Pensamentos de uma mulher cansada

– por Mariana Zambon Braga

Hoje é uma data que me traz sentimentos conflitantes. Comemoramos as lutas que nos propiciaram à conquista de diversos direitos para a mulher, como o direito de votar, trabalhar, estudar, ser sexualmente livre e independente (estes dois últimos um tanto quanto questionáveis). Ao mesmo tempo, analisando o panorama do nosso país e do mundo, a sensação que se tem é a de que não chegamos a lugar algum. Faz tanto tempo que estamos reivindicando exatamente as mesmas coisas e, em diversas ocasiões, quando parece que chegamos a um ponto satisfatório, perdemos em alguma frente. 

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É cansativo. É inacreditável ainda ter que protestar, explicar, ser silenciada em conversas por homens que julgam conhecer mais do que nós a nossa própria realidade. 

Eu gostaria de me sentar aqui na frente do computador e dizer frases de efeito e motivadoras. Destrinchar todas as vitórias, histórias de luta e superação para inspirar a nossa jornada e abrir um sorriso no seu rosto. No entanto, me falta uma boa dose de ânimo.

É claro que os espaços que ocupamos na sociedade são cada vez maiores, que estamos mais unidas e fortalecidas, que a nossa voz às vezes parece muito mais forte do que no passado. Estamos vivendo um momento crucial de reflexão, reconhecimento e organização das mulheres, algo que pode ser o prenúncio de um levante feminino como nunca vimos antes. Ou será que estou sonhando demais?

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Há cerca de cinquenta anos, o movimento feminista como o conhecemos hoje reivindicava igualdade salarial e melhores condições de trabalho para mulheres, principalmente as mães. As mulheres marchavam pela divisão das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos, pelo fim da dupla jornada de trabalho, pelo respeito e pela não objetificação da mulher. Meio século depois, continuamos gritando e clamando pelos mesmos direitos.

A única coisa em que consigo pensar neste dia é no quão cansada estou por sempre ter que repetir as mesmas coisas, a cada ano que passa. Em 2016, escrevi um texto no meu blog pessoal, dizendo resumidamente o seguinte:

Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, somos repudiadas, silenciadas, tratadas como seres inferiores, mas, em um dia do ano, temos uma enxurrada de elogios e flores e mensagens com conteúdos melosos em todos os lugares. Como se esta migalhas saciassem nossa fome por igualdade e justiça. Como se fôssemos dignas de respeito e admiração apenas  neste dia, e apenas da maneira que convém aos outros.

Alguma coisa mudou? Talvez você seja uma mulher sortuda, como eu, que convive com um homem que te respeita, e isso seja algo que faça toda a diferença no seu microcosmo. Talvez você tenha o privilégio de trabalhar e conviver em espaços mais seguros e onde o machismo é menos escancarado. E quanto ao resto do mundo? É impossível viver isolada em uma bolha de amor e desconstrução o tempo todo. Conclusão: temos que continuar levantando a nossa voz, mesmo que isso seja cansativo.  53380271

Porque ter que falar o tempo todo que não somos obrigadas a aceitar os padrões de beleza, que não precisamos nos enquadrar no conceito de feminilidade, que ninguém deveria nos dizer como e quando e quem devemos amar, que, afinal, somos gente, somos humanas e merecemos viver de forma digna – isso deixa qualquer uma exausta.

Porém, não é por isso que vamos parar de lutar ou nos calar. Diante de tudo isso, gostaria de propor uma reflexão, nesta data que serve justamente para isso: qual é a nossa estratégia para alavancar as mulheres ao nosso redor, incluindo nós mesmas? O que eu, você, nós, juntas ou em nossos contextos individuais, podemos fazer, ou continuar fazendo, ou fazer melhor, para que as pautas que reivindicamos há mais de meio século deixem de ser lutas e se transformem em conquistas? 

Quando o Dia Internacional da Mulher remeter apenas à memória das lutas passadas, e não à necessidade constante de batalhar por coisas básicas, como a liberdade de andar na rua sem ser assediada, então será um dia para, de fato, comemorar com a alma leve. De receber flores sem sentir seus espinhos ou um nó na garganta ao lembrar de todas as vezes que tivemos que engolir a seco o descaso de um chefe, os risinhos dos colegas de trabalho que nos menosprezam por causa de nosso gênero, entre tantas outras violências, simbólicas ou reais, que sofremos no dia a dia.

Para hoje, o meu desejo é que todas nós sejamos inspiração umas para as outras. Que possamos encontrar umas nas outras apoio, acolhimento, empatia, poder, força, amizade e aprendizado. Por nós, para nós, juntas, nem uma a menos, somos fortes, melhores e maiores. Podemos estar cansadas, exaustas, perplexas por ainda ter uma distância enorme a percorrer. Mas as nossas lutas, políticas, pessoais, sociais, jamais serão em vão.

Avante!

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Imagens: Getty Images

Atreva-se a ser quem você quiser!

– por Mariana Zambon Braga

Em outubro do ano passado, o Estadão publicou uma matéria apresentando a Escola de Princesas. Localizada em Uberlândia, MG (e com uma filial a ser inaugurada em São Paulo, no bairro de Moema), a entidade tem como lema “o sonho de toda menina é tornar-se uma princesa”. O trabalho da escola consiste em ensinar as alunas, de 4 a 15 anos de idade, como se portar no ambiente doméstico, à mesa, nos relacionamentos. Tudo isso num ambiente cheio de glitter, tiaras, objetos cor de rosa e transbordando clichês e estereótipos. Na época, escrevi um texto sobre isso no Medium.

A resposta a esse retrocesso foi bem rápida. Inspiradas pela oficina de “desprincesamento” do Chile, diversas ações que promovem o debate acerca dos papéis de gênero na infância estão surgindo por aqui. Uma dessas iniciativas é o Coletivo Atreva-se.

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Nascimento do Atreva-se na Casa Feminaria

A psicóloga Giulianna Ruiz, uma das idealizadoras do Atreva-se, nos contou que, assim que soube desta iniciativa do Chile, ela outras mulheres interessadas se reuniram para começar a pensar em ações aqui no Brasil. Esse encontro aconteceu em novembro, na Casa Feminaria, e foi o primeiro passo para definir o nome, as ações e a missão deste projeto.

Segundo a Giulianna, o coletivo “Surgiu por um interesse em mostrar pras meninas – e todas as pessoas que vivem à sua volta – que elas podem ser princesas, mas elas também podem ser mais um monte de coisas!”. O lema é: Atreva-se a ser quem você quer ser!

A primeira ação do Atreva-se aconteceu no dia 16 de dezembro de 2016, no Parque do Ibirapuera, com uma mediação de leitura e bate-papo entre os participantes.

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Primeira ação do Atreva-se, no Parque do Ibirapuera

Leia abaixo o manifesto do Atreva-se:

NÓS NOS ATREVEMOS. ATREVAM-SE TAMBÉM.

Atreva-se! Para ser quem e o que quiser!

Nós, do Atreva-se! nos juntamos para criar possibilidades para as meninas serem quem e o que quiserem ser.

Existimos e escolhemos transitar na vida e não na fuga dela, entendemos como fuga da vida tudo aquilo que, por imposição, nos desvia de quem somos, seja a maneira como deveríamos nos comportar, a roupa que deveríamos usar, e os sonhos que deveríamos ter, o trabalho que deveríamos exercer, os brinquedos que poderíamos brincar, os personagens que deveríamos gostar, as palavras que poderíamos pronunciar, as lutas que deveríamos lutar, e mais um sem fim de regras e mais regras criadas para que simplesmente não fôssemos o que gostaríamos de ser.

Este movimento se pauta na força do encontro, da troca de saberes, da sororidade, na plena convicção de que, se houver espaço que legitime nossas escolhas e que valide nossas posturas, é possível criarmos um novo paradigma, onde igualdade de gênero não seja um motivo de luta e sim uma conquista.

Talvez assim possamos existir em um mundo onde nos doa aos ouvidos, pensarmos que alguém já viveu sob a tutela da cultura do estupro e que seja um tempo bem longínquo aquele em que tínhamos como ideologia vigente uma lógica machista e violenta.

Que sejamos nós a escolher a nossa beleza, questionar o nosso recato e transitar por tantos os lugares que quisermos.

Nós somos responsáveis pelo que nos move!

Atreva-se a vir com a gente, vamos alargar o mundo para cabermos nele! “

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Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

O “dolce far niente” – o tédio necessário para viver

– por Mariana Zambon Braga

Ah, a doçura de não fazer nada. Deitar na grama e observar as nuvens. Sentar à beira-mar e sentir a brisa no rosto, sem nenhuma intervenção de pensamentos como “tenho que fazer (insira aqui qualquer coisa”. Sentar na cama e olhar para a parede. Observar a vida através da janela do seu apartamento. Meditar, ou apenas sentar e respirar por muito tempo. Sem celulares, sem tablets, sem livros, sem fones de ouvido. Fazer-absolutamente-nada-nadinha-nada-mesmo.

Imagem: Unsplash
Imagem: Unsplash

É isso o que significa a expressão italiana “dolce far niente“. E fazer nada não quer dizer ler um livro, assistir a um filme, sair para encontrar os amigos – ou qualquer atividade que, para nós, significa um momento de relaxamento ou de aproveitar a vida. Significa ficar à toa, contemplar o tédio, em si mesmo.

Quando foi a última vez que você se permitiu ficar entediada?

A correria da vida nos ocupa o tempo todo. Pulamos cedo da cama, corremos para chegar ao trabalho, perseguimos prazos durante o dia inteiro, nos desdobramos para cumprir todas as tarefas cotidianas, corremos de novo para não perder o ônibus, trem, metrô, para chegar em casa a tempo de descansar. E, quando terminamos de cumprir as obrigações, ao menos sinal de tédio, lá vamos nós, mais uma vez, inventar atividades para preencher os instantes desocupados.

Se, por acaso, o corpo pede “escuta, deita ali na cama e fica sem fazer nada por uma hora, por favor?”, logo ignoramos esse instinto. Tempo, de acordo com a nossa cultura, é dinheiro. Quando não estamos produzindo, estamos consumindo, pois tudo nessa vida é considerado como produção e consumo. Ou seja, uma hora improdutiva significa uma hora perdendo lucro, ou deixando de gerar lucro, números ou dados para alguém. É um sacrilégio ficar à toa. Quem é que tem tempo para isso?

Acredite em mim quando digo: você tem, sim, tempo para não fazer absolutamente nada.

Quanto dinheiro você perderá se parar por alguns momentos para ficar à toa com seu filho ou filha, companheiro ou companheira, apenas existindo lado a lado, compartilhando a vida? Qual será o prejuízo causado por sentar numa praça e observar os movimentos apressados dos transeuntes, das formigas, dos cães correndo atrás de uma borboleta? Ou de simplesmente deitar no chão da sala ou no sofá e olhar para o teto, sem expectativas? Quem sabe até o maior dos pecados – cochilar durante o dia!

Em nosso mundo cada vez mais veloz e conectado, a contemplação do nada pode parecer algo entediante e totalmente sem sentido. Para os artistas, no entanto, o tédio e o ócio podem ser os motores da criatividade, aliados indispensáveis para o surgimento de grandes ideias e epifanias.

Ficar entediado é uma coisa muito importante, um estado de espírito que devemos buscar. Uma vez que ficamos entediados, a nossa mente começa a vagar, buscando alguma coisa excitante, alguma coisa interessante para se estabelecer. E é justamente aí que a criatividade aparece.

Esta citação é do texto de Peter Bergman “Por que devolvi meu iPad“. O autor conta sobre como ter um iPad e estar o tempo todo produzindo ou consumindo algo o tornou alheio à importância do “tempo perdido”.

Quando estamos esperando por alguém, ou deitados na cama aguardando o sono que não chega, geralmente os pensamentos aparecem e começamos a colocá-los em ordem. Seja uma fagulha criativa ou um insight sobre a vida, em geral, estes instantes que erroneamente consideramos como perdidos nos proporcionam ganhos sem tamanho. O menor deles, certamente, é o benefício de amenizar o estresse.

Imagina só, que loucura, não “ter que” fazer nada – nem que seja por alguns minutos no dia? Confesso que, para mim, é bem difícil tirar um tempinho e me permitir esse dolce far niente – agora mesmo, eu poderia estar curtindo o ócio, mas estou aqui, usando meu tempo livre para escrever sobre a necessidade de ficar sem fazer nada.

Sendo assim, peço licença para encerrar o texto. Vou ali aproveitar o tédio!

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Como entrar em 2017 com fé a despeito de toda a patifaria

– por Elaina Nunes

Pois é, caríssimas, mais um ano chegando ao fim! E, ainda que 2015 tenha sido aquela farofa, há tempos não vemos um ano terminar com um gosto tão amargo. O mundo está ao contrário e, diferente da música de Nando Reis, está todo mundo ciente do fato e a sensação decorrente dessa clareza não é nada animadora.

Era para todo mundo estar abraçado e planejando juntos uma forma de vencer os desafios, certo? No mundo utópico de Imagine do libriano John Lennon, só se for. O que vemos são cada vez mais pessoas apontando o dedo para o outro, projetando suas mazelas no vizinho, na Dilma, no Temer. As polaridades estão destacadíssimas e internamente a coisa não poderia ser diferente. Para onde nos levará toda essa falta de autoconsciência? Para 2017, of course! E foi diante desse cenário que decidi escrever o manual: COMO ENTRAR EM 2017 COM FÉ A DESPEITO DE TODA  PATIFARIA EM CINCO LIÇÕES.  Vem comigo!  

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1. Olhe para dentro

Eis o mais difícil dos passos e exatamente por isso já o adicionei no tópico 1, comecemos pela raiz. Se você é uma pessoa que por natureza busca o auto aprimoramento, seja através de terapia, livros, cursos ou de técnicas, excelente! Mergulhe, mergulhe fundo. Aproveite o final de ano para repassar os avanços, ainda que tenham sido sutis. Os erros? Ah! se você é voltada para dentro, aposto que já os revirou de cabo a rabo ao longo do ano, portanto não, não se torture mais, deixa isso para lá e foque nas vitórias.  E vambora, saia desse quarto, vá brincar!

Se você é uma pessoa que, por tendência, evita tudo o que é subjetivo e tem dificuldade de entrar em contato com seus sentimentos, te digo de coração que é hora de quebrar essa barreira e fazer algo a respeito. Se quem busca autoconhecimento cai nas ciladas do inconsciente, imagine quem passa longe! Vivendo dessa forma, há o risco de seguir cega, agindo sem saber, reclamando sem compreender, projetando a sombra no próximo. 

Lembrando que o objetivo é a integração dos opostos, nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Caminho do meio, mãozinhas dadas, reconhecimento e aceitação.

2. Quando não se tem nada, não há nada a perder

A máxima de Bob Dylan sempre funcionou para mim como um norte em momentos de crise, e agora mais do que nunca. Está desempregado, já panfletou CV e nada de retorno? Quem sabe não é hora de mostrar ao mundo aquele dom que ficou adormecido, quando seus pais te incentivaram a cursar TI por ser o que “dá dinheiro”. Tá todo desgrenhado no fundo do poço mas bateu um medinho de arriscar? Larga disso e aproveita a brecha para fazer o que sempre quis, mas nunca teve oportunidade por estar ocupado demais tentando vencer na vida. Em 2017, se dará bem aquele que abusar da criatividade, que ativar o contato com o Eu interior, que finalmente viver sua verdadeira vontade. Que ousar ser você mesmo! 

3. Organize-se, planeja, estabeleça metas

Parece clichê de coach, é irritante, eu sei. Mas também sei por experiência o poder de um projeto estruturado e bem estabelecido. Não adianta ficar se lamentando, culpando o partido oposto pelo caos que sua vida se encontra. É preciso criar coragem e arrumar a bagunça que 2016 deixou.

Agora imagine uma figura de luz: pois bem, não espere ficar iluminado, utilize essa figura de luz para iluminar o caderno onde você vai anotar e cumprir cada proposta definida para 2017. Tem uma dificuldade enorme em estabelecer metas e executar o que planejou? Hoje há uma gama de ferramentas fantásticas e bastante didáticas que certamente a auxiliarão nesse processo. Eu mesma estou de olho no kit Organize 2017 desenvolvido pelas empreendedoras Karine Drummond e Priscila Valentino. (espero que em agradecimento pelo jabá gratuito elas me enviem uma amostra… tá bom, parei!)

Alá, que tesouro! (meu stellium em virgem pira)

4. “Mas, dona Ava, eu não sei por onde começar e não tenho dinheiro para nada”

Vocês viram quão cruel foi 2016 com aqueles que apelaram para vitimização e procrastinação, certo? Não corra esse risco!  Há uma diversidade de locais que oferecem auxílio gratuito e orientação para aqueles que não sabem o que tá conteseno. A Casa Feminaria, por exemplo, oferece plantões com psicóloga, advogada, nutricionista, educadora, além de cursos por um preço bastante acessível de tudo que você pode imaginar. É só ir lá para ver.

Quem não está em São Paulo, certamente encontrará locais similares em sua cidade. Mantenha-se aberta, pesquise, estude online, vá checar pessoalmente. A partir do momento que nos colocamos em movimento, a mágica da vida acontece: as coisas fluem, as pessoas surgem e aos poucos tudo se encaixa. É preciso somente iniciar, entrar no fluxo e não desanimar diante de obstáculos que (por padrão) eventualmente venham a surgir, esses fazem parte do processo. Mais uma vez, Campbell: siga a sua alegria, e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes.

5. Renove sua fé (ainda que você seja ateia)

Eis um excelente momento para retomar a prática da meditação, tomar um passe, visitar o terreiro que há tempos você não aparece, acender uma velinha para o anjo da guarda.  Se você é ateia, eis a hora de reafirmar seus valores e agir de acordo com eles. Mantendo-nos conectados com aquilo que nos ilumina, a vida sorri e te ilumina em retorno.

Portanto, avante, guerreira! Vista sua melhor roupa e vire o ano cheia de alegria, e com o coração confiante que a despeito de toda balbúrdia a vida é bonita, é bonita e é bonita! PODE VIR 2017, que a gente tá preparada!

Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.

PERDOA MAS ESTOU CANSADA DE TI, OH MEU AMIGO MEDO

por Elaina Nunes

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Imagem: Jeremiah Ketner
Custou, mas enfim cheguei ao meu limite: estou de saco cheio. Revoltada com a impossibilidade de dirigir, de cruzar a orla da praia de bicicleta com minha filha na cestinha. Injuriada com o fato de ter trinta e seis anos e ser incapaz de dar um raio de uma cambalhota. “Você vai quebrar o pescoço”, urra minha mãe interna. Mãe, não tenho mais saúde para pressão interna, para medinho de não ser boa o suficiente, não corresponder as expectativas do mundo, levar um hadouken da vida e terminar estirada na sarjeta. Na boa? Já deu.

Bob Dylan diz que quando não se tem nada, não há nada a perder. Por isso peguei a panela de pressão e taquei o feijão nas mãos de Deus. O feijão saiu e a panela nem ousou explodir. Ai dela. Por isso peguei minha filha nos braços e me enfiei com ela no avião rumo ao Pará. Sim! após algumas noites em claro temendo que ela fizesse um escândalo, ser alvo de infantofóbicos, terminar batendo boca lá no céu e ser tacada da aeronave via paraquedas. A mocinha foi daqui até lá um anjo, e a despeito de outros desafios, cruzei a linha de chegada vitoriosa. Chupa, medo!

E é com alegria que hoje te olho nos olhos e digo: oh caro medo, você que sempre foi meu aliado, fica por perto, sou filha de Saturno e conheço suas qualidades. Mas por gentileza, entra aqui nessa caixinha cor de chumbo e fica quieto, ok? Te convocarei quando necessário, pode confiar. Você pode fazer isso por mim?  Há um mundo inteiro a conquistar e não há mais tempo a perder.  Um grande beijo e fim de papo.

 

Elaina Nunes

Oraculista há 20 anos, realiza leitura do Tarô e baralho Petit Lenormand com abordagem terapêutica. Estuda e investiga Astrologia e Simbologia, iniciando sua formação na Escola Santista de Astrologia e CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica. É mãe da Stella e apaixonada por Carl Jung. Em breve realizará atendimentos presenciais na Casa Feminaria.

Tive uma ideia! E agora?

– Por Aline Tolotti

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Eis a pergunta que toda criativa se faz: tive uma ideia, quero criar minha marca, e agora? Por onde começo? Para onde vou? Como faço?

É, com certeza todo empreendedor um dia já se questionou sobre isso. Mas acredito que o mais importante é dar o start: “tive uma ideia”. Que bom, então você já começou! Empreender é uma arte deliciosa e inspiradora. Há muitas pedras no caminho, vários degraus e muitas portas fechadas, mas com um planejamento mínimo, disposição e muita vontade, a gente abre porta a porta e começa a seguir tão longe, mas tão longe, que quando olhamos para trás, sentimos imensa gratidão por ter a coragem em ter iniciado. Estou há dez anos neste caminho e ainda aprendo muito e todos os dias.

Quando comecei não imaginei chegar onde estou e sei que ainda tenho muito a traçar, mas hoje não me vejo fazendo outra coisa que não seja empreender a vida. Sou uma eterna animadora e acredito muito na criatividade, por isso depois de tantos altos e baixos e tantos amigos agregados no caminho, acredito que posso sugerir algumas dicas basiconas e que podem fazer toda diferença.

Definitivamente hoje eu sei que o melhor caminho é colocar os planos no papel, traçar e dar aquele “check” prazeroso por ter conseguido cumprir o desejado. Começar do começo mesmo: definir qual seu segmento, quais produtos ou qual serviço você poderá realmente oferecer, sem florear. Neste momento é importante ser prático e se questionar: eu posso fazer isso em larga escala? Vou dar conta? Parece assustador, mas é super importante. A gente nunca sabe quais pessoas encontraremos neste caminho, é bacana que esteja preparado para grandes produções e uma demanda maior que a usual. Pois bem! Você já sabe o segmento, o serviço ou os produtos, agora vamos pensar no seu público? O valor e a proposta do seu trabalho estão intimamente relacionados ao seu público e por isso é tão importante precificar.

Mas calma, o Sebrae está aí para isso! É o braço direito do empreendedor curioso, o melhor amigo da dúvida. Após eu ter aprendido de fato quais eram os valores corretos dos meus produtos, incluindo minha mão de obra (isso é mega, mega, mega importante!), pude trabalhar melhor os clientes e as estratégias de divulgação. Acredite: é fundamental! Sabendo direitinho quais seus custos, calculando uma margem mínima para desconto (clientes pedem descontos, mimos, brindes e amor – é legal estar disponível e preparado para isso, você conquista muitos com estes carinhos), definindo sua mão de obra de acordo com o pró-labore que você almeja ganhar, tudo-tudo se encaixa. E lembre-se: o mais importante é começar, por isso vamos por partes. O pontapé é definir os pilares que citei acima, pois após serem definidos, mostrar para o mundo fica muito mais fácil e seguro.

Poderia ficar horas e horas aqui divagando sobre cada etapa deste processo lindo de criação de marca, mas querer dividir é também saber como fazer e dar um passo de cada vez. Cada passo bem dado é um degrau solidificado. O criativo geralmente é entusiasta e dificilmente vai esperar muito para ver tudo pronto, mas acredite: estudar também é um pilar fundamental. Ficarei feliz em ajudar. Quem quiser deixar qualquer dúvida, estarei disposta a responder e ajudar no que puder. Vamos empreender? Volto em breve com outras dicas e mais reflexões. Juntos podemos fazer um mundo melhor e mais colorido, porque criadores movem montanhas e são estas mudanças que o mundo precisa!

 

Aline Tolotti é formada em letras – é criadora da marca artesanal Na Casa Dela Tinha, e idealizadora do O Coletivo – bazar colaborativo tradicional e referência na Baixada Santista!