Qual o custo emocional de abrir um negócio?

As inúmeras mudanças nas leis trabalhistas e a realidade do mercado de trabalho fazem você pensar em empreender, pois a falta de perspectiva profissional no seu atual local de trabalho e a dificuldade de recolocação estão te “empurrando” para o empreendedorismo.

 

“Como assim não tem vaga?”

Já faz um bom tempo que você está flertando com a possibilidade de empreender. Você já tem estabilidade na sua carreira formal, mas hoje sente uma necessidade imensa de tentar algo novo – você já tem até mesmo a ideia de negócio. A maternidade chegou e o mercado formal não tem estrutura para te absorver… tantas mães empreendem, será que não é o caso de tentar também?

A verdade é que atualmente todas nós, em algum momento, e por muitas razões diferentes, cogitamos a possibilidade de empreender. Dentre tantas dúvidas que vem junto com esse impulso, a mais frequente e que não cala é: quanto custa empreender?

Você sabe que é impossível responder a essa pergunta com um número fechado, pois as implicações são muitas. Nas pesquisas que você faz deve ter lido inúmeras histórias de gente que perdeu muita grana tentando empreender. Te garanto que não precisa ser assim: um bom planejamento pode seguramente minimizar esse risco de forma bastante positiva.

O custo financeiro é mensurável, e ele certamente será considerado de forma bastante estreita no seu plano de negócios quando for especificar o planejamento financeiro. Quanto melhor a sua estrutura base, menores os riscos de insucesso. Pode respirar aliviada – o custo pode ser bastante previsível.

Acontece que quase nunca falamos sobre o custo imaterial, e ele é sem sombra de dúvidas o mais importante a ser considerado quando pensamos em dar um passo rumo ao empreendedorismo. Estou falando aqui do seu capital emocional.

 

Empreender requer muita inteligência emocional e um comprometimento tão grande quanto a sua vontade de fazer dar certo. No início do desenvolvimento do seu negócio provavelmente você trabalhará mais horas do que está acostumada, além de precisar desenvolver habilidades que desconhecia. Tudo isso vai atingir diretamente o seu capital emocional.

Podemos definir Capital Emocional (ou Capital Psicológico, como também é conhecido) como sendo o conjunto de sentimentos, crenças, nível de afetividade, percepções e vínculos com relação ao que você faz; é o alinhamento emocional que você faz entre suas expectativas e as relações que pretende estabelecer ao abrir um negócio.

 

O envolvimento emocional em tudo o que fazemos não é um mito, é de fato ponto de concordância entre academia e ciência. Quando entendemos que a emoção é quem garante a liga em nossos relacionamentos, sejam eles comerciais ou não, gerimos melhor nossa relação com o mundo dos negócios e ainda temos a chance de contagiar e mobilizar nossos potenciais aliados, parceiros e consumidores.

Tocar um negócio não se trata apenas de gerenciar o fluxo da grana, mas também de gerenciar suas emoções para garantir que você possa seguir em frente no seu plano.

 

 Como descobrir o valor do seu capital emocional?

 

Não existe uma maneira de mensurar esse bem valiosíssimo, mas o que posso garantir a você é que uma boa visita ao passado e a análise cuidadosa de todas as suas relações podem te dar um panorama sobre como você reage emocionalmente a ações externas. Um belo e constante exercício de autoconhecimento sempre garantirá o monitoramento desse seu recurso.

Quando aprendemos sobre nosso capital emocional descobrimos quais são as limitações naturais impostas por ele, e passamos a colocá-lo em movimento. Se bem administrado ele reduzirá prejuízos, garantirá que você assuma riscos de maneira mais segura e mobilizará as pessoas envolvidas no seu empreendimento, fazendo  com que você siga segura com as escolhas que fez.

Lembre-se que a pressão externa tende a te impelir a pensar racionalmente, como se a razão fosse sua maior aliada ao decidir empreender.

Vão lhe apresentar argumentos e números que comprovam a dificuldade material que você enfrentará, mas ninguém vai te alertar que tudo isso se torna relativo quando você tem um capital emocional forte, consciente e que você usará como elemento surpresa em toda a sua jornada.

Para concluir: preste atenção ao que te faz suspirar, ouça seu coração e sinta suas reações. Aprenda a ouvir atentamente seus interlocutores. Por saber que empreender é arriscar-se, conhecer seu capital emocional é imprescindível, já que riscos acendem o sinal de alerta em qualquer pessoa, seja ela uma empresária de sucesso ou alguém que está pensando em se enveredar pelo universo dos negócios.

Como disse David Brooks: “A razão se apoia e é dependente da emoção. Emoção vincula valores às coisas e a razão só pode confirmar suas escolhas a partir das avaliações emocionais. A mente humana só pode ser pragmática porque no fundo ela é romântica”.


Ana Carolina Moreira Bavon

Fundadora da Rede Feminaria, Ana é consultora jurídica e advogada por formação.


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Negociação e pedidos de desconto em cinco perguntas

Negociação e pedidos de desconto em cinco perguntas

Parafraseando um diálogo do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, podemos dizer com segurança: são tempos difíceis para os negociadores – 10 entre 10 pessoas que vendem produtos ou serviços se assombram ao ouvir isso:

“Está caro, não dá pra dar um desconto?”

O pulo do gato para responder essa pergunta está em suas entrelinhas, que dizem muito sobre o cliente que está perguntando e sobre a relação que você quer manter com seu público e com seu negócio.

Vivemos num sistema capitalista que nos faz prestar muita atenção ao preço das coisas, (independentemente de concordarmos ou não com isso) e acabamos desconsiderando o valor real dos produtos ou serviços. Precisamos sempre ter isso em mente ao responder pedidos de abatimento.  Responda as perguntas abaixo e aprenda a lidar com o “achei caro”.

"Tem desconto no débito?"
“Tem desconto no débito?”

1 –  Quem é o cliente?

É importante distinguir um cliente que busca por preço e o cliente que busca qualidade. A resposta pra essa pergunta vai definir se você deve ou não dar o desconto; para isso, defina uma margem de preço mínimo para que seu produto seja lucrativo e negocie até esse limite. Nunca, jamais, em hipótese alguma a ultrapasse. Se o cliente busca apenas preço, será difícil fazê-lo entender por que seu produto custa o que custa. Portanto esteja pronta pra abrir mão do leilão de preços – às vezes precisamos saber escolher nossas batalhas.

2 – Mostrou por que seu produto custa esse preço?

É necessário dizer com propriedade que seu preço traduz a qualidade do que você negocia, expondo os diferenciais que você oferece.

Se seu produto é mais caro que o concorrente, é preciso lembrar ao cliente de que ele vai receber pelo que está pagando.

3 – O cliente sabe o que está pedindo?

Isso é comum no setor de  serviços. Muitas vezes o cliente pode pedir X e querer Y, e por isso não considerou a diferença de preço. É o típico caso de um cliente que pede um logotipo mas precisa de um branding; você precisa passar tempo entendendo as necessidades do cliente para  traduzir  isso pro orçamento de maneira clara. Se ainda assim não conseguir demonstrar isso, busque novas opções mais em conta e ofereça soluções.

“E em dinheiro, tem desconto?”

4 – Você está oferecendo exatamente o solicitado?

Busque compreender se o que o cliente precisa é o que você está oferecendo. É importante considerar que pode ser que ele não precise de tudo o que você orçou. Nesse caso procure entender suas necessidades para oferecer o melhor custo-benefício, alinhando suas expectativas à realidade daquela negociação especificamente.

5 – Você sabe dizer não em sua negociação?

Se você respondeu as quatro perguntas acima e ainda assim o cliente não está satisfeito, ou se chegou no seu limite e não tem mais opções, diga não. A primeira pessoa a valorizar seu trabalho é você; o não, nesse caso, é respeito e autoconfiança, então saiba que não se arrependerá no futuro.

Nunca se esqueça de que você é a única responsável pelo seu negócio, e que você vai conduzi-lo da maneira como quer que o mundo se relacione com ele. Se você valoriza as relações duradouras, é claro que saberá quando e por que baixar o preço,  e que muitas vezes o descontinho se reverte em fidelização, da mesma forma que a negação do descontinho pode ser a saída pra não entrar na batalha por barganha.


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