Pandora – Comunicação e Assessoria de Imprensa para Mulheres

A Pandora é uma assessoria de imprensa voltada para mulheres e que coloca o feminino como protagonista. Nascida do desejo por um mundo mais justo, com mais oportunidades para as mulheres e equidade de gênero no ambiente corporativo, a Pandora – Comunicação e Assessoria de imprensa para Mulheres foi criada para atender a um público específico: mulheres artistas, profissionais liberais, donas de pequenas empresas, franquias e empreendedoras.

Tivemos o prazer de conversar sobre a Pandora com sua fundadora, a jornalista Fernanda Vicente, que também é idealizadora e coordenadora do projeto Mães no ENEM & Mães na Universidade. Confira a entrevista:

pandora

  1. Conte-nos um pouco sobre a Pandora. Qual é a principal proposta? Qual o público-alvo?

A Pandora – Comunicação e Assessoria de Imprensa para mulheres nasceu de um desejo que tinha como mulher, feminista e jornalista: trabalhar para e com mulheres. Sou formada há 14 anos, passei por veículos de comunicação, assessorias de imprensa e agências de comunicação e decidi pegar toda minha experiência e usar a favor das mulheres.

A proposta é colaborar para o crescimento pessoal e profissional de mulheres. A Pandora foi criada para atender mulheres, todas as mulheres sem exceção. Sejam elas artistas, profissionais liberais, donas de franquias, e-commerces, empreendedoras, etc.

  1.  Na sua opinião, quais ações os veículos de comunicação deveriam tomar para que o jornalismo fosse mais inclusivo e humanizado?

Acredito que o jornalismo deve ser com e para o povo. Estamos a serviço de uma sociedade e isso foi esquecido pelas grandes empresas de comunicação quem te interesses obscuros, capitalistas.

Um jornalismo inclusivo é aquele que tem a participação da sociedade, principalmente das minorias, que denuncia, que não está preocupado em audiência ou em vender jornal. E incluir é justamente colocar o dedo na ferida, incomodar, ser um soco no estômago, mas sem apelar para o sensacionalismo, o que é a grande dificuldade dos dias de hoje.

  1. Você sente que, como mulher e jornalista, tem mais dificuldades em conseguir produzir matérias ou conquistar espaço dentro das publicações? E no caso de matérias que falam sobre mulheres, como funciona?

Já foi pior. Hoje, é evidente que sua competência ainda é colocada a prova quando se é mulher. Existe um movimento muito importante chamado Jornalistas Contra o Assédio que justamente aborda e denuncia essas questões de gênero nas redações jornalísticas, que vão desde o questionamento da capacidade como profissional até assédio de algumas entrevistadas (fontes).

Como falar sobre mulher e nossas demandas é o “boom” do momento, não está sendo mais tão difícil como era antes. Claro que também depende muito do tema que você vai abordar. Se for pra falar de aborto, por exemplo, as coisas ainda são bem complicadas, porque não vivemos em um país laico de verdade.

  1. Na sua opinião, qual é o principal desafio de quem trabalha com comunicação e jornalismo, atualmente?

Vivemos tempos difíceis com todos os retrocessos que o país enfrenta. Acredito que hoje esse seja o nosso maior desafio. O desafio hoje é ser imparcial, ética e lembrar sempre que jornalista está a serviço da sociedade e não de interesses mesquinhos.

  1. Deixe uma mensagem para nossas leitoras!

Por mais clichê que seja, gosto e acho linda uma frase que li uma vez em um cartaz em uma marcha feminista “Mulheres são como águas, crescem quando se encontram”. E é nisso que acredito.

Para saber das novidades, acompanhe a Pandora pelo Facebook.

Pensamentos de uma mulher cansada

– por Mariana Zambon Braga

Hoje é uma data que me traz sentimentos conflitantes. Comemoramos as lutas que nos propiciaram à conquista de diversos direitos para a mulher, como o direito de votar, trabalhar, estudar, ser sexualmente livre e independente (estes dois últimos um tanto quanto questionáveis). Ao mesmo tempo, analisando o panorama do nosso país e do mundo, a sensação que se tem é a de que não chegamos a lugar algum. Faz tanto tempo que estamos reivindicando exatamente as mesmas coisas e, em diversas ocasiões, quando parece que chegamos a um ponto satisfatório, perdemos em alguma frente. 

514896438

É cansativo. É inacreditável ainda ter que protestar, explicar, ser silenciada em conversas por homens que julgam conhecer mais do que nós a nossa própria realidade. 

Eu gostaria de me sentar aqui na frente do computador e dizer frases de efeito e motivadoras. Destrinchar todas as vitórias, histórias de luta e superação para inspirar a nossa jornada e abrir um sorriso no seu rosto. No entanto, me falta uma boa dose de ânimo.

É claro que os espaços que ocupamos na sociedade são cada vez maiores, que estamos mais unidas e fortalecidas, que a nossa voz às vezes parece muito mais forte do que no passado. Estamos vivendo um momento crucial de reflexão, reconhecimento e organização das mulheres, algo que pode ser o prenúncio de um levante feminino como nunca vimos antes. Ou será que estou sonhando demais?

GettyImages-512352531_Hero_Intl-Womens-Day

Há cerca de cinquenta anos, o movimento feminista como o conhecemos hoje reivindicava igualdade salarial e melhores condições de trabalho para mulheres, principalmente as mães. As mulheres marchavam pela divisão das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos, pelo fim da dupla jornada de trabalho, pelo respeito e pela não objetificação da mulher. Meio século depois, continuamos gritando e clamando pelos mesmos direitos.

A única coisa em que consigo pensar neste dia é no quão cansada estou por sempre ter que repetir as mesmas coisas, a cada ano que passa. Em 2016, escrevi um texto no meu blog pessoal, dizendo resumidamente o seguinte:

Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, somos repudiadas, silenciadas, tratadas como seres inferiores, mas, em um dia do ano, temos uma enxurrada de elogios e flores e mensagens com conteúdos melosos em todos os lugares. Como se esta migalhas saciassem nossa fome por igualdade e justiça. Como se fôssemos dignas de respeito e admiração apenas  neste dia, e apenas da maneira que convém aos outros.

Alguma coisa mudou? Talvez você seja uma mulher sortuda, como eu, que convive com um homem que te respeita, e isso seja algo que faça toda a diferença no seu microcosmo. Talvez você tenha o privilégio de trabalhar e conviver em espaços mais seguros e onde o machismo é menos escancarado. E quanto ao resto do mundo? É impossível viver isolada em uma bolha de amor e desconstrução o tempo todo. Conclusão: temos que continuar levantando a nossa voz, mesmo que isso seja cansativo.  53380271

Porque ter que falar o tempo todo que não somos obrigadas a aceitar os padrões de beleza, que não precisamos nos enquadrar no conceito de feminilidade, que ninguém deveria nos dizer como e quando e quem devemos amar, que, afinal, somos gente, somos humanas e merecemos viver de forma digna – isso deixa qualquer uma exausta.

Porém, não é por isso que vamos parar de lutar ou nos calar. Diante de tudo isso, gostaria de propor uma reflexão, nesta data que serve justamente para isso: qual é a nossa estratégia para alavancar as mulheres ao nosso redor, incluindo nós mesmas? O que eu, você, nós, juntas ou em nossos contextos individuais, podemos fazer, ou continuar fazendo, ou fazer melhor, para que as pautas que reivindicamos há mais de meio século deixem de ser lutas e se transformem em conquistas? 

Quando o Dia Internacional da Mulher remeter apenas à memória das lutas passadas, e não à necessidade constante de batalhar por coisas básicas, como a liberdade de andar na rua sem ser assediada, então será um dia para, de fato, comemorar com a alma leve. De receber flores sem sentir seus espinhos ou um nó na garganta ao lembrar de todas as vezes que tivemos que engolir a seco o descaso de um chefe, os risinhos dos colegas de trabalho que nos menosprezam por causa de nosso gênero, entre tantas outras violências, simbólicas ou reais, que sofremos no dia a dia.

Para hoje, o meu desejo é que todas nós sejamos inspiração umas para as outras. Que possamos encontrar umas nas outras apoio, acolhimento, empatia, poder, força, amizade e aprendizado. Por nós, para nós, juntas, nem uma a menos, somos fortes, melhores e maiores. Podemos estar cansadas, exaustas, perplexas por ainda ter uma distância enorme a percorrer. Mas as nossas lutas, políticas, pessoais, sociais, jamais serão em vão.

Avante!

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Imagens: Getty Images

Como a auto-sabotagem pode estar atuando na sua vida

– Por Gisele Ventura

A auto-sabotagem é um mecanismo muito comum, que opera de modo inconsciente fazendo com que puxemos nosso próprio tapete. Curiosamente com o intuito de nos proteger e nos manter na zona de conforto.

Como funciona a auto-sabotagem?

raquel-aparicio-mindfood-self-sabotage
Imagem: Raquel Aparicio

Após tantos envios de currículos, entrevistas, estudo e preparo, finalmente A. consegue o emprego dos seus sonhos. Logo no início, ansiosa para colocar seus potenciais em ação e mostrar a que veio, ficou com a saúde abalada. Tentou resistir, compareceu a empresa assim mesmo durante alguns dias, até que acordou tão fraca que precisou ser levada ao pronto socorro. O diagnóstico não foi tão grave mas exigiu uma semana em repouso.

Aniversário de dez anos de casamento, JP resolve fazer uma surpresa para sua esposa e compra um lindo anel de brilhantes em uma famosa joalheria. No estacionamento do shopping, coloca o pequeno pacote em cima do capô do carro enquanto procura a chave nos bolsos. Alguns minutos depois, já na rua se dá conta de onde havia deixado o presente. Tarde demais.

R., uma mulher bonita, profissional reconhecida, criativa, cheia de vida não consegue encontrar um parceiro para um relacionamento satisfatório. Conhece muitos homens, por meio de apresentações de amigos, encontros profissionais, aplicativos, eventos. Mas, em algum momento da relação percebe que tem uma característica em comum: parecem estar procurando uma mulher para sustentá-los.

Situação comum: Mulheres que gostariam de trabalhar mas que acabam ficando em casa após o nascimento dos filhos, até que não conseguem se recolocar mais (salvo as que realmente fizeram esta opção de forma consciente) muitas vezes estão sabotando suas carreiras.

Exemplos não faltam a respeito de auto-sabotagem. A auto-sabotagem é um tema tão presente nas nossas vidas, mas ao mesmo tempo tão difícil quase impossível de nos darmos conta. Por quê?

Porque ocorre em um nível inconsciente, tão profundo da nossa psique que não somos capazes de enxergar a olho nu. E, falar em auto-sabotagem, no exemplo de uma doença física, que aparece nos exames, parece até loucura não é?

“Como assim eu estaria provocando esta doença em meu corpo?”, você pode estar se perguntando.

Sim, concordo que é um assunto muito delicado e pode ser até mesmo soar como ofensivo ou leviano para quem sofre de alguma doença. Então, reforço que não necessariamente todo adoecimento é provocado pelas emoções. Existem fatores genéticos, doenças herdadas, ou geradas pelo ambiente, hábitos ou mesmo pela toxicidade dos alimentos.

Mas o inconsciente sim tem o poder de desencadear crises, agravar ou abrandar o problema. E, em algumas situações pode ser a fonte causadora.

A auto-sabotagem se disfarça de tantas formas, que parecem ter explicações tão racionais que realmente fica difícil visualizar que podemos estar sabotando nosso sucesso, saúde, relacionamentos e bem estar de modo tão imperceptível.

Mas afinal, porque no auto sabotamos?

Cada caso é um caso, não tem como generalizar, o mundo psíquico é vasto e extenso, atemporal. Composto pela nossa história, pelas nossas interpretações dos fatos da vida, nossos registros, memórias.

As pessoas se sabotam por inúmeras razões, mas que só podem ser compreendidas com um trabalho profundo de autoconhecimento. A grosso modo podemos conjecturar que é uma forma do ego se proteger de situações ameaçadoras. Para clarificar, segue alguns motivos comuns:

giphy

Culpa:

Crescemos sob a sombra da culpa. Seja vinda da religião: “se não for bonzinho (a) vai para o inferno.” “Tem que colocar a necessidade dos outros antes da sua.” etc.

Conheci uma pessoa que pedia para o filho de 8 anos, todas as noites refletir sobre seus pecados.

Ou culpa cultivada no ambiente familiar: “tem que ser boazinha/bonzinho, responsável, dar a sua vez, cuidar dos seus irmãos pois você é mais velha/velho, compartilhar seus brinquedos ou doces, tem que ter as melhores notas”.  Muitas crianças sentem-se culpadas por brigas em casa e separação dos pais.

É importante salientar que não se trata necessariamente de pais ou cuidadores mal intencionados, mas sim a forma como os conceitos são passados de geração em geração. Muitas vezes com o intuito de educar ou proteger os filhos de perigos e exposições, afinal foi a forma com que estas famílias aprenderam a educar.

A culpa também tem uma função importante no ser humano e na sociedade, imagine se não tivéssemos culpa? Que caos que seria!

A questão é: como a culpa atua na auto-sabotagem. A culpa é sinal de não merecimento. Então se você, inconscientemente acredita que não merece algo bom, sucesso profissional, um relacionamento, uma família, um carro ou casa novos, uma viagem, amigos, tem que dar um jeito de colocar a perder certo?

Inveja:

Apesar de ser um sentimento tão condenado, todos nós, de uma forma ou de outra já sentimos inveja. Seja na infância, adolescência ou vida adulta. Em algum momento acreditamos que seria nosso direito ter o que pertence ao outro. Que o outro não deveria ter conquistado aquilo que cabia a nós. Quem nunca chegou a torcer em silêncio contra o sucesso de outra pessoa, ou não fez uma fofoquinha maldosa?

Assim sendo, quando sentimos inveja, acreditamos também que não podemos possuir algo bom. Pois, da mesma forma que desejamos secretamente que o outro perca sua conquista, acreditamos que como “castigo” perderemos a nossa também. Parece complexo, distante ou surreal demais? Sim. Assuntos do inconsciente são muito profundos para serem tratados em um texto sucinto.

tumblr_m6cdmoyJUu1qmr9rao1_1280

Síndrome do Impostor:

A síndrome do impostor é um nome um tanto quanto pitoresco e nada científico dado a um sentimento de incompetência e ineficiência. Ou seja, pessoas que acreditam que no fundo são uma fraude. Vivem com medo de que descubram sua “verdadeira face”. Muitas vezes são pessoas bem intencionadas, competentes, capazes, éticas mas não se apropriam de suas capacidades devido à baixa autoestima, e pouca confiança em si mesmas.

Apesar de não ser de fato uma “síndrome” pois não consta em manuais da medicina, é um estado muito comum que impede a pessoa de crescer e evoluir. Esse sentimento, o medo de “ser descoberta” a impede de alçar voos mais altos, decolar na carreira, na vida pessoal. Então, de alguma forma, o indivíduo dá um jeito de colocar tudo a perder antes que isso aconteça.

Ganhos Secundários:

Situações novas muitas vezes são desconfortáveis, nos tiram de um lugar conhecido. Talvez não tão bom, mas familiar. O sucesso, o novo, por sua vez nos traz um certo desconforto, o medo do desconhecido. Quais serão as novas responsabilidades? Que tipo de situações negativas terei que lidar quando meus desejos se realizarem?

A questão é que muitas vezes temos um ganho em permanecer em uma situação desfavorável.

Quando estamos doentes recebemos cuidados, atenção. Nos livramos de afazeres chatos, de responsabilidades.

Quando ficamos no lugar de “coitadinhos” acreditamos que atraímos a complacência ou empatia das pessoas. Ao contrário de quando ocupamos uma posição de destaque, de sucesso, tememos a inveja, receamos perder a companhia ou o apoio de determinadas pessoas. Ou, as pessoas podem começar a nos procurar para pedir ajuda.

O sucesso traz desafios, responsabilidades, trabalho. É necessário mantê-lo, cuidar da imagem, vigiar suas atitudes. Dá trabalho! Nem sempre desejamos pagar o preço.

Mas lembrem-se, tudo isso ocorre em um nível inconsciente, ou seja, invisível a olho nu!

Medo de comprometer o relacionamento ou a estabilidade familiar:

Quando as pessoas mudam ou saem da sua zona de conforto, estas mudanças podem interferir na dinâmica do seu ambiente. Por exemplo: a mulher vai para o mercado de trabalho e sai do papel de dona de casa, precisa contratar pessoas para dar conta da rotina doméstica ou cuidar das crianças, ou mesmo contar com a ajuda de familiares. Este trabalho pode implicar em viagens ou eventos que talvez não seja do agrado do cônjuge. Ou o restante da família pode julgá-la.

Algumas mudanças podem fazer com que cônjuges ou outros familiares fiquem insatisfeitos seja por sentirem-se ameaçados, com inveja ou sobrarão mais atividades para eles de modo que perderão certas comodidades. Inibida por essas possíveis reações negativas, a pessoa pode retroceder ou fazer com que seu projeto não dê certo por inúmeras razões que só o inconsciente é capaz de criar. Mas como ela mesma não se dá conta, logo arruma várias explicações e justificativas plausíveis e racionais para tanto.

Amelie - Nino & Amelie

Desejos contraditórios:

É uma situação muito comum. Algumas vezes desejamos exatamente o oposto daquilo que demonstramos ou lutamos para acontecer. Seja para atender uma exigência da sociedade, da família, ou para adquirir status e prestígio (pessoas com baixa autoestima).

Exemplos: perder dia da prova de vestibular, ou processo seletivo. Desejo de engravidar mas sofre abortos naturais sucessivos. Fazer uma má apresentação do TCC ou tese de mestrado.

Um executivo pode cometer um erro grave que venha a acarretar prejuízos para a empresa, vir a ser demitido e ficar arrasado. No entanto, já está há um tempo infeliz e desejando mudar os rumos da sua vida profissional. Claro que ele não queria prejudicar a empresa tampouco sua carreira, pelo menos de forma consciente.

Em um dos exemplos iniciais, o homem que deixa a joia que seria presente para sua esposa no capô do carro. Como estaria este relacionamento? Será que ele realmente desejou dar este presente a esposa?

Vingança:

Sim, as pessoas podem sabotar sua realização pessoal, sua saúde, seus projetos para punir ou se vingar de alguém.

Se mantem em uma posição de doente ou dependente para que algum familiar banque suas despesas, fique a sua disposição para o que for necessário.

Seja por mágoa, raiva dos pais ou cônjuge ou mesmo dos filhos, algumas pessoas se colocam nesta posição, prejudicando acima de tudo a si mesmas. Não se libertam e não libertam os outros envolvidos do encargo.

——————-

O assunto auto-sabotagem é muito amplo, a intenção deste texto foi apenas arranhar a superfície de um tema tão rico e fascinante. Fascinante e ao mesmo tempo trágico e real, muito real.

Tal termo não é de uso científico da psicologia, mas utilizado pelo senso comum. No entanto, são encontrados na literatura de estudiosos consagrados como Freud, C. G. Jung, Melanie Klein entre outros, referencias claras a situações de auto-sabotagem mas com diferentes nomenclaturas.

Como estes autores abordam basicamente a vida psíquica, o inconsciente, praticamente todos os casos clínicos e seus transtornos tem conteúdos relacionados a auto-sabotagem.

Talvez você esteja se perguntando nesse momento onde e como a auto-sabotagem se aplica a você, na sua vida. Se você percebe que ocorrem situações repetitivas que te prejudicam ou te impedem de alcançar seus objetivos, é bem provável que esteja nesse ciclo. Para detectar e romper e assim adquirir mais autonomia sobre sua vida, o caminho é um trabalho profundo e paciente de autoconhecimento.

Pode causar medo, ansiedade e há possibilidades de surgirem várias resistências e empecilhos pelo caminho para que fique onde está. Pelas mesmas razões mencionadas no decorrer do texto. Mas, no que tange ao autoconhecimento o lema é: “quebre as pontes que atravessar!”.

Gisele Ventura Essoudry

Psicóloga clínica especialista em Saúde Mental pela UNIFESP, coach e orientadora profissional. Em razão da também graduação em Marketing, trabalhou por quinze anos no mundo corporativo, nos segmentos de varejo e bancos, sempre na área comercial o que contribuiu muito para entendimento de questões relacionadas ao ambiente empresarial. Criadora do site de conteúdo www.autenticalab.com.br, ministra palestras e workshops sobre desenvolvimento pessoal. Dois e-books publicados: “Com autoestima é melhor!” e “Amor e relacionamentos, muito além do óbvio!”. Consultora da Feminaria, atende às associadas da Rede com agendamento pelo telefone (11) 2737-5998

 

* Texto originalmente publicado no site do Autentica Lab.

* Imagens: Cenas do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”

Entrevista – Cafezim e Prosa: Projeto Mulheres Viajantes

Quem nunca deixou para trás um projeto de viagem por medo de cair na estrada sozinha? Por que a sociedade ainda torce o nariz para mulheres que se mostram independentes e que encaram suas jornadas e seus passeios sem ter um homem ao lado?

Pensando nessa e em outras questões, a Thaís Carneiro, em seu blog Cafezim e Prosa, criou o Projeto Mulheres Viajantes, que reúne relatos das corajosas mulheres que se aventuram pelo mundo afora. Conversamos com ela para saber mais sobre essa iniciativa.

Cafezim e Prosa (3)

Como surgiu o projeto Mulheres Viajantes?

O projeto surgiu a partir do incômodo perante a cobertura midiática do assassinato das turistas argentinas Maria José Coni, de 22 anos, e Marina Menegazzo, de 21, no Equador, em que elas foram culpabilizadas, acusadas de estarem se colocando em situações de risco e de certa forma, legitimando o desfecho da história. Outro ponto que me chamou a atenção foi a recorrente menção à ideia de que elas estariam viajando sozinhas por não estarem acompanhadas de um homem e assim, contribuindo para a insegurança da sua viagem. Diante deste incômodo, decidi lançar o projeto como um discurso contrário, colocando que nós, mulheres, não devemos ser culpabilizadas enquanto vítimas, que temos o direito de ir e vir como todos.

Como foi a recepção/ participação no projeto por parte das mulheres que compartilharam seus relatos?

A recepção foi bem bacana, muitas mulheres se sentiram lisonjeadas pelo convite e com um espaço importante de fala, de exposição de suas experiências. Por muitas, a participação foi entendida como um ato político, de afirmação do gênero feminino em espaços que não são tidos como “lugar de mulher”, pois é quando nos confrontamos com o espaço público.

O engajamento de participação se ampliou com o anúncio do I Mulheres viajantes vai às ruas, encontro realizado no final de 2016, em São Paulo, para trocarmos experiências de viagem em uma roda de conversa.

A gente sabe que muitas mulheres sentem vontade de viajar, mas acabam desistindo por não terem companhia (e, consequentemente, por medo). Na sua opinião, quais medidas podemos tomar para vencer o medo e colocar o pé na estrada sem depender de ninguém?

A autorreflexão é necessária para avaliarmos até que ponto esse medo faz sentido e como ele pode estar restringindo suas ações. Pensando em estratégias práticas, o que costumo fazer é: ficar em quartos coletivos femininos em hostels; deixar os meus números de vôos/horários de ônibus e trem com os meus familiares bem como os contatos das pessoas com as quais vou me encontrar mesmo que seja alguém do Couchsurfing; reservar uma parte do dinheiro na doleira e outra trancada na mala; pesquisar e estudar bem o seu local de viagem tendo em vista hábitos/cuidados/locais perigosos através de blogs e relatos de outros viajantes; comprar com antecedência a hospedagem e o transporte, pois caso eu seja roubada, terei já tudo organizado.

Você já sofreu assédio durante uma viagem que fez sem uma companhia masculina (sozinha ou com amigas)? Como você lidou com estas situações estando longe de casa?

O assédio masculino, seja de cunho moral ou sexual, infelizmente é cotidiano para nós, mulheres. Em viagens, nunca sofri uma situação extrema de violência, apenas o assédio de olhares e uma palavra ou outra que insinuava algo a mais. Minha reação era seguir reto e não estabelecer contato visual.

viaja6

Na sua opinião, existe algum roteiro que seja “mais seguro” para a mulher que deseja começar a viajar sozinha, mas que ainda tem receio?

Acredito que a segurança vem mais de você do que do lugar. Para a minha primeira viagem sozinha de tudo, decidi voltar ao lugar que fiz intercâmbio, Buenos Aires, porque já conhecia a dinâmica da cidade e assim, podia me movimentar com mais tranqüilidade. Porém, acredito que se o teu medo é tão forte a ponto de te paralisar, vá para algum lugar que represente sua zona de conforto. Tenha em mente que o medo nunca passa. Pra mim, ele é cotidiano e é um instinto de sobrevivência mesmo, infelizmente.

O Primeiro Encontro Mulheres Viajantes vai às ruas teve uma ótima repercussão. Quantas mulheres participaram? Já tem alguma data marcada para o futuro? Quais são os próximos passos para o projeto?

Foi uma experiência incrível autogerida, em que estabelecemos uma roda de conversa com mulheres que em sua maioria, não se conhecia. Como o evento durou quase cinco horas, estimo a circulação de quarenta mulheres.

Teremos um novo encontro em São Paulo, no dia 04 de março, sábado, a partir das 14h, nos jardins suspensos do Centro Cultural São Paulo, próximo à estação Vergueiro. Além disto, estou organizando um encontro ainda esse semestre no Rio de Janeiro e um curso sobre Mulheres Viajantes na cidade maravilhosa.

viaja1

 

Aproveito para convidar a todas as mulheres viajantes que desejam compartilhar conosco suas experiências de viagem sozinhas ou entre mulheres a escreverem para cafezimeprosa@gmail.com e combinarmos a publicação na coluna. O projeto é coletivo e existe por conta da colaboração de vocês. Caminhando juntas, nos fortalecemos.

Acompanhe o projeto no blog Cafezim e Prosa , na página do Facebook e pelo Instagram.

Falta de tempo ou questão de prioridade?

– por Mariana Zambon Braga

Quem de nós nunca pensou: “Não tenho tempo para nada?”. Às vezes parece que se o dia tivesse 45 horas, continuaríamos sem tempo para fazer as coisas que queremos ou as tarefas que precisamos cumprir. Estamos sempre equilibrando várias áreas da vida- trabalho, vida social, vida pessoal, relacionamentos, crescimento, estudo – e não é raro termos aquela sensação de que somos malabaristas, e que, inevitavelmente, deixaremos a peteca cair.

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Quanto tempo você dedica às coisas que realmente gosta de fazer? Aquele projeto que nunca sai do papel, talvez já tivesse se tornado realidade, não fosse pelo tempo que não colabora. Se fosse possível, esticaríamos o tempo para acomodar todas as nossas vontades e necessidades. E se, ainda assim, o tempo continuasse curto demais?

Para tentar responder a algumas destas questões, a especialista  Laura Vanderkam estudou como as pessoas ocupadas vivem suas vidas. Ela descobriu que nós damos muito valor aos compromissos e subestimamos o tempo que temos para nós – ou o “tempo livre”. E que, na verdade, todos temos tempo. O que não temos é uma noção clara de quais são as nossas prioridades e de como acomodá-las à nossa rotina.

O tempo é algo bem relativo e elástico. Laura acredita que priorizar as áreas nas quais queremos investir mais horas do nosso dia é essencial. Talvez pareça óbvio, mas muitas vezes não colocamos isso em prática. Em outras palavras, alegamos que não temos tempo de fazer alguma coisa quando não estamos realmente interessadas naquilo. Sendo assim, antes de fazer qualquer planejamento, precisamos definir as nossas prioridades.

Na palestra How to Gain Control of Your Free Time (“Como assumir o controle do seu tempo livre”), ela sugere que devemos criar listas com várias categorias – profissional, pessoal, relacionamentos, por exemplo – e incluir de três a quatro itens prioritários em cada categoria, com os quais devemos nos comprometer. Como se fosse algo urgente que precisa, de fato, ser resolvido.

Ela ainda enfatiza que, como vivemos realidades diferentes, teremos prioridades distintas. O importante é saber como moldar o seu tempo, dentro do seu contexto de vida, para aproveitá-lo melhor.

E você, concorda com este ponto de vista? Que tal criar a sua lista de prioridades para este ano?

Assista ao vídeo abaixo para se inspirar!

[ted id=2647]

—-

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Compre com Elas – Especial Artesãs – Atelier 31 de Fevereiro

Uma das missões da Feminaria é auxiliar as mulheres empreendedoras a estarem onde desejam. Isso inclui dar visibilidade a elas e ajudar a divulgar seus projetos e produtos. Investir no trabalho de quem está ao nosso lado é uma forma de garantirmos o crescimento umas das outras.

Em 2017, continuaremos com o nosso especial Compre com Elas. Vamos juntas?

————–

A Vanny Tavares é criadora do Atelier 31 de Fevereiro. Ela faz arte com feltro e dá vida aos nossos personagens favoritos.  Ela nos contou um pouco de sua trajetória, os desafios e aprendizados de ser uma artesã empreendedora. spock

“Comecei há uns quatro anos, fazendo coisas para mim mesma e para amigos e familiares, até que começaram a surgir pessoas fazendo pedidos e o que começou como hobby virou uma forma de contar histórias e dar vida para ideias através da costura e, como bônus, uma forma de viver”.

Sobre a escolha dos temas, inspirações e os materiais que a Vanny utiliza: “Na maioria dos casos fui testando vários materiais até estacionar nos resultados mais satisfatórios. Em outros casos, vejo uma inspiração na internet e experimento, vejo se da aproveitar com o que já sei… Já os temas costumam vir dos próprios clientes,eu apenas adapto para meu traço. Agora é que estou começando a deixar meu lado criativo pessoal fluir mais um pouco e deixando minhas próprias ideias criarem vida também”.

cactineoA Vanny segue um processo criativo bem descontraído. “Primeiro faço uns desenhos para tentar imaginar como vai ficar e passar essa ideia para o cliente também. Depois desenvolvo o molde, para isso fico mais concentrada, no máximo ouvindo uma música. Depois costuro e vou assistindo filmes e seriados de forma bem relaxada, e então finalizo dando atenção total aos detalhes pequenos e procurando defeitos na peça final…Dai é só partir para a próxima e repetir o processo”.

A vontade de empreender, segundo ela, surgiu do “Desejo pessoal, sempre gostei de empreender, vendia umas figurinhas abertas de rebelde na escola, brigadeiro… Até joguinho pirata já fui me meter a vender!”.

Mas, como nem tudo é perfeito, existem as dificuldades. Para a Vanny, a maior delas é a estabilidade. “Hoje divido o apartamento com meu namorado, e tem meses que eu ganho muito e tem meses que ganho pouco, mas as contas tem um padrão estável, e isso acaba também me fazendo ter dúvida se devo continuar, principalmente em momentos de maior necessidade financeira ou de depressão”.mascarazinhas

O resultado de toda essa jornada é o aprendizado. Ela nos disse que aprendeu a ter “Responsabilidade, saber lidar com minhas próprias bads e com clientes legais e chatos, a organizar mais meu horário de trabalho e evitar a procrastinação, a poupar para época de vacas magras. Comecei a valorizar e entender mais quem faz e hoje prefiro comprar dessas pessoas ao invés de grandes industrias”.

Para finalizar, ela deixou uma mensagem pra gente: “No início, sempre parece difícil, mas não desistam. Vai treinando, tentando observar onde dá para  melhorar e principalmente, não deixem os pensamentos negativos te dominarem”.

Você pode conferir o trabalho dela no Facebook do Atelier 31 de Fevereiro

Atreva-se a ser quem você quiser!

– por Mariana Zambon Braga

Em outubro do ano passado, o Estadão publicou uma matéria apresentando a Escola de Princesas. Localizada em Uberlândia, MG (e com uma filial a ser inaugurada em São Paulo, no bairro de Moema), a entidade tem como lema “o sonho de toda menina é tornar-se uma princesa”. O trabalho da escola consiste em ensinar as alunas, de 4 a 15 anos de idade, como se portar no ambiente doméstico, à mesa, nos relacionamentos. Tudo isso num ambiente cheio de glitter, tiaras, objetos cor de rosa e transbordando clichês e estereótipos. Na época, escrevi um texto sobre isso no Medium.

A resposta a esse retrocesso foi bem rápida. Inspiradas pela oficina de “desprincesamento” do Chile, diversas ações que promovem o debate acerca dos papéis de gênero na infância estão surgindo por aqui. Uma dessas iniciativas é o Coletivo Atreva-se.

atrevase
Nascimento do Atreva-se na Casa Feminaria

A psicóloga Giulianna Ruiz, uma das idealizadoras do Atreva-se, nos contou que, assim que soube desta iniciativa do Chile, ela outras mulheres interessadas se reuniram para começar a pensar em ações aqui no Brasil. Esse encontro aconteceu em novembro, na Casa Feminaria, e foi o primeiro passo para definir o nome, as ações e a missão deste projeto.

Segundo a Giulianna, o coletivo “Surgiu por um interesse em mostrar pras meninas – e todas as pessoas que vivem à sua volta – que elas podem ser princesas, mas elas também podem ser mais um monte de coisas!”. O lema é: Atreva-se a ser quem você quer ser!

A primeira ação do Atreva-se aconteceu no dia 16 de dezembro de 2016, no Parque do Ibirapuera, com uma mediação de leitura e bate-papo entre os participantes.

atrevaseibira
Primeira ação do Atreva-se, no Parque do Ibirapuera

Leia abaixo o manifesto do Atreva-se:

NÓS NOS ATREVEMOS. ATREVAM-SE TAMBÉM.

Atreva-se! Para ser quem e o que quiser!

Nós, do Atreva-se! nos juntamos para criar possibilidades para as meninas serem quem e o que quiserem ser.

Existimos e escolhemos transitar na vida e não na fuga dela, entendemos como fuga da vida tudo aquilo que, por imposição, nos desvia de quem somos, seja a maneira como deveríamos nos comportar, a roupa que deveríamos usar, e os sonhos que deveríamos ter, o trabalho que deveríamos exercer, os brinquedos que poderíamos brincar, os personagens que deveríamos gostar, as palavras que poderíamos pronunciar, as lutas que deveríamos lutar, e mais um sem fim de regras e mais regras criadas para que simplesmente não fôssemos o que gostaríamos de ser.

Este movimento se pauta na força do encontro, da troca de saberes, da sororidade, na plena convicção de que, se houver espaço que legitime nossas escolhas e que valide nossas posturas, é possível criarmos um novo paradigma, onde igualdade de gênero não seja um motivo de luta e sim uma conquista.

Talvez assim possamos existir em um mundo onde nos doa aos ouvidos, pensarmos que alguém já viveu sob a tutela da cultura do estupro e que seja um tempo bem longínquo aquele em que tínhamos como ideologia vigente uma lógica machista e violenta.

Que sejamos nós a escolher a nossa beleza, questionar o nosso recato e transitar por tantos os lugares que quisermos.

Nós somos responsáveis pelo que nos move!

Atreva-se a vir com a gente, vamos alargar o mundo para cabermos nele! “

atrevase2

—-

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Comece o ano investindo em conhecimento

– por Mariana Zambon Braga

O ano já começou. É hora de colocar a mão na massa e fazer as coisas acontecerem. Provavelmente você já criou listas e estabeleceu metas a serem cumpridas ao longo dos próximos meses. Que tal incluir nesse pacote o seu crescimento intelectual? 

omeahbefln4-alexis-brown
Imagem: Unsplash

Conhecimento é poder. Aprender algo novo nos estimula a pensar, a refletir, expande nossos horizontes e nos transforma em pessoas mais preparadas, tanto na esfera profissional quanto na pessoal. E nem precisa gastar muito dinheiro pra isso – a não ser que você realmente necessite de certificação ou de um treinamento mais aprofundado.

Quando pensamos em estudo e aprendizado, logo imaginamos o conceito de escola, faculdade, cursos em sala de aula, ou mesmo cursos online. Isso tudo é ótimo, faz parte da nossa formação intelectual e, às vezes, profissional. É importante ter bastante conhecimento na nossa área de atuação. No entanto, existem aprendizados que não entrarão no seu currículo, mas que serão cruciais para a sua trajetória de vida. 

A leitura é uma excelente forma de aprender – seja através dos livros de história, biografias, artigos de jornal ou revista. Até as histórias de ficção são capazes de nos ensinar muitas coisas. Outra maneira gratuita e simples de adquirir conhecimento é procurar por palestras e aulas disponíveis em canais no Youtube, ou em sites como o do TED Talks. E, é claro, existem milhares de cursos e plataformas de aprendizado online.

E, caso você tenha algum dinheiro sobrando, sempre vale a pena aplicá-lo em seu desenvolvimento pessoal- como, por exemplo, nos cursos de idiomas aqui da Feminaria. Aliás, não esquece de assinar a nossa Newsletter para ficar por dentro de todas as novidades da rede.

Seja como você preferir, saiba que o investimento mais precioso de todos é em você mesma. Tanto de tempo quanto de dinheiro.

Para te incentivar a aprender coisas novas neste ano, fiz uma lista com meus sites e recursos preferidos, de cursos e palestras a artigos acadêmicos.

Que 2017 seja repleto de aprendizado e novos saberes. Vamos juntas, crescendo sempre!

Plataformas de cursos online:

Udemy – É uma plataforma global de aprendizado e ensino. Oferece cursos gratuitos e pagos, com preços a partir de R$25,00, em áreas como Negócios, Finanças, Empreendedorismo, Produtividade no Escritório, Música, Idiomas e Marketing. Também permite que você se cadastre como instrutora e transmita o conhecimento que tem a oferecer.

Khan Academy – O site é em inglês, mas tem bastante conteúdo em português. É possível aprender, de graça, sobre Biologia, Química, Música, Matemática, bem como tirar dúvidas e assistir a aulas de reforço. Pra quem é bilíngue, vale muito a pena!

Coursera – O Coursera é um site que oferece cursos livres e gratuitos, especializações e pós-graduação elaborados por universidades internacionais. Você pode assistir à maioria dos cursos sem pagar nada, e, se desejar um certificado, basta cumprir todos os requisitos e tarefas e pagar uma taxa. É excelente para quem precisa se manter atualizado.

Veduca – O Veduca é um portal com cursos gratuitos nas áreas de Administração, Finanças, Liderança e Gestão. O site também oferece soluções para empresas.

Unesp Aberta – O site da Unesp Aberta oferece aulas sem certificação, nem tutoria. No entanto, os conteúdos são abrangentes e incluem cursos de Filosofia, leitura em inglês, química, artes, biologia, geografia, educação, entre outros.

Ted Ed – O site do TED Ed traz palestras e aulas curtas sobre diversos assuntos debatidos nos TED Talks. Nele, você também pode criar aulas e conteúdos. O site é em inglês, mas a maioria dos vídeos possui legendas em português.

Cursou – Com mais de 350 cursos online, o Cursou oferece conhecimento gratuito nas áreas de Direito, Informática, Educação, Idiomas, Administração, Design Gráfico e Música.

e-Unicamp – Portal com vídeos, animações, simulações, ilustrações e aulas, materiais criados pelos próprios professores da Unicamp e de acesso livre ao público. As áreas incluem ciências exatas, humanas, biológicas e artes.

Canais do Youtube:

Território Conhecimento – O canal traz palestras e entrevistas com pensadores como Marcia Tiburi, Viviane Mosé, Ligia Py, Mário sergio Cortella e Leandro Karnal, entre outros.

Homo Literatus – Para os amantes de literatura, o site Homo Literatus, que também conta com o canal do YouTube, é um excelente local para conhecer novas leituras, aprofundar debates e dialogar com novos escritores.

Café Filosófico CPFL – O canal do Café Filosófico é uma parceria do Instituto CPFL com a TV Cultura. Nele, você encontrará debates com pensadores e pensadoras contemporâneos acerca dos mais diversos temas, como sexualidade, religião, comportamento e política.

Think Olga – Além do site que disponibiliza matérias sobre os temas mais urgentes da luta das mulheres, o canal da Think Olga traz entrevistas com mulheres na série Pergunte a Ela, com dicas sobre como começar um canal no Youtube, como começar uma carreira na moda, e muito mais.

TED Talks – Eu não me canso de recomendar as palestras do TED, por motivos óbvios. Além de nos permitir ouvir vozes às quais jamais teríamos acesso, os vídeos dos talks provocam o nosso pensamento e nos estimulam a olhar o mundo de forma diferente. Recomendo muito!

Artigos acadêmicos:

Educ@ – Através do portal, é possível encontrar diversos artigos de pesquisa acadêmica para download. Basta procurar pelo assunto ou pelo autor e baixar o texto completo.

CAPES – O Portal de Periódicos da Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – é uma ferramenta fundamental para as atividades de ensino e pesquisa no Brasil. Segundo informações do site, “O Portal de Periódicos reúne em um único espaço virtual as melhores publicações do mundo. Com uma simples consulta feita pelo computador, usando critérios como autor, assunto ou palavra chave, é possível acessar, selecionar e recuperar as informações desejadas”.

Se você conhece alguma outra ferramenta bacana de aprendizado online, conta pra gente nos comentários!

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Escrevendo a história da sua vida

– por Mariana Zambon Braga

Imagem: Unsplash
Imagem: Unsplash

Contar histórias faz parte da natureza humana. Nós gostamos de compartilhar os acontecimentos inusitados, as cenas absurdas, nossas perdas, dores, alegrias e conquistas. Sem perceber, estamos contando a nossa história como se fôssemos narradoras e personagens, ao mesmo tempo. Sempre temos alguma história mirabolante e verídica para contar.

Eu sou uma grande defensora da ideia de que todo mundo deveria escrever suas histórias. Como um exercício de autoconhecimento e crescimento pessoal, no mínimo, ou para deixar para a posteridade mesmo. Como se, ao transportar para o papel aquilo que te acontece, você conseguisse se observar como a protagonista da sua vida.

E essa é uma das funções mais incríveis deste exercício. Você se posiciona como agente, como a personagem principal das aventuras mais incríveis, ou mesmo de situações banais do cotidiano, mas que possuem uma magia escondida – como os acasos, as coincidências, as sincronicidades.

Além disso, nós, mulheres, sofremos com a invisibilização das nossas histórias. Principalmente quando se trata de realizações atingidas em cenários que, ainda hoje, são vistos como predominantemente masculinos. Nesse caso, compilar a sua vida em textos, seja em um diário ou em um blog, também possui a função de registro histórico.

Talvez você pense que nada de muito interessante acontece na sua vida. Ou, pelo menos, nada muito digno de registrar. Eu duvido que este seja o caso. Certamente você já se apaixonou, já teve conflitos em família, com amigos, no trabalho, já se encontrou em contextos tão bizarros que pensou “isso daria um filme“. Tenho plena certeza de que já criou poesia em sua mente ao observar uma flor que nasce no meio do concreto ou uma nuvem em formato de coração. Porque, além da história da sua vida, os seus pensamentos e emoções também têm muito valor para a sua jornada de autoconhecimento.

Somos todas parte de um enredo. A vida de cada uma de nós é repleta de desvios, obstáculos, revezes, reviravoltas do destino, tramas complexas – todos os elementos das melhores obras de ficção.

Então, por que não começar a colocar em prática esse hábito de registrar a sua vida em palavras? 

Não sabe por onde começar? Um diário pode ser uma ótima ferramenta para libertar a alma escritora que existe dentro de você. Relatando os acontecimentos do dia, nos tornamos mais atentas ao que ocorre ao nosso redor e desenvolvemos um foco aguçado para os detalhes. Perceber a evolução da sua forma de escrever, ao longo do tempo, trará mais confiança para seguir em frente.

Pode ser que você nunca tenha coragem de mostrar a ninguém, e tudo bem. Quando você voltar algumas páginas para ler o que aconteceu há algum tempo, será capaz de compreender melhor quem você é, conhecer a si mesma mais a fundo e enxergar a sua narrativa de vida como uma obra completa.

 

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.