinião ou nossas ideias estão erradas?

Quando se trata de opinião, somos, em maioria, combatentes. Tomamos nos braços o tesouro precioso criado pela nossa mente, formado por nossos conceitos e ideias, os trancamos em um baú bem protegido. Mostramos ao mundo quando desejamos e, pelo medo de sermos roubadas, voltamos a trancafiar a preciosa opinião a sete chaves, evitando ao máximo que ela seja transformada.

Queremos estar certas. Queremos vencer a batalha da argumentação. Isso nos dá uma sensação de poder, inteligência, sabedoria e validação. Queremos que a nossa visão de mundo prevaleça, acima de tudo.

Parece até que mudar de opinião é algo que nos rouba de nós mesmas. Embora, obviamente, não roube. O nosso valor pessoal não está atrelado ao fato de estarmos certas ou erradas a respeito de alguma coisa. 

Em sua palestra no TED, Julia Galef nos mostra que defender as suas crenças não é uma questão de personalidade forte, mas de mentalidade. Ela afirma que existem dois tipos predominantes de mentalidade: a do soldado, e a do batedor.

A mentalidade do soldado fará o que for preciso para combater as ideias inimigas, atacando-as, ou defendendo as suas próprias noções sobre o assunto em questão. É o que os cientistas chamam de tendência cognitiva ou viés cognitivo – que, em resumo, nos leva a tomar decisões com base nas emoções, e a confirmar teorias sem nenhum embasamento, apenas pelo “achismo” e pela validação de outras pessoas. Traduzindo: é uma mentalidade fechada.

Já a do batedor tentará ter uma visão clara da verdade, ainda que ela seja inconveniente ou nada prazerosa. O batedor não tentará vencer, mas sim procurar conhecer o cenário, identificar o que existe no plano real, investigando a situação da forma mais precisa e franca possível. A mente do batedor está sempre aberta.

Segundo a palestrante, essa é uma mentalidade fascinante. E eu tenho que concordar com ela. Vencer as barreiras dos nossos próprios preconceitos e tentar enxergar os fatos é muito difícil. Envolve admitir que nossos julgamentos estão errados, deixar de lado o nosso ego e as nossas emoções. Ser um pouco mais racional, perseguir mais a curiosidade.

Isso não significa que defender um ideal é algo errado ou contrário à racionalidade, de forma alguma. Porém, antes de tomar essa crença como sua e tentar defendê-la com unhas e dentes, busque a verdade. E, se você perceber que estava errada, tudo bem. A mente aberta é o que nos move a conhecer cada vez mais o mundo e a vida como realmente são. Na pior das hipóteses, nos ajuda a enxergar um pouco o outro lado da moeda.

Encerro este textão com o questionamento final da palestrante: “O que você mais anseia? Defender as suas crenças ou enxergar o mundo da forma mais clara possível?”

Confira o TED Talk da Julia na íntegra:


Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.


Imagem: Unsplash

 

Tenho meu objetivos e metas traçados… na minha cabeça

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Eu não quero jogar um balde de água fria na sua empolgação, mas se seu objetivo está perfeitamente traçado na sua cabeça, você não tem objetivo algum. Eu sei que sua memória pode ser impecável e não duvido que você seja capaz de explicar todo o seu plano numa sentada. Mas para chegar onde quer que seja, você precisa de duas ferramentas importantíssimas: papel e caneta.

Sempre que uma associada começa a trabalhar conosco na Feminaria a primeira tarefa sempre é “Definição de Objetivos”, não importa a fase do negócio ou carreira em que ela está; se ela chegou até aqui é importante definir exatamente o que ela pretende. Só assim podemos ter uma noção do desenvolvimento e das possíveis alterações da rota.

São os objetivos que nos movem e são eles que determinam nosso desenvolvimento, sejam eles pessoais ou profissionais. Determinar os objetivos é como criar uma história: o mais importante é tornar essa história viável e sustentável. Não importa o quão grandes são seus objetivos; uma vez que você tenha isso no papel poderá trabalhar neles de acordo com a viabilidade de cada um.

Sem querer parecer alarmista, te digo: um objetivo bem definido é o que vai te destacar dos seus concorrentes.

 

Se você for buscar as dicas e conselhos de grandes atletas, empresários e empresárias notáveis e grandes empreendedoras de todos os mais diferentes tipos de atuação eles sempre dirão que ter uma boa definição de onde queriam chegar fez toda a diferença.

Ao definir um objetivo de maneira clara e honesta – você estará se ajudando na definição de foco e na busca dos conhecimentos necessários para planejar e organizar seus recursos e seu tempo, de forma que você possa tirar o melhor proveito de sua vida, em todas as áreas.

Montar um painel com a definição dos seus objetivos vai envolver tomada de decisões, pois será importante refletir sobre o que você realmente quer fazer com sua vida pessoal e profissional. Definindo objetivos você criará metas, além de refletir sobre quais passos você precisará dar para alcançar cada uma delas, a curto, médio e longo prazo.

São muitos objetivos? Não se preocupe, a ideia é ter uma visão macro e depois quebrá-la em várias partes pequenas e gerenciáveis, cada uma com um prazo de cumprimento diferente. Começamos pelas metas de maior facilidade de realização, até que possamos ter uma base forte o suficiente para caminharmos em direção às metas maiores.

 

Com todos os objetivos colocados no papel, diariamente você terá a oportunidade de cumprir alguma das metas definidas. Realizar uma meta desperta uma enorme sensação de dever cumprido -não importa se a tarefa foi mínima – o importante é que ela esteja dentro do seu plano e seja um degrau em direção à realização do seu objetivo principal.

Habilidades e conhecimentos serão colocados à prova uma vez que seus objetivos sejam definidos.

 

Quando você começar a desenhar seu painel, você vai ver que precisará de habilidades e conhecimentos específicos. Será que seus objetivos exigem que você tenha um certo grau de conhecimento ou uma certa especialização? A partir daí você vai poder decidir se buscará essas capacidades em parcerias ou se vai se dedicar a estudar e tentar adquirir as habilidades necessárias.

Colocar objetivos no papel servirá como um guia, um mapa para alcançar suas metas, mas também será uma incrível ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento de autoconsciente – duas capacidades importantíssimas no mercado atual.

Para concluir: desmembre seus objetivos em grandes e pequenos, de longo, médio e curto prazo. Definir objetivos profissionais pode ser feito dessa forma. Para definir objetivos de vida faça uma viagem no tempo: em 10 anos, 5 anos, 1 ano, 6 meses. Percorra assim até que chegue nos pequeninos, mas não menos importantes – os planos semanais e diários. Não pense no tempo que esse trabalho vai levar, pense no tempo que esse trabalho vai otimizar.

Tenha metas e objetivos bem definidos e seja flexível o bastante para entender que rotas são alteráveis. E saiba que estamos aqui para te apoiar durante todo o caminho.

Como disse Hermann Hesse em Sidarta: “Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagens: Pinterest

Você tem ideias para ganhar dinheiro, mas já se perguntou se tem mercado para elas?

Você tem ideias para ganhar dinheiro, mas já se perguntou se tem mercado para elas?

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Eu sei que é duro ouvir isso, principalmente vindo de uma pessoa que diz o tempo todo que você deve ser protagonista da sua vida, mas para o assunto que vamos desenvolver agora o que você quer – de fato – não importa nem um pouco.

Para quem você empreende? A resposta a essa pergunta diz muita coisa sobre o seu negócio e a saúde dele. Vamos usar o exemplo de duas empreendedoras fictícias que vão nos ajudar a ilustrar esse artigo.

Valéria – 35 anos, fisioterapeuta, dedicou-se a carreira formal por 10 anos, mas apaixonada por bolsas que era, decidiu importar bolsas de marcas incríveis e vende-las no Brasil. O negócio da Valéria tem 1 ano e 6 meses e ela procurou a Feminaria com um problema bastante comum: ela não estava vendendo.

Andrea – 34 anos, técnica em nutrição, trabalhou numa grande empresa durante 6 anos, mas sentia que ali não conseguiria resolver uma questão que a incomodava há anos: as “sobras” de alimentos que iam para o lixo. Andrea largou o emprego formal e montou sua consultoria – ela vai aos estabelecimentos ensinando como aproveitar as sobras dos alimentos. O negócio dela tem 1 ano e ela procurou a Feminaria com um problema: ela cresceu e não consegue dar conta sozinha de todos os seus clientes.

Te pergunto: por que o negócio da Andrea não para de crescer, enquanto que o da Valéria está parado e ela não consegue sequer dar vazão ao estoque? Lembrando que ambas são apaixonadas e muito dedicadas ao próprio negócio.

A resposta é simples, porém, nada óbvia para quem está iniciando o próprio negócio: uma delas resolve um problema que atinge muitas pessoas, problema esse com o qual as pessoas se importam. As sobras de alimento são um problema não só financeiro – para quem precisa gerir grandes quantidades de alimento – mas também social – quantas pessoas poderiam ser alimentadas de forma saudável com a sobra de alimentos de grandes estabelecimentos?

Essa é a maior lição que você precisa aprender sobre empreender: você precisa entender a realidade do mundo. Muito mais importante do que a sua formação profissional, seus MBAs, os idiomas que domina e a universidade que frequentou, sua capacidade de entender “as dores do mundo” – ou do seu público – é que farão a diferença no seu negócio.

Que problema você resolve?

Já que você se interessou por esse artigo, me sinto no dever de lhe dar ao menos uma pista sobre o que pode ser feito para não repetir a precipitação da nossa personagem Valéria. Caso você esteja flertando com o empreendedorismo, ou pensando em transacionar de carreira, a minha dica é simples: procure por um problema.

Quando pensamos em empreender, nosso cérebro nos direciona – quase que automaticamente – a oferecer uma solução – mas como sabemos se essa solução é útil ou de fato resolve um problema? Quando pensamos em oferecer uma solução temos que buscar um problema e adaptá-lo ao que criamos. Isso faz algum sentido pra você? Tomara que não…

Quando começamos por descobrir um problema, só precisamos ajustar nossa mente e focar nossos esforços e criatividade na resolução dele, com toda a liberdade do mundo!

Resolvendo o problema

Numa realidade em que para quase tudo basta que apertemos um botão, não será você a pessoa a oferecer um complexo conjunto de soluções, sob pena de que ela perca o efeito “solucionador” e se torne um problema para o seu público. Simplicidade é a palavra de ordem, mantenha sua criatividade sob a luz da simplicidade.

Engana-se quem pensa que essa parte é fácil, como disse Clarice Lispector: “só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”. Coisas simples são mais baratas de serem construídas, não requerem apresentações mirabolantes para serem entendidas e consequentemente vão resultar num produto mais acessível financeiramente – ou seja, você poderá se preocupar menos com a “venda” da sua ideia, produto, ou serviço.

Quem se beneficia?

Seu público em potencial! Quem são as pessoas que terão a vida facilitada a partir da sua ideia / produto / serviço / negócio? A única maneira de você descobrir quem são essas pessoas é misturando-se com elas. Envolva-se com os problemas das pessoas ao seu redor, converse com amigos, familiares, colegas de trabalho, entenda a realidade deles e como eles lidam com o problema que você identificou.

Lembra do seu trabalho de conclusão de curso? Pois aqui a dinâmica é quase a mesma: você precisa investigar.

Ação

A hora e a vez de comprovar se sua ideia é doable – ou sejadescobrir se é possível colocar em pratica e trazer pro plano das coisas reais todo esse cenário hipotético que você criou. Esse é seu maior desafio. Aqui você vai precisar dedicar tempo e se comprometer, não vai importar se um dia você acordar sem motivação ou sem vontade, você tem um trabalho a ser feito e sua dedicação será o divisor de águas entre uma pessoa que tinha planos e uma pessoa que realiza projetos.

Coloque no mundo

Você passou por toda essa trajetória e vai colocar todo esse trabalho debaixo do travesseiro esperando que a fada do dente venha te deixar um dinheirinho? Não mesmo!

Coloque a sua criação no sol, mostre para as pessoas, coloque em prática, arrisque. Coragem, my dear, não é sobre uma força sobrenatural, a coragem é a capacidade de tentarmos quantas vezes forem necessárias para alcançarmos o objetivo que desenhamos para nossa vida.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagens: Pinterest

Formalize suas relações comerciais – 5 bons motivos para usar contratos

– por Tatiana Dias

Basta conversar com meia dúzia de amigas para saber que a contratualização das relações comerciais é algo completamente alheio à realidade da maior parte das pequenas empreendedoras brasileiras. Prestadoras de serviço autônomas e pequenas empresas têm o costume de trabalhar sem nenhum tipo de formalização, contando apenas com acordo “de boca” ou algumas mensagens trocadas.

No mundo ideal, ninguém precisaria de contrato, todos se comunicariam perfeitamente, não haveria descumprimento dos combinados, nem litígio. Mas vivemos no mundo real, em que a falta de um contrato claro e formalizado por escrito pode acarretar problemas bastante sérios e consequências devastadoras para uma pequena empreendedora.

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É verdade que a maioria das pessoas nem imagina por que deveria investir na formalização de contratos com seus clientes. Por isso, vou listar apenas alguns bons motivos para nunca trabalhar sem um contrato:

1. O contrato irá definir de forma clara e definitiva o que está sendo oferecido e o que o cliente pode esperar de você.

Pode parecer estranho, mas é imensa a quantidade de problemas que surgem pela falta de definição clara do que será entregue ao cliente, seja seu negócio um serviço ou produto.

Muitas vezes são feitas diversas tratativas com o cliente e não é definida claramente a proposta final. O que devemos ter em mente é que a comunicação é um dos maiores problemas da humanidade e talvez não seja muito prudente contar com uma comunicação sem falhas nos seus negócios.

No contrato, uma das principais cláusulas sempre deverá ser o Objeto e a Abrangência da contratação, que deverá ser redigida da forma mais clara possível, deixando demarcado para o cliente e para o fornecedor exatamente o que deverá ser entregue.

Você sempre poderá se remeter ao contrato quando o cliente quiser incluir “mais um negocinho” no job, que não foi negociado no preço do serviço ou produto.

2. O contrato irá esclarecer os limites da relação.

Cada pessoa ou empresa trabalha de um jeito, tem seus critérios de atendimento, forma de relação com o cliente, prazos de resposta e forma de trabalho.

Essas questões normalmente são ignoradas na negociação e se isso não ficar claro para o seu cliente, a chance de ter problemas é bem grande.

Um bom contrato tratará sobre os limites da relação, garantindo que não haja frustração para o cliente, nem sobrecarga para a empreendedora e aumentando as chances de uma boa relação comercial.

Acredite, se o cliente souber os limites quando está contratando, observar esses limites será muito menos frustrante e ele vai evitar bastante te ligar para reclamar da vida às 7h do domingo.

3. Ter um contrato reduz a chance de não receber o pagamento.

Não só de não receber, mas de receber no prazo e forma combinados.

No contrato, tudo fica ajustado bem certinho para que, depois, não haja discussão sobre os valores devidos, prazo, data e forma de pagamento. Dessa forma, você não terá problemas para cobrar exatamente o que foi contratado, inclusive judicialmente, se necessário.

Além disso, o contrato poderá instituir garantias para assegurar o cumprimento da obrigação (no caso, o pagamento), como multas, retenção do produto ou serviço, entre outras.

Ou seja, ter um contrato escrito não garante que você vai receber, mas reduz significativamente essa chance, além de criar mecanismos de ‘compensação’ em caso de não-pagamento ou atraso.

4. Ter um contrato sugere que seu trabalho é profissional.

Apresentar um contrato escrito ao cliente pode ser um receio de muitas empreendedoras, que imaginam ser um ônus a mais para a contratação. Porém, o que se deve ter em vista é que um bom contrato traz segurança para ambas as partes e um cliente sério não vai se opor a contratualizar o negócio, pelo contrário, irá se sentir mais seguro para contratar seu serviço ou produto.

A formalização do negócio irá sugerir que você ou sua empresa são negócios profissionais, que sabem o que estão fazendo e não estão para brincadeira. O benefício colateral disso ainda é cair fora de furada. Se o possível cliente não estiver com intenção de honrar o combinado, vai pular fora e você vai se livrar de uma roubada.

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5. O contrato define claramente como se dá o encerramento do negócio.

Além de definir o encerramento regular do negócio, com a conclusão do serviço ou entrega do produto e correspondente contraprestação, um bom contrato também irá estabelecer as situações em que ambas as partes podem romper o negócio antecipadamente, com ou sem justa causa, o prazo de antecedência para a rescisão e multas pela rescisão antecipada.

Isso é especialmente importante em relações de médio e longo prazo, quando há diversos itens envolvidos ou a prestação de serviço se dá de forma contínua ao longo do tempo, afinal, é preciso definir o que justifica a ruptura do acordo sem cumprimento e quais os critérios para que isso aconteça de forma a reduzir o prejuízo de ambas as partes.

Esses são apenas alguns benefícios. Outras previsões podem ser de extrema importância em casos específicos, como aqueles que envolvam direitos autorais, direitos de imagem ou responsabilidade profissional regulamentada.

Cada empreendedora enfrenta dificuldades e suporta necessidades específicas. Por isso, a elaboração de um bom contrato é uma tarefa a dois, entre advogada e empreendedora, pois você é a melhor pessoa para dizer o que você oferece, quais os maiores riscos e o que é mais importante destacar para proteger no seu negócio.

A conclusão, empreendedoras, é que um bom contrato “guarda-chuva”, que possa ser adaptado a cada nova contratação, pode ser um dos melhores investimentos que você pode fazer pelo seu negócio.

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Precisa de mais informações sobre essa ou outras questões jurídicas? A Tatiana é Consultora da Feminaria e oferece atendimento às nossas Associadas. Para agendar o seu horário, entre em contato pelo telefone (11)2737.5998 e verifique a disponibilidade. Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br

Tatiana Dias

Graduada em Direito (PUC-SP) e pós-graduada em Direito e processo do trabalho (PUC-SP) e formação em Mediação (ESA SP), Negociação sindical (FGV SP) e Coaching Ontológico (Instituto Appana SP). Com experiência de 10 anos nas diversas áreas do Direito, atualmente atua especialmente com Direito trabalhista, cível e contratual. Estuda relações de trabalho, contratos, soluções alternativas de conflitos, filosofia, gênero, empreendedorismo e desenvolvimento humano. 

Como a auto-sabotagem pode estar atuando na sua vida

– Por Gisele Ventura

A auto-sabotagem é um mecanismo muito comum, que opera de modo inconsciente fazendo com que puxemos nosso próprio tapete. Curiosamente com o intuito de nos proteger e nos manter na zona de conforto.

Como funciona a auto-sabotagem?

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Imagem: Raquel Aparicio

Após tantos envios de currículos, entrevistas, estudo e preparo, finalmente A. consegue o emprego dos seus sonhos. Logo no início, ansiosa para colocar seus potenciais em ação e mostrar a que veio, ficou com a saúde abalada. Tentou resistir, compareceu a empresa assim mesmo durante alguns dias, até que acordou tão fraca que precisou ser levada ao pronto socorro. O diagnóstico não foi tão grave mas exigiu uma semana em repouso.

Aniversário de dez anos de casamento, JP resolve fazer uma surpresa para sua esposa e compra um lindo anel de brilhantes em uma famosa joalheria. No estacionamento do shopping, coloca o pequeno pacote em cima do capô do carro enquanto procura a chave nos bolsos. Alguns minutos depois, já na rua se dá conta de onde havia deixado o presente. Tarde demais.

R., uma mulher bonita, profissional reconhecida, criativa, cheia de vida não consegue encontrar um parceiro para um relacionamento satisfatório. Conhece muitos homens, por meio de apresentações de amigos, encontros profissionais, aplicativos, eventos. Mas, em algum momento da relação percebe que tem uma característica em comum: parecem estar procurando uma mulher para sustentá-los.

Situação comum: Mulheres que gostariam de trabalhar mas que acabam ficando em casa após o nascimento dos filhos, até que não conseguem se recolocar mais (salvo as que realmente fizeram esta opção de forma consciente) muitas vezes estão sabotando suas carreiras.

Exemplos não faltam a respeito de auto-sabotagem. A auto-sabotagem é um tema tão presente nas nossas vidas, mas ao mesmo tempo tão difícil quase impossível de nos darmos conta. Por quê?

Porque ocorre em um nível inconsciente, tão profundo da nossa psique que não somos capazes de enxergar a olho nu. E, falar em auto-sabotagem, no exemplo de uma doença física, que aparece nos exames, parece até loucura não é?

“Como assim eu estaria provocando esta doença em meu corpo?”, você pode estar se perguntando.

Sim, concordo que é um assunto muito delicado e pode ser até mesmo soar como ofensivo ou leviano para quem sofre de alguma doença. Então, reforço que não necessariamente todo adoecimento é provocado pelas emoções. Existem fatores genéticos, doenças herdadas, ou geradas pelo ambiente, hábitos ou mesmo pela toxicidade dos alimentos.

Mas o inconsciente sim tem o poder de desencadear crises, agravar ou abrandar o problema. E, em algumas situações pode ser a fonte causadora.

A auto-sabotagem se disfarça de tantas formas, que parecem ter explicações tão racionais que realmente fica difícil visualizar que podemos estar sabotando nosso sucesso, saúde, relacionamentos e bem estar de modo tão imperceptível.

Mas afinal, porque no auto sabotamos?

Cada caso é um caso, não tem como generalizar, o mundo psíquico é vasto e extenso, atemporal. Composto pela nossa história, pelas nossas interpretações dos fatos da vida, nossos registros, memórias.

As pessoas se sabotam por inúmeras razões, mas que só podem ser compreendidas com um trabalho profundo de autoconhecimento. A grosso modo podemos conjecturar que é uma forma do ego se proteger de situações ameaçadoras. Para clarificar, segue alguns motivos comuns:

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Culpa:

Crescemos sob a sombra da culpa. Seja vinda da religião: “se não for bonzinho (a) vai para o inferno.” “Tem que colocar a necessidade dos outros antes da sua.” etc.

Conheci uma pessoa que pedia para o filho de 8 anos, todas as noites refletir sobre seus pecados.

Ou culpa cultivada no ambiente familiar: “tem que ser boazinha/bonzinho, responsável, dar a sua vez, cuidar dos seus irmãos pois você é mais velha/velho, compartilhar seus brinquedos ou doces, tem que ter as melhores notas”.  Muitas crianças sentem-se culpadas por brigas em casa e separação dos pais.

É importante salientar que não se trata necessariamente de pais ou cuidadores mal intencionados, mas sim a forma como os conceitos são passados de geração em geração. Muitas vezes com o intuito de educar ou proteger os filhos de perigos e exposições, afinal foi a forma com que estas famílias aprenderam a educar.

A culpa também tem uma função importante no ser humano e na sociedade, imagine se não tivéssemos culpa? Que caos que seria!

A questão é: como a culpa atua na auto-sabotagem. A culpa é sinal de não merecimento. Então se você, inconscientemente acredita que não merece algo bom, sucesso profissional, um relacionamento, uma família, um carro ou casa novos, uma viagem, amigos, tem que dar um jeito de colocar a perder certo?

Inveja:

Apesar de ser um sentimento tão condenado, todos nós, de uma forma ou de outra já sentimos inveja. Seja na infância, adolescência ou vida adulta. Em algum momento acreditamos que seria nosso direito ter o que pertence ao outro. Que o outro não deveria ter conquistado aquilo que cabia a nós. Quem nunca chegou a torcer em silêncio contra o sucesso de outra pessoa, ou não fez uma fofoquinha maldosa?

Assim sendo, quando sentimos inveja, acreditamos também que não podemos possuir algo bom. Pois, da mesma forma que desejamos secretamente que o outro perca sua conquista, acreditamos que como “castigo” perderemos a nossa também. Parece complexo, distante ou surreal demais? Sim. Assuntos do inconsciente são muito profundos para serem tratados em um texto sucinto.

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Síndrome do Impostor:

A síndrome do impostor é um nome um tanto quanto pitoresco e nada científico dado a um sentimento de incompetência e ineficiência. Ou seja, pessoas que acreditam que no fundo são uma fraude. Vivem com medo de que descubram sua “verdadeira face”. Muitas vezes são pessoas bem intencionadas, competentes, capazes, éticas mas não se apropriam de suas capacidades devido à baixa autoestima, e pouca confiança em si mesmas.

Apesar de não ser de fato uma “síndrome” pois não consta em manuais da medicina, é um estado muito comum que impede a pessoa de crescer e evoluir. Esse sentimento, o medo de “ser descoberta” a impede de alçar voos mais altos, decolar na carreira, na vida pessoal. Então, de alguma forma, o indivíduo dá um jeito de colocar tudo a perder antes que isso aconteça.

Ganhos Secundários:

Situações novas muitas vezes são desconfortáveis, nos tiram de um lugar conhecido. Talvez não tão bom, mas familiar. O sucesso, o novo, por sua vez nos traz um certo desconforto, o medo do desconhecido. Quais serão as novas responsabilidades? Que tipo de situações negativas terei que lidar quando meus desejos se realizarem?

A questão é que muitas vezes temos um ganho em permanecer em uma situação desfavorável.

Quando estamos doentes recebemos cuidados, atenção. Nos livramos de afazeres chatos, de responsabilidades.

Quando ficamos no lugar de “coitadinhos” acreditamos que atraímos a complacência ou empatia das pessoas. Ao contrário de quando ocupamos uma posição de destaque, de sucesso, tememos a inveja, receamos perder a companhia ou o apoio de determinadas pessoas. Ou, as pessoas podem começar a nos procurar para pedir ajuda.

O sucesso traz desafios, responsabilidades, trabalho. É necessário mantê-lo, cuidar da imagem, vigiar suas atitudes. Dá trabalho! Nem sempre desejamos pagar o preço.

Mas lembrem-se, tudo isso ocorre em um nível inconsciente, ou seja, invisível a olho nu!

Medo de comprometer o relacionamento ou a estabilidade familiar:

Quando as pessoas mudam ou saem da sua zona de conforto, estas mudanças podem interferir na dinâmica do seu ambiente. Por exemplo: a mulher vai para o mercado de trabalho e sai do papel de dona de casa, precisa contratar pessoas para dar conta da rotina doméstica ou cuidar das crianças, ou mesmo contar com a ajuda de familiares. Este trabalho pode implicar em viagens ou eventos que talvez não seja do agrado do cônjuge. Ou o restante da família pode julgá-la.

Algumas mudanças podem fazer com que cônjuges ou outros familiares fiquem insatisfeitos seja por sentirem-se ameaçados, com inveja ou sobrarão mais atividades para eles de modo que perderão certas comodidades. Inibida por essas possíveis reações negativas, a pessoa pode retroceder ou fazer com que seu projeto não dê certo por inúmeras razões que só o inconsciente é capaz de criar. Mas como ela mesma não se dá conta, logo arruma várias explicações e justificativas plausíveis e racionais para tanto.

Amelie - Nino & Amelie

Desejos contraditórios:

É uma situação muito comum. Algumas vezes desejamos exatamente o oposto daquilo que demonstramos ou lutamos para acontecer. Seja para atender uma exigência da sociedade, da família, ou para adquirir status e prestígio (pessoas com baixa autoestima).

Exemplos: perder dia da prova de vestibular, ou processo seletivo. Desejo de engravidar mas sofre abortos naturais sucessivos. Fazer uma má apresentação do TCC ou tese de mestrado.

Um executivo pode cometer um erro grave que venha a acarretar prejuízos para a empresa, vir a ser demitido e ficar arrasado. No entanto, já está há um tempo infeliz e desejando mudar os rumos da sua vida profissional. Claro que ele não queria prejudicar a empresa tampouco sua carreira, pelo menos de forma consciente.

Em um dos exemplos iniciais, o homem que deixa a joia que seria presente para sua esposa no capô do carro. Como estaria este relacionamento? Será que ele realmente desejou dar este presente a esposa?

Vingança:

Sim, as pessoas podem sabotar sua realização pessoal, sua saúde, seus projetos para punir ou se vingar de alguém.

Se mantem em uma posição de doente ou dependente para que algum familiar banque suas despesas, fique a sua disposição para o que for necessário.

Seja por mágoa, raiva dos pais ou cônjuge ou mesmo dos filhos, algumas pessoas se colocam nesta posição, prejudicando acima de tudo a si mesmas. Não se libertam e não libertam os outros envolvidos do encargo.

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O assunto auto-sabotagem é muito amplo, a intenção deste texto foi apenas arranhar a superfície de um tema tão rico e fascinante. Fascinante e ao mesmo tempo trágico e real, muito real.

Tal termo não é de uso científico da psicologia, mas utilizado pelo senso comum. No entanto, são encontrados na literatura de estudiosos consagrados como Freud, C. G. Jung, Melanie Klein entre outros, referencias claras a situações de auto-sabotagem mas com diferentes nomenclaturas.

Como estes autores abordam basicamente a vida psíquica, o inconsciente, praticamente todos os casos clínicos e seus transtornos tem conteúdos relacionados a auto-sabotagem.

Talvez você esteja se perguntando nesse momento onde e como a auto-sabotagem se aplica a você, na sua vida. Se você percebe que ocorrem situações repetitivas que te prejudicam ou te impedem de alcançar seus objetivos, é bem provável que esteja nesse ciclo. Para detectar e romper e assim adquirir mais autonomia sobre sua vida, o caminho é um trabalho profundo e paciente de autoconhecimento.

Pode causar medo, ansiedade e há possibilidades de surgirem várias resistências e empecilhos pelo caminho para que fique onde está. Pelas mesmas razões mencionadas no decorrer do texto. Mas, no que tange ao autoconhecimento o lema é: “quebre as pontes que atravessar!”.

Gisele Ventura Essoudry

Psicóloga clínica especialista em Saúde Mental pela UNIFESP, coach e orientadora profissional. Em razão da também graduação em Marketing, trabalhou por quinze anos no mundo corporativo, nos segmentos de varejo e bancos, sempre na área comercial o que contribuiu muito para entendimento de questões relacionadas ao ambiente empresarial. Criadora do site de conteúdo www.autenticalab.com.br, ministra palestras e workshops sobre desenvolvimento pessoal. Dois e-books publicados: “Com autoestima é melhor!” e “Amor e relacionamentos, muito além do óbvio!”. Consultora da Feminaria, atende às associadas da Rede com agendamento pelo telefone (11) 2737-5998

 

* Texto originalmente publicado no site do Autentica Lab.

* Imagens: Cenas do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”

Entrevista – Cafezim e Prosa: Projeto Mulheres Viajantes

Quem nunca deixou para trás um projeto de viagem por medo de cair na estrada sozinha? Por que a sociedade ainda torce o nariz para mulheres que se mostram independentes e que encaram suas jornadas e seus passeios sem ter um homem ao lado?

Pensando nessa e em outras questões, a Thaís Carneiro, em seu blog Cafezim e Prosa, criou o Projeto Mulheres Viajantes, que reúne relatos das corajosas mulheres que se aventuram pelo mundo afora. Conversamos com ela para saber mais sobre essa iniciativa.

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Como surgiu o projeto Mulheres Viajantes?

O projeto surgiu a partir do incômodo perante a cobertura midiática do assassinato das turistas argentinas Maria José Coni, de 22 anos, e Marina Menegazzo, de 21, no Equador, em que elas foram culpabilizadas, acusadas de estarem se colocando em situações de risco e de certa forma, legitimando o desfecho da história. Outro ponto que me chamou a atenção foi a recorrente menção à ideia de que elas estariam viajando sozinhas por não estarem acompanhadas de um homem e assim, contribuindo para a insegurança da sua viagem. Diante deste incômodo, decidi lançar o projeto como um discurso contrário, colocando que nós, mulheres, não devemos ser culpabilizadas enquanto vítimas, que temos o direito de ir e vir como todos.

Como foi a recepção/ participação no projeto por parte das mulheres que compartilharam seus relatos?

A recepção foi bem bacana, muitas mulheres se sentiram lisonjeadas pelo convite e com um espaço importante de fala, de exposição de suas experiências. Por muitas, a participação foi entendida como um ato político, de afirmação do gênero feminino em espaços que não são tidos como “lugar de mulher”, pois é quando nos confrontamos com o espaço público.

O engajamento de participação se ampliou com o anúncio do I Mulheres viajantes vai às ruas, encontro realizado no final de 2016, em São Paulo, para trocarmos experiências de viagem em uma roda de conversa.

A gente sabe que muitas mulheres sentem vontade de viajar, mas acabam desistindo por não terem companhia (e, consequentemente, por medo). Na sua opinião, quais medidas podemos tomar para vencer o medo e colocar o pé na estrada sem depender de ninguém?

A autorreflexão é necessária para avaliarmos até que ponto esse medo faz sentido e como ele pode estar restringindo suas ações. Pensando em estratégias práticas, o que costumo fazer é: ficar em quartos coletivos femininos em hostels; deixar os meus números de vôos/horários de ônibus e trem com os meus familiares bem como os contatos das pessoas com as quais vou me encontrar mesmo que seja alguém do Couchsurfing; reservar uma parte do dinheiro na doleira e outra trancada na mala; pesquisar e estudar bem o seu local de viagem tendo em vista hábitos/cuidados/locais perigosos através de blogs e relatos de outros viajantes; comprar com antecedência a hospedagem e o transporte, pois caso eu seja roubada, terei já tudo organizado.

Você já sofreu assédio durante uma viagem que fez sem uma companhia masculina (sozinha ou com amigas)? Como você lidou com estas situações estando longe de casa?

O assédio masculino, seja de cunho moral ou sexual, infelizmente é cotidiano para nós, mulheres. Em viagens, nunca sofri uma situação extrema de violência, apenas o assédio de olhares e uma palavra ou outra que insinuava algo a mais. Minha reação era seguir reto e não estabelecer contato visual.

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Na sua opinião, existe algum roteiro que seja “mais seguro” para a mulher que deseja começar a viajar sozinha, mas que ainda tem receio?

Acredito que a segurança vem mais de você do que do lugar. Para a minha primeira viagem sozinha de tudo, decidi voltar ao lugar que fiz intercâmbio, Buenos Aires, porque já conhecia a dinâmica da cidade e assim, podia me movimentar com mais tranqüilidade. Porém, acredito que se o teu medo é tão forte a ponto de te paralisar, vá para algum lugar que represente sua zona de conforto. Tenha em mente que o medo nunca passa. Pra mim, ele é cotidiano e é um instinto de sobrevivência mesmo, infelizmente.

O Primeiro Encontro Mulheres Viajantes vai às ruas teve uma ótima repercussão. Quantas mulheres participaram? Já tem alguma data marcada para o futuro? Quais são os próximos passos para o projeto?

Foi uma experiência incrível autogerida, em que estabelecemos uma roda de conversa com mulheres que em sua maioria, não se conhecia. Como o evento durou quase cinco horas, estimo a circulação de quarenta mulheres.

Teremos um novo encontro em São Paulo, no dia 04 de março, sábado, a partir das 14h, nos jardins suspensos do Centro Cultural São Paulo, próximo à estação Vergueiro. Além disto, estou organizando um encontro ainda esse semestre no Rio de Janeiro e um curso sobre Mulheres Viajantes na cidade maravilhosa.

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Aproveito para convidar a todas as mulheres viajantes que desejam compartilhar conosco suas experiências de viagem sozinhas ou entre mulheres a escreverem para cafezimeprosa@gmail.com e combinarmos a publicação na coluna. O projeto é coletivo e existe por conta da colaboração de vocês. Caminhando juntas, nos fortalecemos.

Acompanhe o projeto no blog Cafezim e Prosa , na página do Facebook e pelo Instagram.

Breves ensinamentos de “Estrelas Além do Tempo”

– por Mariana Zambon Braga

O filme Estrelas Além do Tempo conta a história das três personagens reais Mary Jackson, Dorothy Vaughan e Katherine Johnson. É sucesso de bilheteria e conseguiu três indicações ao Oscar: melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer, melhor roteiro adaptado e melhor filme. Eu, particularmente, me emocionei bastante ao assistir à trajetória destas mentes brilhantes, que só foram receber o devido crédito anos mais tarde. E eu preciso frisar aqui: se não fosse pelo esforço delas, talvez toda a missão espacial dos EUA naquela época tivesse sido um fracasso. 

O cenário enfrentado por elas não poderia ser mais desafiador. Anos 1960. Sul dos Estados Unidos – uma das regiões em que a segregação racial era uma dura realidade. E, ainda por cima, eram mulheres negras, trabalhando na NASA, um ambiente composto quase que majoritariamente por homens brancos.

O que elas conquistaram não foi pouca coisa não. Mary Jackson foi a primeira engenheira negra da NASA. Dorothy Vaughan tornou-se, com muita perseverança, a primeira supervisora negra da National Advisory Committee for Aeronautics (NACA), a agência predecessora da NASA. Katherine Johnson foi uma brilhante matemática, premiada pelo presidente Obama com a Medalha da Liberdade Presidencial, a maior honra que um civil pode receber. Sem contar que o próprio John Glenn, astronauta que fez o primeiro voo orbital dos EUA, só aceitou a missão após Katherine confirmar os cálculos de seu retorno à Terra.

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Acho que é justo dizer que elas foram muito importantes para a história, não só dos EUA, como da humanidade. E, como toda boa história, real ou fictícia, este filme me trouxe alguns ensinamentos:

  1. Persistência e posicionamento são fundamentais. Ao longo da narrativa, Mary, Katherine e Dorothy se encontram em situações na quais poderiam ter recuado ou abaixado a cabeça. Poderiam ter desistido de seus sonhos ou de suas carreiras, pois as condições que se apresentavam eram muito adversas. Mas elas não se submeteram.  Não aceitaram o “mundo como ele é”. Lutaram pelo direito de manter seus trabalhos, de estudar, ter uma remuneração digna, ou de simplesmente poder usar o banheiro no mesmo andar onde trabalhavam. Graças ao posicionamento e à firmeza das três, elas conseguiram melhorar não só suas próprias condições de trabalho e de vida, mas a de muitas mulheres que trabalhavam com elas.
  2. Precisamos nos preparar para as inovações tecnológicas e para as novas tendências.  Dorothy era líder das computers – matemáticas que faziam os cálculos, manualmente com uma calculadora, muito antes do advento dos computadores. Por causa dos atritos entre os EUA e a União Soviética, a chamada corrida espacial levou a NASA a comprar um daqueles computadores enormes da IBM. Dorothy percebeu, então, que teria que aprender a programar aquilo, ou ela e sua equipe se tornariam obsoletas. Além de aprender a linguagem de programação do IBM, ela também ensinou suas colegas e garantiu que todas pudessem manter seus empregos. Ao invés de temer a tecnologia, devemos compreendê-la e nos adaptar aos novos rumos das nossas profissões e de nossos ofícios.
  3. Um bom líder enxerga o ser humano. Quando Katherine consegue uma vaga na equipe dos matemáticos responsáveis por mandar o homem para o espaço, ela começa a trabalhar com Al Harrison, um cara exigente, mas que sabia que liderança não tem a ver com mandar. Graças a Al, Katherine não precisou mais andar quilômetros para poder ir ao banheiro, pode participar de reuniões estratégicas e trabalhar mais ativamente, desenvolvendo seu potencial e contribuindo da melhor maneira para a equipe. Se um líder não reconhece que seus colaboradores são humanos, não sabe enxergar suas necessidades de trabalho, então ele é apenas uma pessoa com poder hierárquico.
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Imagem: Divulgação

Estrelas Além do Tempo é um filme inspirador, não no sentido motivacional, porque não tem aquela coisa de “você pode tudo se apenas for otimista e determinada”. Nada disso. É inspirador porque mostra o resultado do trabalho árduo e da dedicação destas mulheres em busca de seus sonhos e objetivos profissionais e intelectuais. Mostra que, sem atitudes, sem uma real ação transformadora, nossos projetos dificilmente serão realizados.

Que possamos nos espelhar na coragem dessas cientistas incríveis!

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Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Comece o ano investindo em conhecimento

– por Mariana Zambon Braga

O ano já começou. É hora de colocar a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Provavelmente você já criou listas e estabeleceu metas a serem cumpridas ao longo dos próximos meses. Que tal incluir nesse pacote o seu crescimento intelectual? 

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Imagem: Unsplash

Conhecimento é poder. Aprender algo novo nos estimula a pensar, a refletir, expande nossos horizontes e nos transforma em pessoas mais preparadas, tanto na esfera profissional quanto na pessoal. E nem precisa gastar muito dinheiro pra isso – a não ser que você realmente necessite de certificação ou de um treinamento mais aprofundado.

Quando pensamos em estudo e aprendizado, logo imaginamos o conceito de escola, faculdade, cursos em sala de aula, ou mesmo cursos online. Isso tudo é ótimo, faz parte da nossa formação intelectual e, às vezes, profissional. É importante ter bastante conhecimento na nossa área de atuação. No entanto, existem aprendizados que não entrarão no seu currículo, mas que serão cruciais para a sua trajetória de vida. 

A leitura é uma excelente forma de aprender – seja através dos livros de história, biografias, artigos de jornal ou revista. Até as histórias de ficção são capazes de nos ensinar muitas coisas. Outra maneira gratuita e simples de adquirir conhecimento é procurar por palestras e aulas disponíveis em canais no Youtube, ou em sites como o do TED Talks. E, é claro, existem milhares de cursos e plataformas de aprendizado online.

E, caso você tenha algum dinheiro sobrando, sempre vale a pena aplicá-lo em seu desenvolvimento pessoal- como, por exemplo, nos cursos de idiomas aqui da Feminaria. Aliás, não esquece de assinar a nossa Newsletter para ficar por dentro de todas as novidades da rede.

Seja como você preferir, saiba que o investimento mais precioso de todos é em você mesma. Tanto de tempo quanto de dinheiro.

Para te incentivar a aprender coisas novas neste ano, fiz uma lista com meus sites e recursos preferidos, de cursos e palestras a artigos acadêmicos.

Que 2017 seja repleto de aprendizado e novos saberes. Vamos juntas, crescendo sempre!

Plataformas de cursos online:

Udemy – É uma plataforma global de aprendizado e ensino. Oferece cursos gratuitos e pagos, com preços a partir de R$25,00, em áreas como Negócios, Finanças, Empreendedorismo, Produtividade no Escritório, Música, Idiomas e Marketing. Também permite que você se cadastre como instrutora e transmita o conhecimento que tem a oferecer.

Khan Academy – O site é em inglês, mas tem bastante conteúdo em português. É possível aprender, de graça, sobre Biologia, Química, Música, Matemática, bem como tirar dúvidas e assistir a aulas de reforço. Pra quem é bilíngue, vale muito a pena!

Coursera – O Coursera é um site que oferece cursos livres e gratuitos, especializações e pós-graduação elaborados por universidades internacionais. Você pode assistir à maioria dos cursos sem pagar nada, e, se desejar um certificado, basta cumprir todos os requisitos e tarefas e pagar uma taxa. É excelente para quem precisa se manter atualizado.

Veduca – O Veduca é um portal com cursos gratuitos nas áreas de Administração, Finanças, Liderança e Gestão. O site também oferece soluções para empresas.

Unesp Aberta – O site da Unesp Aberta oferece aulas sem certificação, nem tutoria. No entanto, os conteúdos são abrangentes e incluem cursos de Filosofia, leitura em inglês, química, artes, biologia, geografia, educação, entre outros.

Ted Ed – O site do TED Ed traz palestras e aulas curtas sobre diversos assuntos debatidos nos TED Talks. Nele, você também pode criar aulas e conteúdos. O site é em inglês, mas a maioria dos vídeos possui legendas em português.

Cursou – Com mais de 350 cursos online, o Cursou oferece conhecimento gratuito nas áreas de Direito, Informática, Educação, Idiomas, Administração, Design Gráfico e Música.

e-Unicamp – Portal com vídeos, animações, simulações, ilustrações e aulas, materiais criados pelos próprios professores da Unicamp e de acesso livre ao público. As áreas incluem ciências exatas, humanas, biológicas e artes.

Canais do Youtube:

Território Conhecimento – O canal traz palestras e entrevistas com pensadores como Marcia Tiburi, Viviane Mosé, Ligia Py, Mário sergio Cortella e Leandro Karnal, entre outros.

Homo Literatus – Para os amantes de literatura, o site Homo Literatus, que também conta com o canal do YouTube, é um excelente local para conhecer novas leituras, aprofundar debates e dialogar com novos escritores.

Café Filosófico CPFL – O canal do Café Filosófico é uma parceria do Instituto CPFL com a TV Cultura. Nele, você encontrará debates com pensadores e pensadoras contemporâneos acerca dos mais diversos temas, como sexualidade, religião, comportamento e política.

Think Olga – Além do site que disponibiliza matérias sobre os temas mais urgentes da luta das mulheres, o canal da Think Olga traz entrevistas com mulheres na série Pergunte a Ela, com dicas sobre como começar um canal no Youtube, como começar uma carreira na moda, e muito mais.

TED Talks – Eu não me canso de recomendar as palestras do TED, por motivos óbvios. Além de nos permitir ouvir vozes às quais jamais teríamos acesso, os vídeos dos talks provocam o nosso pensamento e nos estimulam a olhar o mundo de forma diferente. Recomendo muito!

Artigos acadêmicos:

Educ@ – Através do portal, é possível encontrar diversos artigos de pesquisa acadêmica para download. Basta procurar pelo assunto ou pelo autor e baixar o texto completo.

CAPES – O Portal de Periódicos da Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – é uma ferramenta fundamental para as atividades de ensino e pesquisa no Brasil. Segundo informações do site, “O Portal de Periódicos reúne em um único espaço virtual as melhores publicações do mundo. Com uma simples consulta feita pelo computador, usando critérios como autor, assunto ou palavra chave, é possível acessar, selecionar e recuperar as informações desejadas”.

Se você conhece alguma outra ferramenta bacana de aprendizado online, conta pra gente nos comentários!

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

O “dolce far niente” – o tédio necessário para viver

– por Mariana Zambon Braga

Ah, a doçura de não fazer nada. Deitar na grama e observar as nuvens. Sentar à beira-mar e sentir a brisa no rosto, sem nenhuma intervenção de pensamentos como “tenho que fazer (insira aqui qualquer coisa”. Sentar na cama e olhar para a parede. Observar a vida através da janela do seu apartamento. Meditar, ou apenas sentar e respirar por muito tempo. Sem celulares, sem tablets, sem livros, sem fones de ouvido. Fazer-absolutamente-nada-nadinha-nada-mesmo.

Imagem: Unsplash
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É isso o que significa a expressão italiana “dolce far niente“. E fazer nada não quer dizer ler um livro, assistir a um filme, sair para encontrar os amigos – ou qualquer atividade que, para nós, significa um momento de relaxamento ou de aproveitar a vida. Significa ficar à toa, contemplar o tédio, em si mesmo.

Quando foi a última vez que você se permitiu ficar entediada?

A correria da vida nos ocupa o tempo todo. Pulamos cedo da cama, corremos para chegar ao trabalho, perseguimos prazos durante o dia inteiro, nos desdobramos para cumprir todas as tarefas cotidianas, corremos de novo para não perder o ônibus, trem, metrô, para chegar em casa a tempo de descansar. E, quando terminamos de cumprir as obrigações, ao menos sinal de tédio, lá vamos nós, mais uma vez, inventar atividades para preencher os instantes desocupados.

Se, por acaso, o corpo pede “escuta, deita ali na cama e fica sem fazer nada por uma hora, por favor?”, logo ignoramos esse instinto. Tempo, de acordo com a nossa cultura, é dinheiro. Quando não estamos produzindo, estamos consumindo, pois tudo nessa vida é considerado como produção e consumo. Ou seja, uma hora improdutiva significa uma hora perdendo lucro, ou deixando de gerar lucro, números ou dados para alguém. É um sacrilégio ficar à toa. Quem é que tem tempo para isso?

Acredite em mim quando digo: você tem, sim, tempo para não fazer absolutamente nada.

Quanto dinheiro você perderá se parar por alguns momentos para ficar à toa com seu filho ou filha, companheiro ou companheira, apenas existindo lado a lado, compartilhando a vida? Qual será o prejuízo causado por sentar numa praça e observar os movimentos apressados dos transeuntes, das formigas, dos cães correndo atrás de uma borboleta? Ou de simplesmente deitar no chão da sala ou no sofá e olhar para o teto, sem expectativas? Quem sabe até o maior dos pecados – cochilar durante o dia!

Em nosso mundo cada vez mais veloz e conectado, a contemplação do nada pode parecer algo entediante e totalmente sem sentido. Para os artistas, no entanto, o tédio e o ócio podem ser os motores da criatividade, aliados indispensáveis para o surgimento de grandes ideias e epifanias.

Ficar entediado é uma coisa muito importante, um estado de espírito que devemos buscar. Uma vez que ficamos entediados, a nossa mente começa a vagar, buscando alguma coisa excitante, alguma coisa interessante para se estabelecer. E é justamente aí que a criatividade aparece.

Esta citação é do texto de Peter Bergman “Por que devolvi meu iPad“. O autor conta sobre como ter um iPad e estar o tempo todo produzindo ou consumindo algo o tornou alheio à importância do “tempo perdido”.

Quando estamos esperando por alguém, ou deitados na cama aguardando o sono que não chega, geralmente os pensamentos aparecem e começamos a colocá-los em ordem. Seja uma fagulha criativa ou um insight sobre a vida, em geral, estes instantes que erroneamente consideramos como perdidos nos proporcionam ganhos sem tamanho. O menor deles, certamente, é o benefício de amenizar o estresse.

Imagina só, que loucura, não “ter que” fazer nada – nem que seja por alguns minutos no dia? Confesso que, para mim, é bem difícil tirar um tempinho e me permitir esse dolce far niente – agora mesmo, eu poderia estar curtindo o ócio, mas estou aqui, usando meu tempo livre para escrever sobre a necessidade de ficar sem fazer nada.

Sendo assim, peço licença para encerrar o texto. Vou ali aproveitar o tédio!

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.