Você precisa de um “pitch”? Então, não escreva um.

Você precisa de um “pitch”? Então, não escreva um.

– por Ana Carolina Moreira Bavon

Desde que comecei a me movimentar efetivamente no ambiente empreendedor (é um universo), percebi que a palavra pitch se repete exaustivamente e comecei a ficar ressabiada porque não havia montado o meu pitch matador. Existem cursos, técnicas, livros, workshops; enfim, não faltam ferramentas para nos ajudar a desenvolver o pitch perfeito.

A regra é clara: ele precisa ser impactante o suficiente para que chame a atenção do seu ouvinte – que em geral é um investidor ou alguém para quem você pretende “vender” sua ideia, produto ou negócio.

Pois bem: me vesti com a minha melhor roupa (de gosto duvidoso, é claro), sentei em frente ao meu notebook e lá fui eu desenvolver o pitch.

Tenho facilidade em escrever e por isso imaginei que seria uma coisa simples. Pensei: tenho bem definidas as ideias e agora basta colocar no papel seguindo a fórmula: quem sou, o que faço, o que desejo e como pretendo realizar e o que preciso agora para atingir meu objetivo. Nunca imaginei que seria tão difícil. Não falo que foi um parto porque não tenho a menor ideia de como deve ser um, mas foi tão difícil quanto ouço minhas amigas mães falarem sobre isso: todo mundo quer dizer qual é a melhor maneira de você fazer o seu, porém, ninguém está ali na sua pele pra saber o que você sente e deseja.

Successful Young Businesswoman Holding Speech

Depois de me apegar a técnica e me desesperar, tive um lampejo de lucidez e me dei conta que eu precisava explicar exatamente aquilo que eu sentia e fazia. Ou seja, eu tirei o foco da técnica e me preocupei em “abrir o coração” foi então que o trabalho começou a fluir, depois começou a ficar bonito, depois eu comecei a me emocionar. Ao passo que meu pitch era desenvolvido eu observava a trajetória que estava percorrendo, poder analisar as coisas por essa nova perspectiva me dava uma sensação de evolução e via que meu negócio estava conseguindo refletir meus valores pessoais.

Escrevi como se não houvesse amanhã, coloquei no papel o que meu coração e memória mandavam e o texto ficou enorme e lindo. Foi então que parti para a segunda fase: transformar aquela confissão em algo palatável para o mercado.

Me inspirei nas pessoas mais capacitadas que conheço:  os vendedores ambulantes! Esses profissionais têm segundos para mostrar que o produto deles precisa ser levado por você, você invariavelmente pode viver sem aqueles produtos e ainda assim: compra! Por que eles conseguem fazer isso?  Porque eles precisam voltar para casa com o dinheiro daquelas vendas do dia, porque daquele dinheiro depende o amanhã e o depois. Então, ali naquela venda, eles colocam o que têm de mais importante: o esforço em manter suas vidas e a daquelas pessoas que dependem deles. Como eles aprenderam isso? Com a vida. A vida mostrou para esses profissionais que a única maneira de se manterem no mercado seria comunicando com paixão aquilo que fazem.

Li meu textão, reli meu textão, suprimi várias partes, mas estrategicamente deixei aquelas que me afetavam emocionalmente sem perder a objetividade. Meu pitch está pronto.

Esse texto é para dizer que não importa o quanto de técnica você tenha, quantas capacidades você domine e o quão maravilhoso é o que você faz – o que vai te fazer comunicar com paixão a ponto de despertar o interesse do mais desaviado dos ouvintes é a paixão que você emprega no que quer que seja.

A paixão pode estar em vários lugares: na sua necessidade de levar estabilidade para a sua família, na sua necessidade de provocar mudanças estruturais no mundo, mas te digo: ela sempre diz respeito ao outro e nunca a você. Quanto de ti existe no que você faz?


Para mais informações sobre como ser Associada Feminaria, envie um e-mail para: contato@feminaria.com.br ou casa.feminaria@feminaria.com.br.


Ana Carolina Moreira Bavon

Advogada, consultora jurídica e fundadora da Rede Feminaria.


Imagem: Freepik

Rede Feminaria
redacao@feminaria.com.br
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