Qual o custo emocional de abrir um negócio?

As inúmeras mudanças nas leis trabalhistas e a realidade do mercado de trabalho fazem você pensar em empreender, pois a falta de perspectiva profissional no seu atual local de trabalho e a dificuldade de recolocação estão te “empurrando” para o empreendedorismo.

 

“Como assim não tem vaga?”

Já faz um bom tempo que você está flertando com a possibilidade de empreender. Você já tem estabilidade na sua carreira formal, mas hoje sente uma necessidade imensa de tentar algo novo – você já tem até mesmo a ideia de negócio. A maternidade chegou e o mercado formal não tem estrutura para te absorver… tantas mães empreendem, será que não é o caso de tentar também?

A verdade é que atualmente todas nós, em algum momento, e por muitas razões diferentes, cogitamos a possibilidade de empreender. Dentre tantas dúvidas que vem junto com esse impulso, a mais frequente e que não cala é: quanto custa empreender?

Você sabe que é impossível responder a essa pergunta com um número fechado, pois as implicações são muitas. Nas pesquisas que você faz deve ter lido inúmeras histórias de gente que perdeu muita grana tentando empreender. Te garanto que não precisa ser assim: um bom planejamento pode seguramente minimizar esse risco de forma bastante positiva.

O custo financeiro é mensurável, e ele certamente será considerado de forma bastante estreita no seu plano de negócios quando for especificar o planejamento financeiro. Quanto melhor a sua estrutura base, menores os riscos de insucesso. Pode respirar aliviada – o custo pode ser bastante previsível.

Acontece que quase nunca falamos sobre o custo imaterial, e ele é sem sombra de dúvidas o mais importante a ser considerado quando pensamos em dar um passo rumo ao empreendedorismo. Estou falando aqui do seu capital emocional.

 

Empreender requer muita inteligência emocional e um comprometimento tão grande quanto a sua vontade de fazer dar certo. No início do desenvolvimento do seu negócio provavelmente você trabalhará mais horas do que está acostumada, além de precisar desenvolver habilidades que desconhecia. Tudo isso vai atingir diretamente o seu capital emocional.

Podemos definir Capital Emocional (ou Capital Psicológico, como também é conhecido) como sendo o conjunto de sentimentos, crenças, nível de afetividade, percepções e vínculos com relação ao que você faz; é o alinhamento emocional que você faz entre suas expectativas e as relações que pretende estabelecer ao abrir um negócio.

 

O envolvimento emocional em tudo o que fazemos não é um mito, é de fato ponto de concordância entre academia e ciência. Quando entendemos que a emoção é quem garante a liga em nossos relacionamentos, sejam eles comerciais ou não, gerimos melhor nossa relação com o mundo dos negócios e ainda temos a chance de contagiar e mobilizar nossos potenciais aliados, parceiros e consumidores.

Tocar um negócio não se trata apenas de gerenciar o fluxo da grana, mas também de gerenciar suas emoções para garantir que você possa seguir em frente no seu plano.

 

 Como descobrir o valor do seu capital emocional?

 

Não existe uma maneira de mensurar esse bem valiosíssimo, mas o que posso garantir a você é que uma boa visita ao passado e a análise cuidadosa de todas as suas relações podem te dar um panorama sobre como você reage emocionalmente a ações externas. Um belo e constante exercício de autoconhecimento sempre garantirá o monitoramento desse seu recurso.

Quando aprendemos sobre nosso capital emocional descobrimos quais são as limitações naturais impostas por ele, e passamos a colocá-lo em movimento. Se bem administrado ele reduzirá prejuízos, garantirá que você assuma riscos de maneira mais segura e mobilizará as pessoas envolvidas no seu empreendimento, fazendo  com que você siga segura com as escolhas que fez.

Lembre-se que a pressão externa tende a te impelir a pensar racionalmente, como se a razão fosse sua maior aliada ao decidir empreender.

Vão lhe apresentar argumentos e números que comprovam a dificuldade material que você enfrentará, mas ninguém vai te alertar que tudo isso se torna relativo quando você tem um capital emocional forte, consciente e que você usará como elemento surpresa em toda a sua jornada.

Para concluir: preste atenção ao que te faz suspirar, ouça seu coração e sinta suas reações. Aprenda a ouvir atentamente seus interlocutores. Por saber que empreender é arriscar-se, conhecer seu capital emocional é imprescindível, já que riscos acendem o sinal de alerta em qualquer pessoa, seja ela uma empresária de sucesso ou alguém que está pensando em se enveredar pelo universo dos negócios.

Como disse David Brooks: “A razão se apoia e é dependente da emoção. Emoção vincula valores às coisas e a razão só pode confirmar suas escolhas a partir das avaliações emocionais. A mente humana só pode ser pragmática porque no fundo ela é romântica”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Fundadora da Rede Feminaria, Ana é consultora jurídica e advogada por formação.


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Tenho meu objetivos e metas traçados… na minha cabeça

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Eu não quero jogar um balde de água fria na sua empolgação, mas se seu objetivo está perfeitamente traçado na sua cabeça, você não tem objetivo algum. Eu sei que sua memória pode ser impecável e não duvido que você seja capaz de explicar todo o seu plano numa sentada. Mas para chegar onde quer que seja, você precisa de duas ferramentas importantíssimas: papel e caneta.

Sempre que uma associada começa a trabalhar conosco na Feminaria a primeira tarefa sempre é “Definição de Objetivos”, não importa a fase do negócio ou carreira em que ela está; se ela chegou até aqui é importante definir exatamente o que ela pretende. Só assim podemos ter uma noção do desenvolvimento e das possíveis alterações da rota.

São os objetivos que nos movem e são eles que determinam nosso desenvolvimento, sejam eles pessoais ou profissionais. Determinar os objetivos é como criar uma história: o mais importante é tornar essa história viável e sustentável. Não importa o quão grandes são seus objetivos; uma vez que você tenha isso no papel poderá trabalhar neles de acordo com a viabilidade de cada um.

Sem querer parecer alarmista, te digo: um objetivo bem definido é o que vai te destacar dos seus concorrentes.

 

Se você for buscar as dicas e conselhos de grandes atletas, empresários e empresárias notáveis e grandes empreendedoras de todos os mais diferentes tipos de atuação eles sempre dirão que ter uma boa definição de onde queriam chegar fez toda a diferença.

Ao definir um objetivo de maneira clara e honesta – você estará se ajudando na definição de foco e na busca dos conhecimentos necessários para planejar e organizar seus recursos e seu tempo, de forma que você possa tirar o melhor proveito de sua vida, em todas as áreas.

Montar um painel com a definição dos seus objetivos vai envolver tomada de decisões, pois será importante refletir sobre o que você realmente quer fazer com sua vida pessoal e profissional. Definindo objetivos você criará metas, além de refletir sobre quais passos você precisará dar para alcançar cada uma delas, a curto, médio e longo prazo.

São muitos objetivos? Não se preocupe, a ideia é ter uma visão macro e depois quebrá-la em várias partes pequenas e gerenciáveis, cada uma com um prazo de cumprimento diferente. Começamos pelas metas de maior facilidade de realização, até que possamos ter uma base forte o suficiente para caminharmos em direção às metas maiores.

 

Com todos os objetivos colocados no papel, diariamente você terá a oportunidade de cumprir alguma das metas definidas. Realizar uma meta desperta uma enorme sensação de dever cumprido -não importa se a tarefa foi mínima – o importante é que ela esteja dentro do seu plano e seja um degrau em direção à realização do seu objetivo principal.

Habilidades e conhecimentos serão colocados à prova uma vez que seus objetivos sejam definidos.

 

Quando você começar a desenhar seu painel, você vai ver que precisará de habilidades e conhecimentos específicos. Será que seus objetivos exigem que você tenha um certo grau de conhecimento ou uma certa especialização? A partir daí você vai poder decidir se buscará essas capacidades em parcerias ou se vai se dedicar a estudar e tentar adquirir as habilidades necessárias.

Colocar objetivos no papel servirá como um guia, um mapa para alcançar suas metas, mas também será uma incrível ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento de autoconsciente – duas capacidades importantíssimas no mercado atual.

Para concluir: desmembre seus objetivos em grandes e pequenos, de longo, médio e curto prazo. Definir objetivos profissionais pode ser feito dessa forma. Para definir objetivos de vida faça uma viagem no tempo: em 10 anos, 5 anos, 1 ano, 6 meses. Percorra assim até que chegue nos pequeninos, mas não menos importantes – os planos semanais e diários. Não pense no tempo que esse trabalho vai levar, pense no tempo que esse trabalho vai otimizar.

Tenha metas e objetivos bem definidos e seja flexível o bastante para entender que rotas são alteráveis. E saiba que estamos aqui para te apoiar durante todo o caminho.

Como disse Hermann Hesse em Sidarta: “Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagens: Pinterest

Você tem ideias para ganhar dinheiro, mas já se perguntou se tem mercado para elas?

Você tem ideias para ganhar dinheiro, mas já se perguntou se tem mercado para elas?

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Eu sei que é duro ouvir isso, principalmente vindo de uma pessoa que diz o tempo todo que você deve ser protagonista da sua vida, mas para o assunto que vamos desenvolver agora o que você quer – de fato – não importa nem um pouco.

Para quem você empreende? A resposta a essa pergunta diz muita coisa sobre o seu negócio e a saúde dele. Vamos usar o exemplo de duas empreendedoras fictícias que vão nos ajudar a ilustrar esse artigo.

Valéria – 35 anos, fisioterapeuta, dedicou-se a carreira formal por 10 anos, mas apaixonada por bolsas que era, decidiu importar bolsas de marcas incríveis e vende-las no Brasil. O negócio da Valéria tem 1 ano e 6 meses e ela procurou a Feminaria com um problema bastante comum: ela não estava vendendo.

Andrea – 34 anos, técnica em nutrição, trabalhou numa grande empresa durante 6 anos, mas sentia que ali não conseguiria resolver uma questão que a incomodava há anos: as “sobras” de alimentos que iam para o lixo. Andrea largou o emprego formal e montou sua consultoria – ela vai aos estabelecimentos ensinando como aproveitar as sobras dos alimentos. O negócio dela tem 1 ano e ela procurou a Feminaria com um problema: ela cresceu e não consegue dar conta sozinha de todos os seus clientes.

Te pergunto: por que o negócio da Andrea não para de crescer, enquanto que o da Valéria está parado e ela não consegue sequer dar vazão ao estoque? Lembrando que ambas são apaixonadas e muito dedicadas ao próprio negócio.

A resposta é simples, porém, nada óbvia para quem está iniciando o próprio negócio: uma delas resolve um problema que atinge muitas pessoas, problema esse com o qual as pessoas se importam. As sobras de alimento são um problema não só financeiro – para quem precisa gerir grandes quantidades de alimento – mas também social – quantas pessoas poderiam ser alimentadas de forma saudável com a sobra de alimentos de grandes estabelecimentos?

Essa é a maior lição que você precisa aprender sobre empreender: você precisa entender a realidade do mundo. Muito mais importante do que a sua formação profissional, seus MBAs, os idiomas que domina e a universidade que frequentou, sua capacidade de entender “as dores do mundo” – ou do seu público – é que farão a diferença no seu negócio.

Que problema você resolve?

Já que você se interessou por esse artigo, me sinto no dever de lhe dar ao menos uma pista sobre o que pode ser feito para não repetir a precipitação da nossa personagem Valéria. Caso você esteja flertando com o empreendedorismo, ou pensando em transacionar de carreira, a minha dica é simples: procure por um problema.

Quando pensamos em empreender, nosso cérebro nos direciona – quase que automaticamente – a oferecer uma solução – mas como sabemos se essa solução é útil ou de fato resolve um problema? Quando pensamos em oferecer uma solução temos que buscar um problema e adaptá-lo ao que criamos. Isso faz algum sentido pra você? Tomara que não…

Quando começamos por descobrir um problema, só precisamos ajustar nossa mente e focar nossos esforços e criatividade na resolução dele, com toda a liberdade do mundo!

Resolvendo o problema

Numa realidade em que para quase tudo basta que apertemos um botão, não será você a pessoa a oferecer um complexo conjunto de soluções, sob pena de que ela perca o efeito “solucionador” e se torne um problema para o seu público. Simplicidade é a palavra de ordem, mantenha sua criatividade sob a luz da simplicidade.

Engana-se quem pensa que essa parte é fácil, como disse Clarice Lispector: “só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”. Coisas simples são mais baratas de serem construídas, não requerem apresentações mirabolantes para serem entendidas e consequentemente vão resultar num produto mais acessível financeiramente – ou seja, você poderá se preocupar menos com a “venda” da sua ideia, produto, ou serviço.

Quem se beneficia?

Seu público em potencial! Quem são as pessoas que terão a vida facilitada a partir da sua ideia / produto / serviço / negócio? A única maneira de você descobrir quem são essas pessoas é misturando-se com elas. Envolva-se com os problemas das pessoas ao seu redor, converse com amigos, familiares, colegas de trabalho, entenda a realidade deles e como eles lidam com o problema que você identificou.

Lembra do seu trabalho de conclusão de curso? Pois aqui a dinâmica é quase a mesma: você precisa investigar.

Ação

A hora e a vez de comprovar se sua ideia é doable – ou sejadescobrir se é possível colocar em pratica e trazer pro plano das coisas reais todo esse cenário hipotético que você criou. Esse é seu maior desafio. Aqui você vai precisar dedicar tempo e se comprometer, não vai importar se um dia você acordar sem motivação ou sem vontade, você tem um trabalho a ser feito e sua dedicação será o divisor de águas entre uma pessoa que tinha planos e uma pessoa que realiza projetos.

Coloque no mundo

Você passou por toda essa trajetória e vai colocar todo esse trabalho debaixo do travesseiro esperando que a fada do dente venha te deixar um dinheirinho? Não mesmo!

Coloque a sua criação no sol, mostre para as pessoas, coloque em prática, arrisque. Coragem, my dear, não é sobre uma força sobrenatural, a coragem é a capacidade de tentarmos quantas vezes forem necessárias para alcançarmos o objetivo que desenhamos para nossa vida.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagens: Pinterest

O Teto de Vidro: Como as mulheres são impedidas de chegar no topo

– Tradução livre da Rede Feminaria do original publicado no site da Feminist Majority Foundation

Manchetes recentes têm contado a história que a mídia hegemônica quer que acreditemos em relação às mulheres nos altos cargos de chefia: “As Mulheres Marcam Presença e Ganham Respeito nas Diretorias”, “Nova Tendência de Carreira:  Ela Vai e Ele Vai Atrás”, “As Empreendedoras Progrediram Bastante”, “As Mulheres Estão Liberando a Fortaleza do Poder Masculino”, e “Você Progrediu Muito, Querida.”

Por mais descoladas que sejam as manchetes, estas descrições de sucesso da mulher no mundo corporativo são enganosas. Cada vez mais as mulheres estão esbarrando contra um ‘teto de vidro’. Ann Morrison descreve o problema: o teto de vidro é uma barreira “tão sutil que é transparente, mas ainda assim tão forte, que evita que as mulheres avancem na hierarquia corporativa.” Do ponto onde se encontram na escala de hierarquia, as mulheres conseguem ver as posições corporativas de alto nível, mas são impedidas de “chegar no topo” (Quebrar O Teto de Vidro).

De acordo com Morrison e suas colegas, o teto de vidro “não é simplesmente uma barreira individual com base na incapacidade de uma pessoa para lidar com um cargo de nível mais alto. Ao invés disso, o teto de vidro aplica-se coletivamente às mulheres, que são impedidas de avançar na hierarquia porque são mulheres.”

Qual a causa do “teto de vidro?” Confira a opinião das executivas.

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A segregação profissional corre solta

Da mesma maneira que o mercado geral de trabalho permanece segregado por sexo, as executivas estão concentradas em certos tipos de trabalho – a maioria como assistentes ou em empregos de apoio – que oferecem poucas oportunidades para se chegar ao topo. Uma pesquisa do Wall Street Journal de 1986 constatou que “As mulheres com os cargos mais altos, na maioria dos setores, encontram-se em áreas não-operacionais, como recursos humanos, relações públicas, ou ocasionalmente, em especialidades de finanças que raramente levam aos postos mais elevados da alta gestão”. As mulheres são deixadas de fora dos empregos da “via tradicional de negócios”, o caminho percorrido pelos CEOs e presidentes. Mas mesmo quando uma mulher consegue um desses empregos, não é muito provável que seja “em algum setor crucial do negócio” ou algum tipo de trabalho que possa “alçá-las como líderes.”

O Clube do Bolinha ainda é forte

De acordo com um recrutador de executivos, a maior barreira para as mulheres em altos níveis de gerência é “o grupinho dos caras que se sentam juntos à mesa” e tomam todas as decisões. Em resumo, ao decidir quem promover para um cargo de gestão, os líderes corporativos do gênero masculino tendem a selecionar pessoas mais parecidas com eles o possível – então, não é surpresa que as mulheres frequentemente nem sejam cogitadas na hora da promoção. Ao invés disso, os homens no topo procuram ex-colegas e velhos amigos de escola; em ambas as áreas, as mulheres têm ficado praticamente ausentes.

As executivas mulheres são frequentemente excluídas de atividades sociais e geralmente citam a “camaradagem” entre os homens que existe nos altos cargos. Os altos cargos de chefia são “a versão mais avançada do Clube do Bolinha.”

Mesmo em um nível mais formal, as mulheres relatam que há “certos tipos de reuniões” para as quais não são convidadas porque não são vistas como desenvolvedoras de políticas. As mulheres do mundo corporativo não viajam a trabalho com a mesma frequência que os homens, de acordo com pesquisas da Korn/Ferry Intemational (1982) e do Wall Street Joumal/Gallup (1984). Estudos confirmam essas diferenças de status e o tratamento diferente das mulheres. Um estudo constatou que entre executivos do mesmo nível, os homens “eram responsáveis por números maiores de empregados, tinham mais liberdade para contratar e demitir, e tinham controle mais direto dos bens da empresa” do que as mulheres (Harlan e Weiss).

A discriminação de gênero é difundida

Na pesquisa do Wall Street Journal/Gallup, perguntou-se às gestoras mulheres o que elas consideravam ser o obstáculo mais sério em suas carreiras. Apenas 3% citaram “responsabilidades familiares”, mas metade delas mencionou razões relacionadas a seu gênero, que incluíam: “crença na superioridade masculina, atitudes dirigidas a chefes mulheres, avanço lento para as mulheres, e o simples fato de ser uma mulher“. Na pesquisa da Korn/Ferry International, solicitou-se que as executivas mulheres citassem o maior obstáculo que tiveram que ultrapassar para alcançar o sucesso. A resposta mais frequente foi simplesmente “ser mulher” (40%). Em uma pesquisa recente do Los Angeles Times com 12,000 trabalhadores, dois terços relataram discriminação sexual; 60% mencionaram sinais de racismo.

No estudo do Wall Street Journal/Gallup, mais de 80% das mulheres executivas disseram acreditar que há desvantagens em ser mulher no mundo corporativo. Os homens, elas dizem, “não as levam a sério”. Na mesma pesquisa, 61% das executivas relataram ter sido confundidas com secretárias em reuniões de negócios; 25% disseram ter sido impedidas de ascender na carreira por atitudes masculinas contrárias a mulheres. Uma maioria significativa – 70% – acredita que recebe salários menores que homens com a mesma capacidade.

O assédio sexual é generalizado

O assédio sexual continua sendo um problema sério para mulheres em cargos de gestão. Em uma pesquisa da revista Working Woman de 1988 com executivos de empresas na lista das 500 maiores do mundo da revista Fortune, 90% das grandes empresas relataram reclamações de assédio sexual feitas por empregadas mulheres. A pesquisa constatou que “mais do que um terço das empresas tinham sido processadas por suas vítimas, e um quarto delas tinham sido processadas repetidas vezes“.

No entanto, de acordo com o mesmo estudo, apenas 20% dos agressores perderam o emprego; 4 em cada 5 apenas recebem uma bronca.

O assédio sexual “coloca a mulher em seu lugar”, então um ambiente corporativo que tolera o assédio sexual intimida e desmoraliza as executivas mulheres. Muitas mulheres hesitam em denunciar, por medo de que isso prejudique sua carreira.

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Há pouco cumprimento de leis antidiscriminação

Os mandatos dos presidentes Reagan e Bush devastaram o compromisso do governo federal com ações afirmativas. Como resultado disso, a igualdade foi tirada da agenda corporativa. Uma pesquisa de 1983 com 800 líderes empresariais, conduzida pela Sirota & Alpen Associates, constatou que em uma lista de 25 prioridades de recursos humanos, as ações afirmativas de proteção a mulheres e minorias ficou em 23° lugar.

A Suprema Corte Americana, com sua crescente maioria conservadora, emitiu uma série de sete sentenças sobre leis de igualdade de oportunidades de emprego que fazem com que seja mais difícil para mulheres e minorias protocolarem ações de discriminação salarial. Coletivamente, estas sentenças representam uma mudança significativa nas leis trabalhistas criadas durantes os últimos 25 anos. De acordo com o Civil Rights Monitor, as últimas sentenças da corte “fazem com que seja mais difícil para mulheres e minorias comprovarem atos de discriminação, torna mais fácil para os opositores de direitos civis contestarem instrumentos retificadores de violações, restringem a cobertura dos estatutos de direitos civis, e limitam a responsabilidade das empresas por honorários de sucumbência” (Civil Rights Monitor).

Por fim, os homens em cargos de governança corporativa tendem a não perceber a discriminação como um problema real, fazendo com que seja praticamente impossível implementar soluções legais efetivas. De acordo com um estudo detalhado de John P. Fernandez, homens brancos continuamente classificavam problemas encontrados por mulheres em cargos executivos como insignificantes em comparação à classificação feita pelas mulheres. Portanto, sem pressão externa constante e soluções legais sólidas, os problemas muito reais de discriminação de raça e gênero no alto escalão executivo talvez nunca sejam combatidos.


Imagens: Getty Images

Competências Socioemocionais nas Organizações

– por Ludmila Ramos Carvalho e Roberta Andrea de Oliveira

Você já ouviu falar em trabalho em rede ou articulação de rede?

Você sabia que o desenvolvimento das competências socioemocionais pode ajudá-lo na articulação de rede, e, portanto, no trabalho com projetos dentro das empresas?

Pensar em processos descentralizados e multidisciplinares favorece a criatividade e a inovação e enriquece os resultados. Não à toa observamos a tendência atual das organizações trabalharem por projetos e não mais por metas, ou por cumprimento de carga horária.

Vale lembrar que todo processo de mudança, para um trabalho menos centralizador, acarreta uma reflexão sobre o que se está fazendo neste momento e, assim, alguns desequilíbrios e retornos serão inevitáveis. É preciso relevar que este processo de autoconsciência abrirá caminhos para um universo de possibilidades bastante amplo. É aí que se encontram a CRIATIVIDADE e a INOVAÇÃO, tão almejadas pelas organizações hoje em dia.

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Toda empresa é composta por pessoas que se relacionam entre si, bem como as que prestam algum tipo de serviço ou ofertam um produto, relacionando-se, portanto, com mais outras pessoas. Assim, os processos de formação que, para além do fluxo de trabalho, buscam focar na resolução de problemas complexos, nas soluções inovadoras e na criatividade, necessitam considerar o desenvolvimento de Competências Socioemocionais que, por sua vez, impactam a qualidade das relações e, por consequência, a qualidade dos processos.

O desenvolvimento das competências socioemocionais se dá pelo investimento em 3 matrizes:

  • Autoconhecimento
  • Empatia
  • Rede

As três matrizes, desde que bem desenvolvidas, podem garantir relações tão potentes que impactarão todos os processos de uma empresa e, consequentemente, seus resultados. A matriz que chamamos de rede vem a ser um diferencial nessa abordagem de desenvolvimento, pois, como terceira e última instância, ela só poderá ser desenvolvida após serem trabalhadas as anteriores.

Mas, afinal de contas, o que é o trabalho em rede?

Trabalhar em rede significa comunicação eficiente, assertiva. Trabalhar em rede significa trabalhar com pessoas diferentes, de setores diferentes, de diversas formações, mas com um único objetivo, com um projeto em comum.

Internamente, o trabalho em rede pode significar para a empresa a descentralização de tomada de decisões e a flexibilização dos processos gerenciais, que favorecem a participação ativa.

Externamente, trabalhar em rede significa preocupar-se com o impacto social da empresa, entender a organização como parte de um todo, relacionando-se com o meio em que está inserida e promovendo ações que beneficiem a comunidade e o meio ambiente.


Gostou deste artigo? A Ludmila e a Roberta, do Instituto Espaço Oliveiras, são Consultoras da Feminaria e prestam atendimento às nossas associadas. Para agendar o seu horário, entre em contato pelo telefone (11)2737.5998 e verifique a disponibilidade. Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br.


Ludmila Ramos Carvalho

Educadora e Colaboradora do IEO. Psicóloga e Mestra em Saúde Pública. Dedicada ao tema Competências Socioemocionais. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9791458953423335

 

Roberta Andrea de Oliveira

Educadora e Colaboradora do IEO. Psicóloga, Psicanalista, Mestra em Saúde Pública e Doutorando em Psicologia Social. Dedicada ao tema Competências Socioemocionais. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1952365590919967


Imagem: Freepik

Mentoria: O que é e quando buscar

–  por Ana Bavon

Numa definição extremamente simples: mentoria é um método de transferência de expertise (conhecimento).  A palavra mentor é identificada no poema grego A Odisseia de Homero, no qual o Mentor é um sábio e amigo de Ulisses a quem ele confia o próprio filho. Porém, somente em 1699 quando o escritor francês François de Salignac Fenelon fez uma releitura da obra de Homero é que o Mentor ganhou destaque.

O processo de mentoring nasceu dentro das empresas. Já há algum tempo, grandes corporações costumam designar profissionais mais experientes para conduzir os mais jovens em atividades que deverão exercer no futuro. Esse modelo extrapolou os limites das empresas e ganhou o mundo, o que é ótimo para nós – já que trocar experiência é algo que podemos fazer em qualquer ambiente!

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Imagem do filme O Diabo Veste Prada

Não existe uma estrutura pré-determinada para que a mentoria aconteça. A mentora realiza tal orientação em períodos que podem ser em reuniões, almoços, cafés da manhã, happy hour ou até mesmo na casa da mentorada (cliente), possuindo características de treinamento e acompanhamento profissional, buscando sempre a realização das metas estabelecidas de forma eficiente.

Mentoring e coaching são duas atividades relacionadas, porém, muito diferentes. Ao contrário do que acontece no mentoring, a coach não precisa ter experiência na área de trabalho da cliente e em algumas áreas do coaching também não é possível que a coach aconselhe ou dê soluções para problemas específicos relacionados com a carreira da cliente; o processo tem princípio, meio e fim, sendo que pode durar entre 3 a 6 meses.

mentoring é um processo que não tem um tempo estabelecido para o seu término, é necessário que a mentora tenha conhecimento (quanto maior melhor) na área de busca da sua cliente. Além disso, a mentora pode e deve aconselhar sua cliente na medida de seu conhecimento. O processo de mentoria é bastante dinâmico e livre, de maneira que cada bate papo deve ser um convite ao despertar de consciência da mentorada (cliente), gerando mudanças.

Quando buscar mentoria:  Você está começando o seu negócio? Você é uma empreendedora em início de carreira e não entende a necessidade de dedicar uma parte do seu investimento a uma mentoria de qualidade? Você precisa se aprofundar no que ocorre com sua marca? Se a resposta foi sim, você precisa avaliar, pois talvez este seja o momento exato de buscar mentoria e compreender melhor os seus benefícios.

É ponto pacífico no ambiente empreendedor (como cita a Endeavor – principal ONG de apoio a empreendorismo do Brasil) que a mentoria é uma escolha acertada para quem empreende. Assim sendo, o ideal é buscar mentoria assim que você tiver uma ideia de negócio. Existem muitas formas do seu intento evoluir, algumas mais assertivas do que outras. Muito do que vejo são empreendedoras buscando mentoria para encontrar respostas para um tema específico do seu negócio, porém, no decorrer do processo podemos descobrir juntas que as limitações na verdade são outras, e isso é feeling. Uma boa mentora precisa utilizar sua expertise pra dissecar os temas propostos pela mentorada (cliente) e direcionar livremente os esforços para que a mentorada consiga atingir seus objetivos.

Se você ainda tiver alguma duvida sobre mentoria – suas aplicações e benefícios – mande suas perguntas nos comentários.

Podemos não ser capazes de tudo, como de fato não somos, mas somos todas capazes de algo, e é esse algo que precisamos nos dedicar a descobrir.

                                                                        Ana Bavon

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ANA CAROLINA MOREIRA BAVON

Fundadora da Rede é Consultora jurídica que atua exclusivamente na área de outsourcing e gestão estratégica. Com mais de 13 anos de experiência, 70% deles atuando no ambiente corporativo em escritórios de grande porte. Pós graduada em Direito Civil e Direito Processual Civil, Estratégia e Consultoria Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Mentora estratégica com certificação internacional em Mentor Talks pelo Creative Learning Institute.