Pandora – Comunicação e Assessoria de Imprensa para Mulheres

A Pandora é uma assessoria de imprensa voltada para mulheres e que coloca o feminino como protagonista. Nascida do desejo por um mundo mais justo, com mais oportunidades para as mulheres e equidade de gênero no ambiente corporativo, a Pandora – Comunicação e Assessoria de imprensa para Mulheres foi criada para atender a um público específico: mulheres artistas, profissionais liberais, donas de pequenas empresas, franquias e empreendedoras.

Tivemos o prazer de conversar sobre a Pandora com sua fundadora, a jornalista Fernanda Vicente, que também é idealizadora e coordenadora do projeto Mães no ENEM & Mães na Universidade. Confira a entrevista:

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  1. Conte-nos um pouco sobre a Pandora. Qual é a principal proposta? Qual o público-alvo?

A Pandora – Comunicação e Assessoria de Imprensa para mulheres nasceu de um desejo que tinha como mulher, feminista e jornalista: trabalhar para e com mulheres. Sou formada há 14 anos, passei por veículos de comunicação, assessorias de imprensa e agências de comunicação e decidi pegar toda minha experiência e usar a favor das mulheres.

A proposta é colaborar para o crescimento pessoal e profissional de mulheres. A Pandora foi criada para atender mulheres, todas as mulheres sem exceção. Sejam elas artistas, profissionais liberais, donas de franquias, e-commerces, empreendedoras, etc.

  1.  Na sua opinião, quais ações os veículos de comunicação deveriam tomar para que o jornalismo fosse mais inclusivo e humanizado?

Acredito que o jornalismo deve ser com e para o povo. Estamos a serviço de uma sociedade e isso foi esquecido pelas grandes empresas de comunicação quem te interesses obscuros, capitalistas.

Um jornalismo inclusivo é aquele que tem a participação da sociedade, principalmente das minorias, que denuncia, que não está preocupado em audiência ou em vender jornal. E incluir é justamente colocar o dedo na ferida, incomodar, ser um soco no estômago, mas sem apelar para o sensacionalismo, o que é a grande dificuldade dos dias de hoje.

  1. Você sente que, como mulher e jornalista, tem mais dificuldades em conseguir produzir matérias ou conquistar espaço dentro das publicações? E no caso de matérias que falam sobre mulheres, como funciona?

Já foi pior. Hoje, é evidente que sua competência ainda é colocada a prova quando se é mulher. Existe um movimento muito importante chamado Jornalistas Contra o Assédio que justamente aborda e denuncia essas questões de gênero nas redações jornalísticas, que vão desde o questionamento da capacidade como profissional até assédio de algumas entrevistadas (fontes).

Como falar sobre mulher e nossas demandas é o “boom” do momento, não está sendo mais tão difícil como era antes. Claro que também depende muito do tema que você vai abordar. Se for pra falar de aborto, por exemplo, as coisas ainda são bem complicadas, porque não vivemos em um país laico de verdade.

  1. Na sua opinião, qual é o principal desafio de quem trabalha com comunicação e jornalismo, atualmente?

Vivemos tempos difíceis com todos os retrocessos que o país enfrenta. Acredito que hoje esse seja o nosso maior desafio. O desafio hoje é ser imparcial, ética e lembrar sempre que jornalista está a serviço da sociedade e não de interesses mesquinhos.

  1. Deixe uma mensagem para nossas leitoras!

Por mais clichê que seja, gosto e acho linda uma frase que li uma vez em um cartaz em uma marcha feminista “Mulheres são como águas, crescem quando se encontram”. E é nisso que acredito.

Para saber das novidades, acompanhe a Pandora pelo Facebook.

Entrevista – Sítio Graúna

 

No início deste ano, a Casa Feminaria firmou uma parceria com o Sítio Graúna, tornando-se um ponto de coleta de orgânicos. As cestas produzidas pela Roberta Pessoa e sua família são repletas de alimentos cultivados com muito amor e pensando na sua saúde e no meio ambiente. Ao encomendar uma cesta, além de ter uma alimentação mais saudável, temos a certeza de que estamos apoiando uma mulher que, com muita coragem, decidiu embarcar em uma grande jornada de empreendedorismo com sua família.

Conversamos com a Roberta e ela dividiu conosco sua trajetória, suas dificuldades e alegrias.

Confira abaixo a entrevista:

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Como você ingressou na agricultura familiar? Conte um pouco da sua história para nós.

A ideia de Ingressar na agricultura familiar caminhou junto com o meu relacionamento com Davis. Nos conhecemos em 2011,  ele vivia em São Paulo, em uma casinha com um jardim lindo nas Perdizes e passava uma parte do seu tempo livre cuidando daquilo tudo. Eu achei muito curioso, nunca tinha tido um contato com tantas plantas anteriormente. Era pedagoga, lecionava para crianças e não tinha tido, até então,  a possibilidade de cuidar de um jardim e me encantei. Descobri que era muito gostoso passar um tempo cuidando de plantas e era muito legal comer muita coisa que plantávamos em casa, em caixas de sushi, em vasos, jardineiras, pneus.

No final daquele ano, fizemos uma viagem que durou quase 30 dias de carro com a cachorra dele. Fomos até a Chapada da Diamantina, na Bahia, e depois descemos pelo litoral, foi incrível, a ideia de sair da cidade grande para viver em um lugar diferente, mais calmo, começou naquela viagem.

Em 2013, surgiu a ideia de plantar comida para alimentar pessoas da cidade. Essa onda de alimentos orgânicos delivery estava começando, mas ainda não tínhamos terra alguma, só a ideia, então passávamos horas pesquisando como plantar tal alimento, como fazer horta, etc. Demoramos um tempo para juntar a grana necessária para comprar algo. Em 2014, nasceu nossa filha Estela e a vontade de sair de São Paulo para termos o nosso tempo com ela e com a terra foi muito forte.

No final de 2014, mais precisamente 19 de dezembro de 2014, nos mudamos para o Sul de Minas, para uma cidade da qual nunca havíamos ouvido falar, não conhecíamos ninguém e não tinha rede elétrica no sítio que compramos. A casa estava só nos tijolos, mas estávamos tão felizes, radiantes e encantados com isso tudo (e ainda estamos) que não nos importamos com nada. Foi uma mudança muito brusca, muito intensa, mas muito bem vivida. Passávamos o dia atirando sementes em uma área que cercamos como área de preservação e que estava totalmente degradada, cercamos a mina d’água, pesquisamos e criamos uma fossa biodigestora e uma fossa séptica para não descartarmos nenhum resíduo na propriedade,  ainda estamos trabalhando intensamente em reflorestar a nossa propriedade, que era um grande pasto. É um trabalho minúsculo, muito demorado, a natureza leva um tempo para se regenerar. Plantamos mais de 300 árvores nativas, estamos plantando uma variedade bacana de frutas, formando uma floresta comestível, porém só teremos muitas delas produzindo quem sabe daqui a cerca de 5 anos.
Neste mês, estamos iniciando as entregas dos alimentos que produzimos aqui no sítio em parceria com outros pequenos produtores de alimentos orgânicos. Conhecemos diversas famílias que vivem da terra, trabalham de uma maneira extraordinária na agricultura familiar e nos inspiramos demais nessas pessoas.

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Roberta e sua família no Sítio Graúna

Qual foi o principal fator que te motivou a trabalhar com alimentos orgânicos?

Plantar é incrível, ter a oportunidade de observar o ciclo completo dos alimentos, da semente até a próxima semente é mágico. Acredito que a grande mudança da cidade para o campo foi que passamos a viver muito mais atentos às estações, as fases da lua, olhamos para o céu o tempo todo, nem precisamos de relógio pra trabalhar, conhecemos a agricultura biodinâmica,  estudamos a agricultura sintrópica do Ernest Gotsch e a agroecologia de Ana Maria Primavesi, vamos colocando isso tudo que lemos na prática em nossa propriedade e isso é muito gostoso. Descobrimos que amamos fazer isso, nos identificamos com esse caminho, é muito prazeroso cuidar da terra. E bastante trabalhoso, porém, poder passear pela nossa mata nativa e observar o crescimento das hortaliças, puxar e comer aquela folha de rúcula direto porque não tem veneno nem nada químico já nos mostra que escolhemos o caminho em que acreditamos.

Como é a sua rotina como agricultora? A família toda participa das atividades do sítio?sitio3

A rotina no campo é variada, algumas vezes trabalhamos intensamente colhendo os alimentos para levar para a cidade, organizando essa logística para que as pessoas recebam tudo fresquinho, gostoso ou trabalhamos formando novos canteiros, plantando árvores, mas também organizamos o nosso dia para que tenhamos o nosso ócio muitas vezes, coisa que era impossível vivendo na cidade grande. Além disso, temos uma criança pequena em casa, o que muitas vezes acaba organizando nossa rotina de maneira diferente.

As estações do ano também ajudam a organizar a nossa rotina. Por exemplo, agora estamos no fim do verão, extremamente quente no meio da tarde, então procuramos fazer todas as coisas nas hortas antes desse horário ou depois, acordamos cedo, irrigamos as hortas, precisamos observar como estão os alimentos, se estão bem, fazer as podas, alimentar as galinhas (elas vivem no sistema semi aberto), fazemos as mudas para plantar, pesquisamos  sementes diferentes ou trocamos – tudo isso somente nós dois. Contamos com a ajuda da minha mãe e de um vizinho que trabalha fazendo o serviço de podas.

O grande ponto no final do ano passado foi que conseguimos a instalação da internet via satélite na propriedade. Isso nos possibilitou o contato com as pessoas da cidade que querem comprar nossos alimentos. Antes, não tínhamos esse acesso, o sinal de celular é bem ruim, e nenhuma empresa topou instalar internet via rádio no nosso bairro, se não tivéssemos essa opção, possivelmente eu nem conseguiria responder esta entrevista.

O trabalhador rural quer tecnologia, precisa desse acesso, para estudar, se informar, se divertir, ganhar dinheiro, e infelizmente ainda é uma alternativa bastante cara comparando aos ganhos de muitos trabalhadores rurais. Mas já consigo enxergar quem sabe daqui alguns meses uma melhora nesse sistema.

A parceria do Sítio Graúna com a Feminaria começou este ano. Quais são as suas impressões até agora, tanto da Rede quanto deste projeto de ponto de coleta?

Nossa parceria se iniciou em janeiro por meio de uma amiga em comum que me apresentou à casa. A Casa Feminaria estava em busca de alguma mulher produtora de alimentos para formar o ponto de coleta de orgânicos e foi perfeito, pois havíamos acabado de comprar o carro para as entregas e estávamos planejando toda a logística. Já formamos clientes fiéis na Casa, que estão satisfeitas em receber nossos produtos e só temos que agradecer porque é uma iniciativa maravilhosa que está beneficiando diversas mulheres. A casa é um espaço impecável, rola muitas formações interessantes, muitas vezes gostaria de estar presente para participar, mas acabo conhecendo pela rede mulheres incríveis que produzem coisas fantásticas ou que oferecem um trabalho bacana. A Ana e a Maria Carolina são sensacionais, trabalham intensamente para que a Casa funcione maravilhosamente, só tenho elogios e imagino um crescimento interessante com o ponto de coleta dos orgânicos.

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Cesta de orgânicos do Sítio Graúna

Na sua opinião, qual é a maior dificuldade para quem deseja ingressar no ramo da agricultura familiar? Quais foram os maiores obstáculos que você enfrentou e as maiores alegrias?

A maior dificuldade para quem deseja ingressar no ramo da agricultura é conseguir subsídio para iniciar na área. Até agora não recebemos nenhum incentivo do governo para implementar nada, tudo o que pesquisamos ou fomos atrás é muito burocrático, mal informado ou necessitava de algo que só quem já comercializa ou possui empresa legalizada acaba conseguindo fazer parte de algum plano de investimento.
A mudança de governo extinguiu o MDA- Ministério do Desenvolvimento Agrário, que colaborava com um suporte importante para a agricultura familiar e com o plantio orgânico.  Também tem a questão da certificação que é cara, mesmo a participativa, então o agricultor necessita ter condições para bancar isso tudo, se adequar ao programa e pagar isso mensalmente. Infelizmente, sei que para muitos trabalhadores rurais é bem complicado.

Nossa maior alegria é que agora estamos começando a enxergar o reconhecimento do trabalho no campo, que ainda nem é um trabalho de tantos anos, mas que já sentimos diariamente, vendo a mata nativa regenerada abrigando animais muitas vezes extintos, observamos nossa mina d’água funcionando perfeitamente, comercializando nossos alimentos para pessoas que curtem e apoiam muito esse movimento. Ver esse processo completo de cuidar da terra, plantar e comercializar o alimento direto para o consumidor na cidade é muito bacana e só caminha para crescer.

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Deixe um recado para as nossas leitoras!

Eu gostaria de agradecer à Casa Feminaria por todo o suporte, ajuda, troca de dias de mensagens, isso tudo não tem preço! Para as associadas, eu tenho que agradecer também porque elas acabam colaborando com a movimentação da renda de muitas mulheres. Quando a gente pensa em comprar algum produto e escolhe algo produzido por uma mulher, muitas vezes que está cuidando do filho em casa ou que está desempregada, ou ainda iniciando um trabalho autônomo, é um apoio real, concreto, porque não adianta apenas elogiar e curtir o trabalho dela, é preciso consumir dela, apoiar gerando renda. Observo uma conscientização muito grande da economia feminina e estou muito feliz em agora fazer parte dela, tanto como consumidora, como produtora rural.

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A Casa Feminaria é um Ponto de coleta dos orgânicos produzidos pela Roberta Pessoa e sua família no Sítio Graúna.

São dois tipos de cestas:

Cesta do sítio básica: com alimentos livres de agrotóxicos diversos e frescos!

Cesta do sítio especial: com os alimentos diversos e frescos e mais 5 produtos artesanais deliciosos do Sul de Minas, sem corantes, xaropes ou qualquer outro ingrediente deste tipo.

-️ É possível substituir algum alimento ou adicionar outros em seu pedido!

-️ Os alimentos são enviados em uma ecobag de algodão resistente para que sejam devolvidas na próxima data de coleta.

– Cestas limitadas.

Façam suas encomendas pelo e-mail: atendimento@cestadositio.com.br ou pelo telefone: (35) 99209 9079

Acompanhe o Sítio Graúna no Facebook e no Instagram.

Pensamentos de uma mulher cansada

– por Mariana Zambon Braga

Hoje é uma data que me traz sentimentos conflitantes. Comemoramos as lutas que nos propiciaram à conquista de diversos direitos para a mulher, como o direito de votar, trabalhar, estudar, ser sexualmente livre e independente (estes dois últimos um tanto quanto questionáveis). Ao mesmo tempo, analisando o panorama do nosso país e do mundo, a sensação que se tem é a de que não chegamos a lugar algum. Faz tanto tempo que estamos reivindicando exatamente as mesmas coisas e, em diversas ocasiões, quando parece que chegamos a um ponto satisfatório, perdemos em alguma frente. 

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É cansativo. É inacreditável ainda ter que protestar, explicar, ser silenciada em conversas por homens que julgam conhecer mais do que nós a nossa própria realidade. 

Eu gostaria de me sentar aqui na frente do computador e dizer frases de efeito e motivadoras. Destrinchar todas as vitórias, histórias de luta e superação para inspirar a nossa jornada e abrir um sorriso no seu rosto. No entanto, me falta uma boa dose de ânimo.

É claro que os espaços que ocupamos na sociedade são cada vez maiores, que estamos mais unidas e fortalecidas, que a nossa voz às vezes parece muito mais forte do que no passado. Estamos vivendo um momento crucial de reflexão, reconhecimento e organização das mulheres, algo que pode ser o prenúncio de um levante feminino como nunca vimos antes. Ou será que estou sonhando demais?

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Há cerca de cinquenta anos, o movimento feminista como o conhecemos hoje reivindicava igualdade salarial e melhores condições de trabalho para mulheres, principalmente as mães. As mulheres marchavam pela divisão das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos, pelo fim da dupla jornada de trabalho, pelo respeito e pela não objetificação da mulher. Meio século depois, continuamos gritando e clamando pelos mesmos direitos.

A única coisa em que consigo pensar neste dia é no quão cansada estou por sempre ter que repetir as mesmas coisas, a cada ano que passa. Em 2016, escrevi um texto no meu blog pessoal, dizendo resumidamente o seguinte:

Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, somos repudiadas, silenciadas, tratadas como seres inferiores, mas, em um dia do ano, temos uma enxurrada de elogios e flores e mensagens com conteúdos melosos em todos os lugares. Como se esta migalhas saciassem nossa fome por igualdade e justiça. Como se fôssemos dignas de respeito e admiração apenas  neste dia, e apenas da maneira que convém aos outros.

Alguma coisa mudou? Talvez você seja uma mulher sortuda, como eu, que convive com um homem que te respeita, e isso seja algo que faça toda a diferença no seu microcosmo. Talvez você tenha o privilégio de trabalhar e conviver em espaços mais seguros e onde o machismo é menos escancarado. E quanto ao resto do mundo? É impossível viver isolada em uma bolha de amor e desconstrução o tempo todo. Conclusão: temos que continuar levantando a nossa voz, mesmo que isso seja cansativo.  53380271

Porque ter que falar o tempo todo que não somos obrigadas a aceitar os padrões de beleza, que não precisamos nos enquadrar no conceito de feminilidade, que ninguém deveria nos dizer como e quando e quem devemos amar, que, afinal, somos gente, somos humanas e merecemos viver de forma digna – isso deixa qualquer uma exausta.

Porém, não é por isso que vamos parar de lutar ou nos calar. Diante de tudo isso, gostaria de propor uma reflexão, nesta data que serve justamente para isso: qual é a nossa estratégia para alavancar as mulheres ao nosso redor, incluindo nós mesmas? O que eu, você, nós, juntas ou em nossos contextos individuais, podemos fazer, ou continuar fazendo, ou fazer melhor, para que as pautas que reivindicamos há mais de meio século deixem de ser lutas e se transformem em conquistas? 

Quando o Dia Internacional da Mulher remeter apenas à memória das lutas passadas, e não à necessidade constante de batalhar por coisas básicas, como a liberdade de andar na rua sem ser assediada, então será um dia para, de fato, comemorar com a alma leve. De receber flores sem sentir seus espinhos ou um nó na garganta ao lembrar de todas as vezes que tivemos que engolir a seco o descaso de um chefe, os risinhos dos colegas de trabalho que nos menosprezam por causa de nosso gênero, entre tantas outras violências, simbólicas ou reais, que sofremos no dia a dia.

Para hoje, o meu desejo é que todas nós sejamos inspiração umas para as outras. Que possamos encontrar umas nas outras apoio, acolhimento, empatia, poder, força, amizade e aprendizado. Por nós, para nós, juntas, nem uma a menos, somos fortes, melhores e maiores. Podemos estar cansadas, exaustas, perplexas por ainda ter uma distância enorme a percorrer. Mas as nossas lutas, políticas, pessoais, sociais, jamais serão em vão.

Avante!

Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Imagens: Getty Images

Entrevista – Cafezim e Prosa: Projeto Mulheres Viajantes

Quem nunca deixou para trás um projeto de viagem por medo de cair na estrada sozinha? Por que a sociedade ainda torce o nariz para mulheres que se mostram independentes e que encaram suas jornadas e seus passeios sem ter um homem ao lado?

Pensando nessa e em outras questões, a Thaís Carneiro, em seu blog Cafezim e Prosa, criou o Projeto Mulheres Viajantes, que reúne relatos das corajosas mulheres que se aventuram pelo mundo afora. Conversamos com ela para saber mais sobre essa iniciativa.

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Como surgiu o projeto Mulheres Viajantes?

O projeto surgiu a partir do incômodo perante a cobertura midiática do assassinato das turistas argentinas Maria José Coni, de 22 anos, e Marina Menegazzo, de 21, no Equador, em que elas foram culpabilizadas, acusadas de estarem se colocando em situações de risco e de certa forma, legitimando o desfecho da história. Outro ponto que me chamou a atenção foi a recorrente menção à ideia de que elas estariam viajando sozinhas por não estarem acompanhadas de um homem e assim, contribuindo para a insegurança da sua viagem. Diante deste incômodo, decidi lançar o projeto como um discurso contrário, colocando que nós, mulheres, não devemos ser culpabilizadas enquanto vítimas, que temos o direito de ir e vir como todos.

Como foi a recepção/ participação no projeto por parte das mulheres que compartilharam seus relatos?

A recepção foi bem bacana, muitas mulheres se sentiram lisonjeadas pelo convite e com um espaço importante de fala, de exposição de suas experiências. Por muitas, a participação foi entendida como um ato político, de afirmação do gênero feminino em espaços que não são tidos como “lugar de mulher”, pois é quando nos confrontamos com o espaço público.

O engajamento de participação se ampliou com o anúncio do I Mulheres viajantes vai às ruas, encontro realizado no final de 2016, em São Paulo, para trocarmos experiências de viagem em uma roda de conversa.

A gente sabe que muitas mulheres sentem vontade de viajar, mas acabam desistindo por não terem companhia (e, consequentemente, por medo). Na sua opinião, quais medidas podemos tomar para vencer o medo e colocar o pé na estrada sem depender de ninguém?

A autorreflexão é necessária para avaliarmos até que ponto esse medo faz sentido e como ele pode estar restringindo suas ações. Pensando em estratégias práticas, o que costumo fazer é: ficar em quartos coletivos femininos em hostels; deixar os meus números de vôos/horários de ônibus e trem com os meus familiares bem como os contatos das pessoas com as quais vou me encontrar mesmo que seja alguém do Couchsurfing; reservar uma parte do dinheiro na doleira e outra trancada na mala; pesquisar e estudar bem o seu local de viagem tendo em vista hábitos/cuidados/locais perigosos através de blogs e relatos de outros viajantes; comprar com antecedência a hospedagem e o transporte, pois caso eu seja roubada, terei já tudo organizado.

Você já sofreu assédio durante uma viagem que fez sem uma companhia masculina (sozinha ou com amigas)? Como você lidou com estas situações estando longe de casa?

O assédio masculino, seja de cunho moral ou sexual, infelizmente é cotidiano para nós, mulheres. Em viagens, nunca sofri uma situação extrema de violência, apenas o assédio de olhares e uma palavra ou outra que insinuava algo a mais. Minha reação era seguir reto e não estabelecer contato visual.

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Na sua opinião, existe algum roteiro que seja “mais seguro” para a mulher que deseja começar a viajar sozinha, mas que ainda tem receio?

Acredito que a segurança vem mais de você do que do lugar. Para a minha primeira viagem sozinha de tudo, decidi voltar ao lugar que fiz intercâmbio, Buenos Aires, porque já conhecia a dinâmica da cidade e assim, podia me movimentar com mais tranqüilidade. Porém, acredito que se o teu medo é tão forte a ponto de te paralisar, vá para algum lugar que represente sua zona de conforto. Tenha em mente que o medo nunca passa. Pra mim, ele é cotidiano e é um instinto de sobrevivência mesmo, infelizmente.

O Primeiro Encontro Mulheres Viajantes vai às ruas teve uma ótima repercussão. Quantas mulheres participaram? Já tem alguma data marcada para o futuro? Quais são os próximos passos para o projeto?

Foi uma experiência incrível autogerida, em que estabelecemos uma roda de conversa com mulheres que em sua maioria, não se conhecia. Como o evento durou quase cinco horas, estimo a circulação de quarenta mulheres.

Teremos um novo encontro em São Paulo, no dia 04 de março, sábado, a partir das 14h, nos jardins suspensos do Centro Cultural São Paulo, próximo à estação Vergueiro. Além disto, estou organizando um encontro ainda esse semestre no Rio de Janeiro e um curso sobre Mulheres Viajantes na cidade maravilhosa.

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Aproveito para convidar a todas as mulheres viajantes que desejam compartilhar conosco suas experiências de viagem sozinhas ou entre mulheres a escreverem para cafezimeprosa@gmail.com e combinarmos a publicação na coluna. O projeto é coletivo e existe por conta da colaboração de vocês. Caminhando juntas, nos fortalecemos.

Acompanhe o projeto no blog Cafezim e Prosa , na página do Facebook e pelo Instagram.

Nutrição – Refrigerante diet ou Suco de laranja?

– por Tatiana Maia Piccirillo

Substituir o suco de laranja por refrigerante zero é a melhor opção?

O refrigerante zero não tem calorias, mas quais são os benefícios que ele traz para sua saúde? (se souber de algum, por favor me diga!).

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A laranja, apesar de possuir calorias, é rica em fibras (melhora o funcionamento intestinal), é antioxidante (combate o envelhecimento precoce), auxilia na absorção do colágeno (melhorando o aspecto das unhas, do cabelo, retardando o aparecimento de rugas e linhas de expressão) e é rica em vitamina C (melhorando a imunidade) .

O refrigerante, mesmo sendo zero ou diet, aumenta o apetite. Isto acontece porque os adoçantes adicionados à bebida desajustam o sistema de recompensa do cérebro, graças ao neurotransmissor dopamina e seus receptores. Esta substância está ligada à sensação de prazer e, quando algo açucarado é ingerido5201, seus níveis se tornam elevados, provocando uma sensação agradável acompanhada do desejo de comer ainda mais.

E agora, ficou mais fácil saber qual é a melhor opção?

É importante pensar nas calorias, principalmente quando desejamos atingir a redução de peso. Porém, o mais importante é consumir alimentos de qualidade.

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A Tatiana é Consultora da Feminaria e presta atendimento às nossas Associadas. Para agendar o seu horário, entre em contato pelo telefone (11)2737.5998 e verifique a disponibilidade. Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br

Tatiana Maia Piccirillo

Consultora da Feminaria, Formada pela Universidade São Judas Tadeu. Pós-graduada em Nutrição Clínica pela Universidade Gama Filho. Coach Nutricional, trabalha com emagrecimento voltado para reeducação alimentar e mudança de comportamento. 

Breves ensinamentos de “Estrelas Além do Tempo”

– por Mariana Zambon Braga

O filme Estrelas Além do Tempo conta a história das três personagens reais Mary Jackson, Dorothy Vaughan e Katherine Johnson. É sucesso de bilheteria e conseguiu três indicações ao Oscar: melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer, melhor roteiro adaptado e melhor filme. Eu, particularmente, me emocionei bastante ao assistir à trajetória destas mentes brilhantes, que só foram receber o devido crédito anos mais tarde. E eu preciso frisar aqui: se não fosse pelo esforço delas, talvez toda a missão espacial dos EUA naquela época tivesse sido um fracasso. 

O cenário enfrentado por elas não poderia ser mais desafiador. Anos 1960. Sul dos Estados Unidos – uma das regiões em que a segregação racial era uma dura realidade. E, ainda por cima, eram mulheres negras, trabalhando na NASA, um ambiente composto quase que majoritariamente por homens brancos.

O que elas conquistaram não foi pouca coisa não. Mary Jackson foi a primeira engenheira negra da NASA. Dorothy Vaughan tornou-se, com muita perseverança, a primeira supervisora negra da National Advisory Committee for Aeronautics (NACA), a agência predecessora da NASA. Katherine Johnson foi uma brilhante matemática, premiada pelo presidente Obama com a Medalha da Liberdade Presidencial, a maior honra que um civil pode receber. Sem contar que o próprio John Glenn, astronauta que fez o primeiro voo orbital dos EUA, só aceitou a missão após Katherine confirmar os cálculos de seu retorno à Terra.

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Acho que é justo dizer que elas foram muito importantes para a história, não só dos EUA, como da humanidade. E, como toda boa história, real ou fictícia, este filme me trouxe alguns ensinamentos:

  1. Persistência e posicionamento são fundamentais. Ao longo da narrativa, Mary, Katherine e Dorothy se encontram em situações na quais poderiam ter recuado ou abaixado a cabeça. Poderiam ter desistido de seus sonhos ou de suas carreiras, pois as condições que se apresentavam eram muito adversas. Mas elas não se submeteram.  Não aceitaram o “mundo como ele é”. Lutaram pelo direito de manter seus trabalhos, de estudar, ter uma remuneração digna, ou de simplesmente poder usar o banheiro no mesmo andar onde trabalhavam. Graças ao posicionamento e à firmeza das três, elas conseguiram melhorar não só suas próprias condições de trabalho e de vida, mas a de muitas mulheres que trabalhavam com elas.
  2. Precisamos nos preparar para as inovações tecnológicas e para as novas tendências.  Dorothy era líder das computers – matemáticas que faziam os cálculos, manualmente com uma calculadora, muito antes do advento dos computadores. Por causa dos atritos entre os EUA e a União Soviética, a chamada corrida espacial levou a NASA a comprar um daqueles computadores enormes da IBM. Dorothy percebeu, então, que teria que aprender a programar aquilo, ou ela e sua equipe se tornariam obsoletas. Além de aprender a linguagem de programação do IBM, ela também ensinou suas colegas e garantiu que todas pudessem manter seus empregos. Ao invés de temer a tecnologia, devemos compreendê-la e nos adaptar aos novos rumos das nossas profissões e de nossos ofícios.
  3. Um bom líder enxerga o ser humano. Quando Katherine consegue uma vaga na equipe dos matemáticos responsáveis por mandar o homem para o espaço, ela começa a trabalhar com Al Harrison, um cara exigente, mas que sabia que liderança não tem a ver com mandar. Graças a Al, Katherine não precisou mais andar quilômetros para poder ir ao banheiro, pode participar de reuniões estratégicas e trabalhar mais ativamente, desenvolvendo seu potencial e contribuindo da melhor maneira para a equipe. Se um líder não reconhece que seus colaboradores são humanos, não sabe enxergar suas necessidades de trabalho, então ele é apenas uma pessoa com poder hierárquico.
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Imagem: Divulgação

Estrelas Além do Tempo é um filme inspirador, não no sentido motivacional, porque não tem aquela coisa de “você pode tudo se apenas for otimista e determinada”. Nada disso. É inspirador porque mostra o resultado do trabalho árduo e da dedicação destas mulheres em busca de seus sonhos e objetivos profissionais e intelectuais. Mostra que, sem atitudes, sem uma real ação transformadora, nossos projetos dificilmente serão realizados.

Que possamos nos espelhar na coragem dessas cientistas incríveis!

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Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.

Feminaria e Ideia Crua – Ecobags colaborativas

Aqui na Feminaria, acreditamos que a empatia e o apoio mútuo são a chave para transformar as relações de consumo. Conhecendo o trabalho umas das outras, formando vínculos fortes e duradouros, somos capazes de ir mais longe. Através da cooperação, podemos causar um impacto positivo na nossa vida e de nossas parceiras empreendedoras – e também nos nossos círculos sociais.

Além das relações entre você, suas parceiras e seus consumidores, é preciso pensar no impacto ambiental que o consumo acarreta, principalmente quando se trata de embalagens e sacolas que você oferece junto com os seus produtos. As ecobags são uma ótima forma de promover a sustentabilidade, além de funcionarem como um excelente veículo para propagar a sua marca.

Pensando em tudo isso, a Feminaria, em parceria com a Ideia Crua, da Amanda Santos, inova ao lançar o conceito de ecobag colaborativa, que faz parte de todo o conceito da Rede, que é fomentar o empreendedorismo afetivo feminino. A bag contará com a estampa de 10 negócios. A ideia é compartilhar o espaço e conquistar clientes por meio do compartilhamento e colaborativismo.

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A nossa fundadora, Ana Carolina Moreira, explica: “A cliente receberá o produto da sua marca e terá a oportunidade de conhecer outras empreendedoras, além de ter contato com a iniciativa e notar que existem mulheres se unindo por uma economia compartilhada. O custo dessa sacola será dividido entre as 10 empreendedoras que ostentarão suas marcas. Isso é o colaborativismo na prática. Para fechar uma bag são necessárias 10 empreendedoras de segmentos diversos, não poderão estar na mesma ecobag colaborativa empreendedoras com o mesmo nicho, isso para que possamos dar visibilidade a todas. Você poderá montar sua turma e pedir sua sacola, ou deixar por conta da Ideia Crua que é excelente para fazer essa curadoria do bem. As ecobags são reutilizáveis, portanto sua cliente vai passear por aí com os 10 logotipos estampados: propaganda garantida e da forma mais bonita, isto é, unindo sustentabilidade e compartilhamento”.

Que tal fazer parte deste movimento?

Para encomendar a sua ecobag, envie uma mensagem para: contato.ideiacrua@gmail.com.

Caso tenha dúvidas, fale com a gente! contato@feminaria.com.br

 

Women’s Music Event – impulsionando o protagonismo da mulher na indústria da música

Cada vez mais, encontramos mulheres incríveis que promovem iniciativas para que outras mulheres estejam onde quiserem. Este é o caso do Women’s Music Event.

Idealizado pela jornalista Claudia Assef e pela produtora cultural e advogada Monique Dardenne, que estão há muitos anos na indústria da música, o Women’s Music Event é uma plataforma de música, negócios e tecnologia. Um dos objetivos é criar um banco de dados inédito, com cadastro de mulheres do mundo todo – musicistas, jornalistas, produtoras, DJ’s, instrumentistas e compositoras, por exemplo.

Com o intuito de ser tornar o eixo central em torno dos eventos focados no universo musical feminino que surgem a cada dia no Brasil, o Women’s Music Event (WME) é uma plataforma de música, negócios e tecnologia vista por uma perspectiva feminina.

Seu objetivo é destacar a participação e promover a inclusão de mulheres no mercado da música, um setor ainda muito associado ao universo masculino. Trata-se de uma iniciativa inédita no Brasil, visando fomentar a união e a colaboração entre mulheres que já atuam no mercado da música e encorajar aspirantes a entrarem na indústria de forma mais assertiva.”

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Conversamos com a Monique e com a Cláudia, que nos contaram um pouco mais sobre este projeto.

  1. Como surgiu a ideia de criar o Women’s Music Event?

wme2Tivemos a ideia de criar o Women’s Music Event depois de ter participado de vários painéis sobre o papel da mulher na música, nos quais nos chamavam para mediar ou participar. Acabamos conhecendo pessoalmente ou reencontrando várias profissionais da música super gabaritadas, sobre quem pouco ou não se ouve falar. Pensamos, ué, por que não criar um momento em que a mulher tenha voz em todos os painéis, em vez de ficarmos segregadas num só? Assim nasceu a iniciativa de fazer o Women’s Music Event, que nasceu com o objetivo de ser uma conferência da indústria da música sob a perspectiva feminina, através do olhar das mulheres do mercado.

  1. Vocês têm bastante experiência na indústria da música. Poderiam compartilhar conosco suas impressões sobre ser mulher neste cenário? Na opinião de vocês, quais as maiores dificuldades para uma mulher ser bem sucedida neste segmento?

A gente não veste a máscara de coitadinhas nem fica reclamando, mas existe e sempre existiu um script daquilo que é esperado que uma mulher faça ou não faça, como deve agir etc. Se você age de uma forma mais dura, logo vêm adjetivos como “megera”, “sapatão”, “malcomida” etc. enquanto um homem que age de forma enérgica é tratado como “líder”, “decidido”. Se você se veste de uma forma que foge do convencional pode ser tachada de “piranha” ou “maluca” enquanto o cara que se veste diferente tem muita personalidade. Acho que ninguém jamais definiu melhor as diferenças entre ser uma mulher e um homem na indústria da música quanto a Madonna neste discurso na premiação da Billboard.

 

  1. Em março do ano que vem, o Women’s Music Event irá realizar um evento físico. Poderiam nos falar um pouco mais sobre este evento? Quem poderá participar?

A segunda etapa do lançamento do Women’s Music Event acontece em março de 2017, quando serão realizados os eventos físicos do WME, divididos em dois dias de conferências e duas noites de shows e festa em São Paulo.

A parte diurna do WME, que será realizada num dos edifícios públicos mais bonitos da cidade, a Biblioteca Mário de Andrade, irá abranger painéis sobre os mais diversos assuntos ligados ao universo musical, de negócios a tecnologia, além de workshops técnicos e showcases. No total, cerca de 50 mulheres, entre artistas, executivas, jornalistas, técnicas, engenheiras e produtoras irão palestrar nos 12 painéis e 6 workshops da programação.

A parte de shows se divide em duas noites. A primeira, focada no universo da música eletrônica, dará espaço para DJs e produtoras brasileiras, além de abrir um importante intercâmbio com disc-jóqueis e produtoras sul-americanas, sem esquecer de big names da Europa e dos Estados Unidos. Na segunda noite, o palco do WME se abre para estilos diversos, de cantoras brasileiras a bandas. O line-up da conferência e das festas, bem como o detalhamento da programação de painéis e workshops, será divulgado nos próximos meses através do site WME, além dos parceiros de mídia.

Para quem quiser participar como público da conferência e dos shows, os ingressos serão vendidos a preços bem atentos à realidade atual a partir de fevereiro.

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  1. Como funciona o cadastro das profissionais no portal do WME?

Esta é uma ferramenta importantíssima para reunir dados de profissionais da música do Brasil, que podem se cadastrar diretamente pelo site. Trata-se de um banco de dados inédito, criado para alimentar a indústria da música com profissionais gabaritadas distantes a apenas alguns cliques de empresas interessadas em equilibrar a participação entre gêneros em seus quadros de funcionários. Para se cadastrar basta preencher este formulário e aguardar a confirmação.

  1. Na opinião de vocês, quais são as artistas/bandas/festivais mais interessantes do cenário da música atual?

Tem muita coisa legal rolando, ainda bem! Somos fãs dos trabalhos de artistas como Tássia Reis, Lay, Céu, Karol Konka, Angel Olsen, ANNA, Karina Buhr, Érica Alves, Amanda Mussi, Tata Ogan, Eli Iwasa, Lei Di Dai, Blancah, Angela Carneosso e de festivais como o Coquetel Molotov, Sonora, Feminine Hi-Fi.

Acompanhe o Women’s Music Event através do site, da página do Facebook e pelo Instagram.

Compre com Elas – Especial Artesãs – Estelarte

Uma das missões da Feminaria é auxiliar as mulheres empreendedoras a estarem onde desejam. Isso inclui dar visibilidade a elas e ajudar a divulgar seus projetos e produtos. Investir no trabalho de quem está ao nosso lado é uma forma de garantirmos o crescimento umas das outras.

Em 2017, o nosso especial Compre com Elas continua com força total. Vamos juntas?

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No Compre com Elas de hoje, a nossa artesã Estela Brandi, criadora da Estelarte, nos presenteia com este depoimento cheio de lições. Conhecer quem está por trás dos produtos que amamos é incrível. Nos ajuda a ter mais empatia e a estreitar os laços.

Confira a história dela:

Iniciei o Estelarte em setembro de 2015, porque os amigos gostavam muito do que eu fazia, falavam para eu vender. Como precisava de um hobby porque o mundo corporativo (e a vida também) estavam me sufocando, resolvi fazer uma pagina no Facebook para divulgação. Até então era realmente um hobby: sem noção nenhuma de precificação, fazia um mundaréu de coisas (acessórios, encadernação, bordados, quadros para maternidade, etc.), tirava fotos bem “meia boca” e não olhava para esta empresa como ‘sustento’, mas já era algo que me deixava extremamente feliz!

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Criar coisas novas, ver a carinha e o sorriso de cada pessoa que comprava ou ganhava algo e adorava o produto, ter a sensação de que fui eu que fiz todo o processo, era algo que me encantava e eu já sentia que aquilo era o que eu queria, mas eu não queria sair da situação confortável de CLT que tinha. Foi então que passei por um super combo de final de ano em 2015 (demissão + separação) e fiz uns cursos de auto conhecimento que me fizeram ver que o que eu realmente queria estava no empreendedorismo e na ativação da Estelarte como algo mais ‘sério’. Queria viver das minhas criações, viver livre para criar quando eu quisesse, fazer coisas que as pessoas gostem e sejam úteis para elas (seja na própria funcionalidade de um produto ou na sensação de presentear alguém ou se presentear com algo cheio de significado) e, por fim, dar vazão a uma mente que a todo momento está criando ou pensando em algo. A partir desta noção do que eu realmente queria, comecei, em Julho de 2016, a olhar pro Estelarte de maneira mais focada, mais empresarial e mais apaixonada. 

A partir de então, defini os produtos que eu queria fazer: sempre quis misturar muitas técnicas porque gosto de fazer muita coisa. Porém, sabia que neste começo precisava focar em algo e foquei na decoração, que eu amo demais e consigo misturar algumas técnicas durante a produção. Então, limpei a loja e comecei produzir apenas almofadas em patchwork. Fui fazendo alguns cursos de empreendedorismo e mais cursos de artesanato para ampliar minha gama de técnicas e, consequentemente, de produtos. Com isso, hoje o Estelarte produz e vende produtos decorativos mais diversificados: almofadas em patchwork, almofadas bordadas, quadrinhos em bastidor, porta-correspondências e chaves, porta-colares e outras cositas para decorar qualquer ambiente!amy

Meu processo criativo é a união de diversas fontes de inspiração e depois um filtro delas: sempre estou vendo o Instagram (de artesãos, ilustradores, lojas de decoração e etc.); prestando atenção na rua, nas pessoas, nos lugares (para quem faz patchwork o azulejo de uma cozinha já é baita inspirador…). Dedico algumas horas da minha semana ao Pinterest (válido para pesquisas e inspirações em qualquer campo, mas acredito que para quem faz artesanato lá é o paraíso de muita inspiração seja de produtos, de combinação de cores e ate de ideias para composição das fotos de produtos). Tento fazer cursos de técnicas variadas (acredito MUITO nessa multipotencialidade da criação: você pode unir patchwork + ilustração+ encadernação, por exemplo) e também sempre tento prestar atenção no que as pessoas curtem e no que elas precisam.

Juntando tudo isso, a cabeça cria MUITA coisa legal, daí eu anoto tudo (sempre tenho um caderninho na bolsa) e um dia na semana eu sento e vejo o que, dentre essas coisas que eu juntei, eu consigo criar. Isso me dá ideias novas de produtos e de cursos que eu posso pensar em fazer para agregar às minhas criações. Nessa miscelânea inspiradora é que eu vejo quais temas são mais interessantes para produção e a partir disso quais as técnicas seriam mais legais para esses produtos e, depois disso tudo, vejo quais materiais seriam necessários.

Estejam sempre abertas em todos os lugares para receber ideias novas! Eu acredito muito que a ideia é uma energia que está louca para entrar na cabeça das pessoas, basta você estar aberta a ela que ela entra e faz coisas incríveis com sua cabeça! “

Ser empreendedora é algo engrandecedor e que te faz aprender muita coisa, te faz ser mais responsável, mais pensativa e até mais questionadora. Quando você empreende, tem uma noção maior de como funciona um processo de produção. Consequentemente, acaba sendo questionadora de processos e criadora de outros.

almof_snail-trail_comicsEsse ‘ser empreendedora’ me fez mais responsável comigo mesma (o que faz bem para mim e o que não faz); com as minhas contas (o que eu realmente preciso comprar e por que); com os prazos dados e recebidos; me fez ver como o processo de produção afeta o preço de algo (com isso, respeito muito o preço/valor que cada um dá para o seu produto) e, principalmente, me fez melhorar a relação com o outro (empreendedor sem empatia, paciência e simpatia não vai muito longe, pelo menos ao meu ver).

Mas não é uma caminhada muito fácil…… A minha maior questão e dificuldade (ainda) no ramo do próprio negócio é com a instabilidade de rendimento. Como estou no inicio, não é todo mês que entra algo e nem sempre faturo o que eu preciso. E quando você tem um aluguel, essa questão fica bem urgente e sempre preocupante. Porém, eu tenho um objetivo e uma certeza interna de que estou no caminho certo, e acredito que é isso que não me faz pirar loucamente com essa preocupação!

Outra questão que também é um pouco complicada é que muitas pessoas não valorizam o real valor do trabalho artesanal, acham maravilhoso, mas como não tem noção das horas dispensadas para fazer, do preço do material e do próprio valor do produto (seja porque é único, seja porque não polui o ambiente, seja porque não há trabalho escravo envolvido e etc.) e acabam achando tudo caro. Isso dificulta um pouco as vendas e o processo de divulgação e fortalecimento do trabalho artesanal.

Também não vejo isso como apenas culpa do consumidor. Também acho que nós, criativos/empreendedores, devemos nos valorizar mais, investir em mais conhecimento para um produto cada vez melhor, valorizar nosso trabalho, valorizar o outro criativo/empreendedor (seja comprando ou apenas divulgando o trabalho). Acredito que precisamos cada vez mais criar entre nós uma rede gigantesca de ajuda mútua para que esse problema, que vejo ser de quase todo artesão/empreendedor, seja sanado ou, ao menos, minimizado.

As duas maiores dicas ou conselhos que daria a alguém que está querendo trilhar o caminho do empreendedorismo com suas próprias criações são:

1- ESTUDE! O conhecimento abre portas! Estude muito sobre empreendedorismo! Não somos um país que aprende a ser empreendedor na escola ou na faculdade, então estude! Aproveite as palestras, workshops e tudo mais que o Sebrae, o Google, o YouTube e também a Feminaria tem sobre esse assunto! E também estude muito sobre o que você quer trabalhar! Tente fazer cursos com os melhores e se aprimore cada vez mais.

2- VALORIZE-SE! E aqui cabem as duas vertentes: Valorizar você mesma para buscar o que realmente quer, aquilo que vai te deixar feliz e bem consigo mesma (e só VOCÊ sabe o que é) e também valorizar o seu produto, o seu esforço empregado nele, fazer um preço condizente com o que você gastou! Não é porque fulano, sicrano ou as Lojas Americanas vendem mais barato que você tem de baixar o preço. O seu valor quem dá é você e não as Lojas Renner. “

Os trabalhos da Estelarte estão nas redes sociais: Facebook e Instagram.

Atreva-se a ser quem você quiser!

– por Mariana Zambon Braga

Em outubro do ano passado, o Estadão publicou uma matéria apresentando a Escola de Princesas. Localizada em Uberlândia, MG (e com uma filial a ser inaugurada em São Paulo, no bairro de Moema), a entidade tem como lema “o sonho de toda menina é tornar-se uma princesa”. O trabalho da escola consiste em ensinar as alunas, de 4 a 15 anos de idade, como se portar no ambiente doméstico, à mesa, nos relacionamentos. Tudo isso num ambiente cheio de glitter, tiaras, objetos cor de rosa e transbordando clichês e estereótipos. Na época, escrevi um texto sobre isso no Medium.

A resposta a esse retrocesso foi bem rápida. Inspiradas pela oficina de “desprincesamento” do Chile, diversas ações que promovem o debate acerca dos papéis de gênero na infância estão surgindo por aqui. Uma dessas iniciativas é o Coletivo Atreva-se.

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Nascimento do Atreva-se na Casa Feminaria

A psicóloga Giulianna Ruiz, uma das idealizadoras do Atreva-se, nos contou que, assim que soube desta iniciativa do Chile, ela outras mulheres interessadas se reuniram para começar a pensar em ações aqui no Brasil. Esse encontro aconteceu em novembro, na Casa Feminaria, e foi o primeiro passo para definir o nome, as ações e a missão deste projeto.

Segundo a Giulianna, o coletivo “Surgiu por um interesse em mostrar pras meninas – e todas as pessoas que vivem à sua volta – que elas podem ser princesas, mas elas também podem ser mais um monte de coisas!”. O lema é: Atreva-se a ser quem você quer ser!

A primeira ação do Atreva-se aconteceu no dia 16 de dezembro de 2016, no Parque do Ibirapuera, com uma mediação de leitura e bate-papo entre os participantes.

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Primeira ação do Atreva-se, no Parque do Ibirapuera

Leia abaixo o manifesto do Atreva-se:

NÓS NOS ATREVEMOS. ATREVAM-SE TAMBÉM.

Atreva-se! Para ser quem e o que quiser!

Nós, do Atreva-se! nos juntamos para criar possibilidades para as meninas serem quem e o que quiserem ser.

Existimos e escolhemos transitar na vida e não na fuga dela, entendemos como fuga da vida tudo aquilo que, por imposição, nos desvia de quem somos, seja a maneira como deveríamos nos comportar, a roupa que deveríamos usar, e os sonhos que deveríamos ter, o trabalho que deveríamos exercer, os brinquedos que poderíamos brincar, os personagens que deveríamos gostar, as palavras que poderíamos pronunciar, as lutas que deveríamos lutar, e mais um sem fim de regras e mais regras criadas para que simplesmente não fôssemos o que gostaríamos de ser.

Este movimento se pauta na força do encontro, da troca de saberes, da sororidade, na plena convicção de que, se houver espaço que legitime nossas escolhas e que valide nossas posturas, é possível criarmos um novo paradigma, onde igualdade de gênero não seja um motivo de luta e sim uma conquista.

Talvez assim possamos existir em um mundo onde nos doa aos ouvidos, pensarmos que alguém já viveu sob a tutela da cultura do estupro e que seja um tempo bem longínquo aquele em que tínhamos como ideologia vigente uma lógica machista e violenta.

Que sejamos nós a escolher a nossa beleza, questionar o nosso recato e transitar por tantos os lugares que quisermos.

Nós somos responsáveis pelo que nos move!

Atreva-se a vir com a gente, vamos alargar o mundo para cabermos nele! “

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Mariana Zambon Braga
Responsável pela redação da Rede, é tradutora de inglês, formada em letras pela USP.
Atua nas áreas de: contratos, traduções técnicas, traduções literárias, artigos e monografias. Escritora por vocação e realizadora por necessidade.