Compre com Elas – Alecrim Estampas

Uma das missões da Feminaria é auxiliar as mulheres empreendedoras a estarem onde desejam. Isso inclui dar visibilidade a elas e ajudar a divulgar seus projetos e produtos. Investir no trabalho de quem está ao nosso lado é uma forma de garantirmos o crescimento umas das outras.

Continuamos com a nossa série Compre com Elas, apresentando a vocês os produtos e as mulheres talentosas que os criam.

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Com estampas criativas e elaboradas com processos manuais, a Alecrim Estampas reflete o desejo de espalhar cores e alegria pelo mundo. Confira abaixo o depoimento da criadora da marca:

alecrim estampas

“Eu sou a Dayane Moretto e tenho 26 anos de idade. Sou publicitária por formação, designer por paixão e artesã por inspiração. Desde os meus 18 anos, trabalho na área de comunicação, porém em 2016 resolvi ir de encontro com meu propósito e viver do que me faz feliz: a ARTE!

alecrim-feitoamaoTenho uma marca chamada Alecrim. Ela surgiu em 2011 quando eu não aguentava mais a chefe que me deixava maluca e pedi as contas de uma multinacional. O salário era o melhor que eu já tive, trabalhando como publicitária, porém os choros e as unhas roídas não valiam tamanha quantia. Pedi as contas! Me libertei daquilo, que pra mim, já não fazia mais sentido.

Nas primeiras noites dos meus dias livres, tive um sonho! Sonhei com a música do Alecrim Dourado! Aquela mesma, que não sai da cabeça… ‘Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado…’ Depois daquela noite, eu sabia que algo na minha vida ia ter esse nome. Dito e feito!
Sempre gostei de desenhar, de pintar e colorir. E queria que minha arte, de alguma maneira, tocasse as pessoas, queria transmitir amor para esse mundo tão carente de gentilezas.

Sempre ouvi nos lugares que trabalhei que a gente precisava ‘vestir a camisa’ do projeto, ‘vestir a camisa’ da empresa. E foi isso que fiz, ‘vesti a camisa’ do meu sonho de ter asas próprias. Mas estava cansada de ver por aí sempre as mesmas ilustrações nas camisetas. Então, resolvi que os clientes é que iriam escolher as artes que queriam vestir. Comprei algumas camisetas, desenhei umas mandalas nelas e postei fotos na internet. E rolou, muita gente curtiu e comprou! As encomendas foram aumentando e os pedidos de outros objetos apareceram.

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Hoje, o Alecrim estampa t-shirts, ecobag, quadrinhos de parede, capa de almofada, potes de vidro, paredes, posters, etc… Tudo desenhado a mão, feito com amor e carinho para o cliente que encomendou.

Desde Abril de 2016, estou focada no meu sonho/projeto e pretendo crescer com ele cada vez mais! E quando olho pra trás, sei o tanto que aprendi e penso que estou mais forte e que tudo valeu a pena!
Trabalhar por conta própria não é nada fácil! Mas o amor e gratidão que sinto, quando faço algo que realmente acredito, vale todas as dificuldades financeiras que enfrento.

Então, se eu pudesse dar alguma dica pra quem está começando seria: NÃO DESISTA! Vá atrás do que faz o seu olho brilhar. Planeje e tenha foco, porque TUDO o que a gente quer, a gente consegue!

Gratidão pela oportunidade de contar um pouco da minha história, meninas!”

Para conhecer mais o trabalho do Alecrim, acesse a página do Facebook ou siga o Instagram: @alecrimestampas.

Compre com Elas – Especial Artesãs – Estelarte

Uma das missões da Feminaria é auxiliar as mulheres empreendedoras a estarem onde desejam. Isso inclui dar visibilidade a elas e ajudar a divulgar seus projetos e produtos. Investir no trabalho de quem está ao nosso lado é uma forma de garantirmos o crescimento umas das outras.

Em 2017, o nosso especial Compre com Elas continua com força total. Vamos juntas?

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No Compre com Elas de hoje, a nossa artesã Estela Brandi, criadora da Estelarte, nos presenteia com este depoimento cheio de lições. Conhecer quem está por trás dos produtos que amamos é incrível. Nos ajuda a ter mais empatia e a estreitar os laços.

Confira a história dela:

Iniciei o Estelarte em setembro de 2015, porque os amigos gostavam muito do que eu fazia, falavam para eu vender. Como precisava de um hobby porque o mundo corporativo (e a vida também) estavam me sufocando, resolvi fazer uma pagina no Facebook para divulgação. Até então era realmente um hobby: sem noção nenhuma de precificação, fazia um mundaréu de coisas (acessórios, encadernação, bordados, quadros para maternidade, etc.), tirava fotos bem “meia boca” e não olhava para esta empresa como ‘sustento’, mas já era algo que me deixava extremamente feliz!

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Criar coisas novas, ver a carinha e o sorriso de cada pessoa que comprava ou ganhava algo e adorava o produto, ter a sensação de que fui eu que fiz todo o processo, era algo que me encantava e eu já sentia que aquilo era o que eu queria, mas eu não queria sair da situação confortável de CLT que tinha. Foi então que passei por um super combo de final de ano em 2015 (demissão + separação) e fiz uns cursos de auto conhecimento que me fizeram ver que o que eu realmente queria estava no empreendedorismo e na ativação da Estelarte como algo mais ‘sério’. Queria viver das minhas criações, viver livre para criar quando eu quisesse, fazer coisas que as pessoas gostem e sejam úteis para elas (seja na própria funcionalidade de um produto ou na sensação de presentear alguém ou se presentear com algo cheio de significado) e, por fim, dar vazão a uma mente que a todo momento está criando ou pensando em algo. A partir desta noção do que eu realmente queria, comecei, em Julho de 2016, a olhar pro Estelarte de maneira mais focada, mais empresarial e mais apaixonada. 

A partir de então, defini os produtos que eu queria fazer: sempre quis misturar muitas técnicas porque gosto de fazer muita coisa. Porém, sabia que neste começo precisava focar em algo e foquei na decoração, que eu amo demais e consigo misturar algumas técnicas durante a produção. Então, limpei a loja e comecei produzir apenas almofadas em patchwork. Fui fazendo alguns cursos de empreendedorismo e mais cursos de artesanato para ampliar minha gama de técnicas e, consequentemente, de produtos. Com isso, hoje o Estelarte produz e vende produtos decorativos mais diversificados: almofadas em patchwork, almofadas bordadas, quadrinhos em bastidor, porta-correspondências e chaves, porta-colares e outras cositas para decorar qualquer ambiente!amy

Meu processo criativo é a união de diversas fontes de inspiração e depois um filtro delas: sempre estou vendo o Instagram (de artesãos, ilustradores, lojas de decoração e etc.); prestando atenção na rua, nas pessoas, nos lugares (para quem faz patchwork o azulejo de uma cozinha já é baita inspirador…). Dedico algumas horas da minha semana ao Pinterest (válido para pesquisas e inspirações em qualquer campo, mas acredito que para quem faz artesanato lá é o paraíso de muita inspiração seja de produtos, de combinação de cores e ate de ideias para composição das fotos de produtos). Tento fazer cursos de técnicas variadas (acredito MUITO nessa multipotencialidade da criação: você pode unir patchwork + ilustração+ encadernação, por exemplo) e também sempre tento prestar atenção no que as pessoas curtem e no que elas precisam.

Juntando tudo isso, a cabeça cria MUITA coisa legal, daí eu anoto tudo (sempre tenho um caderninho na bolsa) e um dia na semana eu sento e vejo o que, dentre essas coisas que eu juntei, eu consigo criar. Isso me dá ideias novas de produtos e de cursos que eu posso pensar em fazer para agregar às minhas criações. Nessa miscelânea inspiradora é que eu vejo quais temas são mais interessantes para produção e a partir disso quais as técnicas seriam mais legais para esses produtos e, depois disso tudo, vejo quais materiais seriam necessários.

Estejam sempre abertas em todos os lugares para receber ideias novas! Eu acredito muito que a ideia é uma energia que está louca para entrar na cabeça das pessoas, basta você estar aberta a ela que ela entra e faz coisas incríveis com sua cabeça! “

Ser empreendedora é algo engrandecedor e que te faz aprender muita coisa, te faz ser mais responsável, mais pensativa e até mais questionadora. Quando você empreende, tem uma noção maior de como funciona um processo de produção. Consequentemente, acaba sendo questionadora de processos e criadora de outros.

almof_snail-trail_comicsEsse ‘ser empreendedora’ me fez mais responsável comigo mesma (o que faz bem para mim e o que não faz); com as minhas contas (o que eu realmente preciso comprar e por que); com os prazos dados e recebidos; me fez ver como o processo de produção afeta o preço de algo (com isso, respeito muito o preço/valor que cada um dá para o seu produto) e, principalmente, me fez melhorar a relação com o outro (empreendedor sem empatia, paciência e simpatia não vai muito longe, pelo menos ao meu ver).

Mas não é uma caminhada muito fácil…… A minha maior questão e dificuldade (ainda) no ramo do próprio negócio é com a instabilidade de rendimento. Como estou no inicio, não é todo mês que entra algo e nem sempre faturo o que eu preciso. E quando você tem um aluguel, essa questão fica bem urgente e sempre preocupante. Porém, eu tenho um objetivo e uma certeza interna de que estou no caminho certo, e acredito que é isso que não me faz pirar loucamente com essa preocupação!

Outra questão que também é um pouco complicada é que muitas pessoas não valorizam o real valor do trabalho artesanal, acham maravilhoso, mas como não tem noção das horas dispensadas para fazer, do preço do material e do próprio valor do produto (seja porque é único, seja porque não polui o ambiente, seja porque não há trabalho escravo envolvido e etc.) e acabam achando tudo caro. Isso dificulta um pouco as vendas e o processo de divulgação e fortalecimento do trabalho artesanal.

Também não vejo isso como apenas culpa do consumidor. Também acho que nós, criativos/empreendedores, devemos nos valorizar mais, investir em mais conhecimento para um produto cada vez melhor, valorizar nosso trabalho, valorizar o outro criativo/empreendedor (seja comprando ou apenas divulgando o trabalho). Acredito que precisamos cada vez mais criar entre nós uma rede gigantesca de ajuda mútua para que esse problema, que vejo ser de quase todo artesão/empreendedor, seja sanado ou, ao menos, minimizado.

As duas maiores dicas ou conselhos que daria a alguém que está querendo trilhar o caminho do empreendedorismo com suas próprias criações são:

1- ESTUDE! O conhecimento abre portas! Estude muito sobre empreendedorismo! Não somos um país que aprende a ser empreendedor na escola ou na faculdade, então estude! Aproveite as palestras, workshops e tudo mais que o Sebrae, o Google, o YouTube e também a Feminaria tem sobre esse assunto! E também estude muito sobre o que você quer trabalhar! Tente fazer cursos com os melhores e se aprimore cada vez mais.

2- VALORIZE-SE! E aqui cabem as duas vertentes: Valorizar você mesma para buscar o que realmente quer, aquilo que vai te deixar feliz e bem consigo mesma (e só VOCÊ sabe o que é) e também valorizar o seu produto, o seu esforço empregado nele, fazer um preço condizente com o que você gastou! Não é porque fulano, sicrano ou as Lojas Americanas vendem mais barato que você tem de baixar o preço. O seu valor quem dá é você e não as Lojas Renner. “

Os trabalhos da Estelarte estão nas redes sociais: Facebook e Instagram.

Compre com Elas – Especial Artesãs – Sereiarte

Uma das missões da Feminaria é auxiliar as mulheres empreendedoras a estarem onde desejam. Isso inclui dar visibilidade a elas e ajudar a divulgar seus projetos e produtos. Investir no trabalho de quem está ao nosso lado é uma forma de garantirmos o crescimento umas das outras.

Vamos juntas?

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No Compre com Elas de hoje vamos conhecer a história da Beatriz Brangioni, da Sereiarte. Ela produz lindos chalkboards – aqueles quadros com frases e desenhos lindos que tanto amamos. A Beatriz escreveu um depoimento contando sua trajetória e dividindo um pouco de suas experiências conosco.

Confira abaixo:

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Meu nome é Beatriz, tenho 22 anos, faço chalkboard e a minha loja se chama Sereiarte.

Quando me formei no Ensino Médio, veio aquela pressão de “você precisa trabalhar/passar na faculdade”. Eu não passei na faculdade, então fui trabalhar. Meu primeiro emprego foi numa loja de roupas, como vendedora. Eu adorava o contato com o público, fazer as vendas, me comunicar. Mas a carga horária era cansativa, o trabalho era exaustivo e eu me sentia muito inútil, porque não sentia que estava fazendo algo em que pudesse colocar todo meu amor, sabe? Algo que você que está fazendo para mudar o mundo. Eu moro em Rio Bonito, interior do Rio de Janeiro, é uma cidade pequena onde as opções de trabalho não são muitas.

Aí, com a minha insatisfação, meus pais me ajudaram a abrir uma loja de roupas, minha, do meu jeito. E apesar de não ter dado certo, foi uma experiência super legal e foi a primeira vez que tive o gostinho de fazer algo meu, com a minha cara.

Logo em seguida, consegui passar na faculdade. Só que como era em outra cidade, o período era integral, os custos eram altos e eu não estava tão animada com o curso, acabei trancando. Mas eu não queria voltar pra esse mercado de trabalho chato, que a gente faz coisas sem sentido trabalhando tão duro pra algo que eu não tinha nenhum retorno pessoal, nenhuma satisfação.
Foi aí que surgiu a Sereiarte, em Outubro de 2015.empresa-feminaria-2
Meus pais tinham uma empresa de eventos, desde antes de eu nascer, então cresci nisso de festas, aniversários, casamentos… Sempre gostei. Adorava ver as pessoas felizes em momentos tão especiais. E com isso, acabei pegando uns convites, uns banners pra fazer. Foi aí que aprendi a usar Photoshop e tudo o mais.
Quando tranquei a faculdade, minha mãe, pesquisando tendências e ideias, conheceu o chalkboard que já estava bombando no exterior. E me mostrou “Olha, Bia, que legal, será que você consegue fazer?” Fiquei encantada com a ideia. Era a oportunidade que eu tinha de fazer algo de que gostava. Era a oportunidade de me sentir útil pro mundo, fazendo algo tão especial pra registrar os momentos felizes das pessoas.
Divulguei na internet e comecei como um hobby, algo que eu iria fazendo até achar “um emprego de verdade”. Hoje, esse é o meu emprego de verdade, é o meu negócio. Eu posso fazer o meu horário, a minha agenda e ganho muito mais do que ganharia trabalhando 6 dias na semana, várias horas em pé. Fora as pessoas incríveis que conheço, as histórias lindas que eu sou escolhida pra registrar. Momentos super especiais de gente de todo lugar do mundo com histórias totalmente diferentes. Me sinto muito grata pela confiança que as pessoas depositam em mim pra participar de um dia único na vida delas.
O chalkboard é um quadrinho personalizado que imita uma lousa em giz. Eu faço pra qualquer ocasião. Tem pra datas comemorativas, chás de bebê, casamentos e aniversários e para presentes. E para Empresas (fiz o da Casa Feminaria, aliás!), tabelas de valores e convites também.
Eu registro histórias de gravidez, desenvolvimento de crianças, histórias de amor (lindas!), características que tornam alguém super especial e músicas que a gente ama. Até pedido de casamento eu já fiz!  O legal é que dá pra todas as idades.
musica-os-cegos-do-castelo-molduraTodas as minhas artes são criadas exclusivamente para cada cliente. Eu recebo a história deles e crio com meu coração.  O nome da loja é Sereiarte, pois são as duas coisas que AMO (sereias e arte). E também tem aquela mensagenzinha subliminar “Serei arte”. Faço em vários tamanhos e envio as artes para todo Brasil por e-mail e pelo Correios.
O que eu aprendi com meu próprio negócio foi a ter mais confiança em mim mesma, em acreditar que sou capaz de participar de sonhos, de fazer algo bom pro mundo, do meu jeitinho. Aprendi também que as mulheres unidas são TUDO! A maioria das minhas vendas são feitas pra mulheres em grupos de mulheres, e isso é muito importante. Mostra a importância da sororidade pra fortalecer umas às outras. Fiz amizades e parcerias lindas graças ao meu trabalho e às oportunidades que tive nesses grupos, inclusive na Feminaria.
O meu recado é pra ninguém ter medo de se arriscar e de tentar (não importa quantas vezes) encontrar aquilo te faz sentir-se especial, única e feliz. Quando a gente trabalha com o que gosta, tudo fica mais leve. E sim, é possível amar o que a gente faz”.
Confira o trabalho da Beatriz no Facebook, e sua loja virtual na Elo 7.
Para as leitoras deste texto, a Sereiarte está oferecendo 10% de desconto – basta enviar uma mensagem através da página do Facebook, informando que leu este post!

Compre com Elas – Especial Artesãs – Lava

Uma das missões da Feminaria é auxiliar as mulheres empreendedoras a estarem onde desejam. Isso inclui dar visibilidade a elas e ajudar a divulgar seus projetos e produtos. Investir no trabalho de quem está ao nosso lado é uma forma de garantirmos o crescimento umas das outras.

Vamos juntas?

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No Compre com Elas de hoje, trazemos para vocês um pouco da arte da Natalia Oliveira, artesã e proprietária da Lava. Ela produz lindos acessórios de cerâmica, como brincos, colares e anéis.lava3

A Lava Cerâmica é fruto da minha paixão por produzir peças/acessórios com minhas próprias mãos. As peças são modeladas desde o barro, esmaltadas, queimadas no forno e montadas artesanalmente, o que torna as peças únicas. Eu busco criar peças que se apresentem como uma opção para quem busca o natural, elegante e simples”.

lava4A Natalia nos disse que começou a trabalhar com cerâmica graças ao desejo de conhecer novas formas de fazer arte. “A curiosidade logo se transformou em paixão e as joias foram um passo natural para as pequenas esculturas que eu estava produzindo. Os pingentes de colar dão bastante liberdade para experimentar com formas e cores”.  A inspiração para criar as peças vem de insetos, quadros, formas da natureza, bem como dos sentimentos.

Falando sobre a ideia de empreender, Natalia disse que “surgiu da vontade de dividir minhas criações com outras pessoas. Eu já estava produzindo demais para mim mesma e pensei que poderia começar a comercializar e fui bem recebida”.

A maior dificuldade que ela enfrenta é a de encontrar seu público fisicamente e estabelecer qual é o canal de comércio mais eficiente – através do site, de feiras, ou nas redes sociais, como Facebook e Instagram.lava2

Entre as lições que tem aprendido na trajetória como artesã e empreendedora, Natalia comenta: “Precisa ter resiliência, acreditar em si mesma e no seu produto senão as adversidades te desanimam rapidamente. Além disso, fazer parte de um coletivo e entrar em contato com artesãs da sua região cria uma ótima rede de apoio e medidora das condições do mercado”.

O recado que ela tem para a gente? “Troquem experiência com outras artesãs e busquem a sororidade”.

Confira os trabalhos da Natalia na Página da Lava, no Facebook.

 

O dia em que minha vida mudou (ou esse tal câncer de mama)

– por Fernanda Savino

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Eu lembro exatamente desse dia: era uma segunda-feira, dia 24 novembro de 2014. Eu tinha 32 anos e tinha acabado de retornar de uma viagem de férias.  Tinha uma consulta marcada com o Dr. Ginecologista por conta de exames realizados antes de viajar, pois precisava tirar um nódulo que ocupava um espaço “grandinho” no meu seio esquerdo. Pois bem, cheguei no consultório com a minha mãe e esperamos pela nossa vez. Quando o Dr. Ginecologista chamou meu nome, entramos na sua sala e desatamos a conversar sobre a viagem. Eu era a última paciente daquela segunda-feira. No entanto, todo o clima ameno se dissipou no ar quando ele me disse que as notícias não eram tão boas. De repente, as palavras “câncer”, “quimioterapia” e “cirurgia” passaram a fazer parte da nossa conversa.

Foi um baita choque! Parece que o chão foge sob os seus pés e a cabeça não para de pensar em tantas hipóteses. Desatei a chorar, amparada pelas mãozinhas da minha mãe que apertavam a minha para me dar força. Eu, no auge dos meus 32 anos, sem nenhum caso de câncer na família, de repente, me vi de frente com aquele turbilhão de informações que eu nem sabia da onde vinham. A única coisa que eu conseguia dizer era “vai ficar tudo bem”.

E foi nisso que eu acreditei (e me agarrei com todas as forças) durante o meu tratamento. Fui pulando de uma consulta para a outra, um exame atrás de outro, até iniciar a quimioterapia no dia 18 de dezembro. Era uma mistura de ansiedade e medo, mas eu não tinha outra opção a não ser ser forte e enfrentar a coisa toda de frente.

Foi uma fase muito difícil para mim e acredito que também tenha sido para todos que me cercavam. Foram oito ciclos de quimioterapia (quatro “vermelhas” e quatro “brancas”) para diminuir o tumor. Depois de torná-lo do tamanho de um feijão, passei por uma cirurgia menos invasiva e, por fim, fiz trinta e três sessões de radioterapia, além de precisar tomar um “remedinho” na veia a cada 21 dias até março deste ano. O tratamento é extremamente agressivo e traz um monte de questões físicas e psicológicas com as quais você precisa aprender (ou acaba aprendendo “na marra”) a lidar. Mexe com a auto-estima, com os familiares, os amigos, o trabalho e mexe muito com os seus limites. No meu caso, me dei conta de que, de fato, não tenho controle sobre nada nessa vida e que é difícil pra caramba lidar com limites. Você quer fazer uma porção de coisas, mas não consegue porque o corpo não vai aguentar.

Muitas vezes eu não reconhecia a pessoa que aparecia no espelho: primeiro mais magra e careca, depois com o rosto mais inchado, sem as sobrancelhas e os cílios. Sou humana e isso implica em muitas escolhas e muitos sentimentos envolvidos. Diante de uma situação dessa, eu aprendi a lidar com o que eu queria fazer e não com o que eu tinha que fazer. Havia dias em que eu acordava sorrindo para tudo e para todos e não deixava que o tratamento acabasse comigo. Outros, porém, eu não queria levantar da cama e eu, simplesmente, não levantava. Havia dias que eu queria receber visitas, queria conversar com as pessoas, queria escrever… em outros, não queria falar com ninguém, queria apenas que o dia passasse, queria que o tratamento acabasse logo. É engraçado como com o decorrer da vida nós nos apegamos tanto ao “tem que ser assim” ou “tem que ser assado”. Com toda essa experiência, eu aprendi que nada “tem que ser”, mas que precisamos aprender a nos respeitar, acima de qualquer coisa.

Passados quase dois anos do dia em que recebi o diagnóstico mais assustador da minha vida, vejo que muita coisa mudou de lá pra cá. Ainda hoje sinto alguns dos efeitos colaterais, porém, já não me importo mais tanto com isso. O que importa é que passou e eu estou viva! A experiência toda com o câncer me trouxe (e ainda traz) inúmeros aprendizados, mas, ainda assim, eu jamais desejarei que alguém precise passar por isso para enxergar a vida com outros olhos. Hoje em dia eu aprendi a olhar para mim com mais amor; a cuidar mais de mim; a colocar a minha saúde em primeiro lugar, sem ficar adiando consultas, exames e/ou esquecendo de que eles são necessários. Percebi que o bem mais precioso que eu tenho é a vida e que é necessário aprender a viver um  dia de cada vez, com mais amor, serenidade e alegria. Hoje eu dou muito mais valor às pequenas coisas, aos pequenos gestos, ao amor que as pessoas compartilham comigo. Dou valor aos encontros, aos reencontros e até mesmo aos desencontros. E, acima de tudo, dou muito valor à minha saúde e à minha vida!

Fernanda Savino

Formada em Letras pela USP e em Direito pelo Mackenzie. Advogada de um grande escritório em São Paulo, atua nas áreas de direito bancário, empresarial, societário e mercado de capitais. Apesar de mudar completamente de profissão, jamais abandona sua paixão pela literatura.